14/12/2008
Animação cresce
A animação é algo que cresce no Brasil a olhos vistos. Nunca se falou tanto do formato. Cursos, concursos e mostras estão a todo tempo demonstrando o futuro do cinema. Mesmo editais de vídeo como o do Irdeb para longa-metragem, ou o do Braskem do ano passado, escolheram projetos de animação para patrocinar. Isso demonstra uma mudança de paradigma, onde pouco investimento se via na área e é uma luz no fim do túnel para os admiradores do formato. Afinal, animação não é coisa de criança, mas uma técnica lúdica de passar mensagens profundas. E os brasileiros estão demonstrando que talento eles têm para isso e muito mais.
Não é de hoje que brasileiros se destacam na animação mundial. Carlos Saldanha, por exemplo, conseguiu a proeza de dirigir o filme a Era do Gelo 2. Confesso que em termos de trama, narrativa, este deixou muito a desejar em relação ao primeiro, mas só o fato de um brasileiro dirigir o longa já foi motivo suficiente para comemorar. Significa que com talento as portas do mundo estão abertas a quem acredita.
Um filme que conseguiu, não apenas manter o ritmo, mas aprender com o primeiro, explorando o que fez sucesso foi Madagascar. O brasileiro Ennio Torres participou do longa e deu uma entrevista recente falando sobre o filme. É interessante perceber seu comentário sobre o pouco acesso de roteiristas não americanos ao filme. Ele fala do humor local que é muito específico, eu discordo. Não é medo de que o tom não faça sucesso com o público e sim o que falei acima: o poder da mensagem. É no roteiro que está definida a trama, o tom, a mensagem a ser transmitida. Os Estados Unidos sempre utilizaram seus filmes para vender o "American Way of life", e assim expandir seu imperialismo. Com a animação, principalmente com Disney, eles conseguiram educar todas as gerações, criando o mito americano da terra perfeita. Um roteirista não-americano trará sua própria cultura, valores, raízes para a história. E isso não é interessante para o mercado ianque.
Independente de questões filosóficas, Madagascar 2 encanta. Os personagens estão em uma Savana na África e cada um deles irá enfrentar um desafio pessoal ao reencontrar outros de sua espécie. De forma criativa, explorando ainda mais as características de cada personagem, a narrativa flui de forma leve, com situações memoráveis, a exceção do grupo de humanos que aparecem em paralelo na história e que seriam dispensáveis. Glória, Melman, Alex e Marty evoluíram e continuam amigos atrapalhados e inseparáveis. Tanto que a Dreamworks já está programando um terceiro filme para 2012. Tudo isso apenas confirma que a animação é, sem dúvidas, um ótimo investimento para qualquer país.










































4 opiniões:
Realmente, Madagascar 2, ao contrário de A Era do Gelo 2, conseguiu manter o ritmo e ser até melhor que o primeiro filme. Quanto a animação no Brasil, acho que ainda estamos caminhando a passos lentos. Mas, enfim.
17 de dezembro de 2008 09:41A Era do Gelo 2 foi uma merda, se é isso que brasileiro pode dirigir, melhor ficar quieto.
17 de dezembro de 2008 10:40Ah, eu gostei de A Era do Gelo 2. Mas, o primeiro era realmente melhor.
18 de dezembro de 2008 09:50Olha, Rodrigo, acho que você não precisa ser tão grosseiro, A Era do Gelo pode não ser uma obra prima, mas também não é uma merda que não mereça estar no currículo de um brasileiro. Animação é uma coisa difícil, mesmo. E dirigir um longa desse porte é motivo para orgulho, sim.
19 de dezembro de 2008 09:35Postar um comentário