22/07/2009

Recuperação dos filmes da Atlântida

O cinema nacional viveu de ciclos regionais, até que no final dos anos 40, começaram as primeiras tentativas de industrialização. As mais bem sucedidas foram a Vera Cruz, uma empresa paulista criada com os moldes de Hollywood, e a Atlântida no Rio de Janeiro, famosa por suas chanchadas. Os cinemas lotavam para ver as aventuras de Oscarito, Grande Otelo e Ankito.

A Atlântida Cinematográfica tinha pouca estrutura e equipamento, mas se caracterizava por uma produção constante. Estreiaram com o sucesso Moleque Tião (1941), drama baseado na vida do comediante Grande Otelo, que interpretou a si próprio no filme. Luiz Severiano Ribeiro, dono do maior circuito exibidor brasileiro, associa-se e passa a facilitar a exibição dos filmes da Atlântida, vindo a comprar a empresa em 1947. Pela primeira vez no cinema brasileiro, estão associados produção e exibição.

Foi então, que a empresa começou a produzir os musicais populares com tons de comédia, as chamadas chanchadas. O sucesso foi garantido, principalmente porque foi com a Atlântida que começou no país uma espécie de star-system. Utilizando estrelas do rádio, o cinema começou a atrair o público para as salas de projeção, dando visibilidade aos filmes.

Com o fim da Atlântida, a maior parte desse acervo estava perdido para o grande público, porém um projeto do Ministério da Cultura está agora digitalizando todas as obras da companhia que me breve estarão disponíveis em DVD.

"Entre o acervo estão filmes de longa e curta metragem, documentos de época, cinejornais e fotos. A Cinemateca Brasileira, em São Paulo, instituição vinculada ao MinC, vai ficar responsável pela restauração, digitalização, preservação e divulgação do material."



Uma ótima notícia para todos os cinéfilos e para a história do cinema nacional.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

4 opiniões:

Leonardo Sacco disse...

Ola.
Tudo bem?

Trabalho com o Núcleo de Relacionamento e Disseminação em Mídia Social, empresa que presta consultoria ao Governo de Minas, com o objetivo de aproximar cidadãos.

Entro em contato, pois como o blog fala sobre cinema, gostaria de lhe enviar algumas informações - via email - sobre projetos e iniciativas do setor no estado de Minas Gerais. Caso tenha interesse, peço que entre em contato pelo email: leonardo@webcitizen.com.br . Duvidas, sugestões e críticas, fico à disposição.

Abs e obrigado.
Leonardo Sacco.

22 de julho de 2009 19:06
Fred Burle disse...

Na verdade, o que dificultou o acesso aos filmes da Atlântida foi o preconceito, pois as obras dessa corrente foram sempre colocadas em segundo plano nas filas de restauração. Os cultos da vida sempre subestimaram a capacidade e a importância desses filmes na cinematografia nacional.
Isso só mudou de figura quando o grupo Severiano Ribeiro comprou os direitos dos filmes da Atlântida, mas infelizmente vários títulos já haviam sido perdidos.
Mas pelo menos grandes obras foram restauradas, como Aviso aos Navegantes, O Homem do Sputnik (adoro), Nem Sansão Nem Dalila, entre outros.
Muito bom o post, Amanda!
Eu adoro a Atlântida e torço para que um dia o cinema nacional se industrialize novamente, pois isso revigoraria nosso mercado.

Abraço!

23 de julho de 2009 00:12
Amanda Aouad disse...

Também gosto muito, Fred, por isso fiquei feliz com a notícia.

24 de julho de 2009 08:44
EduTerme disse...

Muito feliz!!! É a nossa história. Tem muita coisa boa nestes filmes, que poderiam ser refilmasdos numa boa, com versão para tv. Como a novela feijão maravilha, que foi maior sucesso! Por que ninguem pensa nisso? Assim iriamos resgatar o orgulho nacional refilmando as histórias contatas ali com linguagem atuais e agora com muito mais tecnoligia.

13 de março de 2012 11:05

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