30/11/2009
Do começo ao fim?
"Para entender o nosso amor, tinha que virar o mundo de cabeça para baixo". Essa frase do personagem Thomás ainda ecoa em minha cabeça, pois foi isso que Aluízio Abranches prometeu em seu trailer polêmico. Faltou-lhe atitude, no entanto, para virar esse tal mundo, ou quem sabe, reconstruí-lo em seu novo filme Do Começo ao Fim. Propaganda enganosa que nos prometia muito, o filme acontece em algum mundo paralelo da fantasia do diretor. Não há polêmica, não há conflito, não há história. Existem algumas cenas bonitas, plásticas e muita inverossimilhança.
Francisco e Thomás são dois meio-irmãos, filhos de Julieta (Júlia Lemmertz), e, desde o nascimento do caçula, nutrem um amor incondicional. Em dado momento, a mãe começa a observar que os dois só vivem grudados e muito timidamente os aborda, assim como o faz Pedro, o pai do mais velho, depois os dois trocam idéias sobre isso. São os três únicos momentos do filme em que algum esboço de censura acontece. Após um acontecimento que eles definem como libertador, o mundo mágico reina e vemos apenas cenas de amor tórrido clipados e pouca história. Sem conflito, a trama não anda, se arrasta em um emaranhado de irrealidades.
Se o homossexualismo já seria alvo de preconceito e polêmicas, o que diríamos do incesto? É impensável que as pessoas aceitassem da forma como é construído no filme, sem o menor questionamento. E sem o menor receio, pudor, medo, culpa, ou qualquer sentimento que fosse dos dois irmãos. Meu irmão, meu amante, minha vida? Que espécie de mundo é esse?
A despeito do conto de fadas, há cenas bonitas e plásticas, como algumas em que Abranches se utiliza muito bem de um espelho para fazer um jogo de efeitos. A cena do tango também é empolgante, além de um pesadelo de Francisco entre o mar e piscina. A primeira cena de amor entre os dois, no entanto, parece pura vontade de chocar, além de muito lenta e com uma musiquinha irritante que já tinha sido utilizada em outras cenas.
João Gabriel Vasconcellos e Rafael Cardoso conseguem trazer verdade aos seus personagens e emocionam em muitas cenas, seja pelo amor que sentem ou pelo sofrimento da saudade em um momento de separação. E conseguiram escalar duas crianças muito parecidas para os interpretar na primeira fase da projeção. O resto do elenco, tirando Fábio Assunção que já teve momentos mais inspirados, dá suporte ao filme. No caso deste ator, no entanto, acho que a construção rasa do personagem pode ter ajudado para sua falta de expressão.
Enfim, ainda estou esperando o tal fim prometido no título e a discussão polêmica prometida no trailer. O que Aluízio Abranches demonstrou foi ser um excelente "marketeiro" se utilizando de um tema extremamente polêmico (incesto homossexual) para nos apresentar um filme vazio. Uma pena...






































12 opiniões:
Olha só, e eu imaginando uma polêmica danada com o incesto... Perdi parte da vontade assistir...
30 de novembro de 2009 14:17Agora, e esse marketeiro, foi um termo pejorativo, né?
Quando assisti ao trailer já imaginava um filme estéticamente artificial. Quando li a resenhas como a tua imagino uma obra semânticamente inverossímil.
30 de novembro de 2009 20:49Abraço!
Quando assisti ao trailer já imaginava um filme estéticamente artificial. Quando li a resenhas como a tua imagino uma obra semânticamente inverossímil.
30 de novembro de 2009 20:49Abraço!
Eu tinha tanta expectativa com este filme...
1 de dezembro de 2009 08:22Fico até triste em ler que a ideia foi desperdiçada. Ainda quero assistir, mas já esperando um grande vazio.
Olha, estou adorando as mudanças no blog! Parabéns pelo primeiro aninho, Amanda!
Obrigada, Fred. Hoje é fase de teste, qualquer problema, se algo não estiver funcionando, me fale.
1 de dezembro de 2009 08:50Robin, mas foi pra ser pejorativo mesmo, afinal propaganda enganosa nunca é bom.
É por aí, mesmo, Daniel.
Abraços
Amanda, como disse no meu post e você, precisamente, reforçou aqui: o filme é péssimo, fraco e irreal: já se viu tudo ser tão perfeito assim? e as atuações dos meninos são artificiais, irrita até. Lamentável, poderia ter desenvolvido algo mais contundente.
1 de dezembro de 2009 12:19Ótimo o aspecto do novo layout!
Parabens!
Tem o selo do Apimentário lá, se quiser inserir aqui com os outros,
beijos!
Ps: na verificação de palavras, no IE, ele trava e impossibilita que você visualize as palavras pra digitar. Só abre no firefox e no google chrome ele tem o mesmo erro do IE. Ou seja, quem usar IE nao conseguirá comentar no blog. Atente a isso ou retire a verificação de palavras/spam.
bj
Obrigada, Cris, e já estou vendo esses problemas no IE, aliás, a versão antiga dele não está dando a transparência nos boxs... Qualquer outra observação, por favor...
1 de dezembro de 2009 18:19Quanto ao filme é isso mesmo. Pena.
bjs
Amandinha,
10 de dezembro de 2009 12:07Como já te disse pessoalmente, eu AMEI o filme! Exatamente por não levantar bandeiras (como o autor afirmou, em entrevista, não querer), nem causar conflitos. Sem preconceitos, sem taxar de crime e mais, sem castigos por serem diferentes! Ao contrário de tudo, admirável mundo novo, como penso...
É uma visão, eu acho. Um "e se pudesse ser tudo tranquilamente natural?" Pra mim foi como ouvir IMAGINE, de Lennon...
Tudo bem, Lina, é uma visão e um ponto de vista bem válido, mas pelo trailer, eu esperava a discussão, por isso achei meio vazio.
10 de dezembro de 2009 15:04bjs
atuação artificial??? Meu Deus! Quem naõ faz fala né, é bem mais fácil abrir a boca pra falar. Falar todo mundo fala.
11 de dezembro de 2009 11:48Vcs queriam o quê, bacanal explícito? Esse é um filme descompromissado e sensível, pq será que as pessoas vivem em prol das opiniões alheias, inclusive quem escreve nesse blog? Pq será que toda história e roteiro tem que ter regras? Gente, vão viver a vida, façam seus filmes, seus projetos...quem cria o conflito de nossas vidas somos nós. Moralismo é uma bosta, se daqui a vinte anos o conceito de sexualidade evoluir dentro da sociedade, todos os covardes irão poder assumir suas curiosidades. Façam na vida o que vcs fazem no quarto. Pratiquem a mudança que vcs querem que ocorra..e o filme mostra isso.
tem gente com síndrome de culpa
Ah, meu nome é Daniel de Souza.
11 de dezembro de 2009 11:49Daniel, não precisa agredir ninguém para expor sua opinião. Se o Cristiano achou as atuações artificiais, é a opinião dele, inclusive no blog em que escreve, ele expõe ainda melhor o que sentiu.
11 de dezembro de 2009 14:46Quanto a parte que me cabe, não vivo em prol da opinião alheia, apenas procuro analisar e dar minha opinião pessoal. Tire o fato de serem dois irmãos e coloque um homem e uma mulher nos papeis, o que sobra do filme? Nada. Por isso a trama é vazia. Quanto à síndrome de culpa, o incesto (que é o que alerto no texto), é um tabu e ao colocá-lo tão explicitamente no trailer, o diretor criou uma expectativa que não se cumpriu.
Mas, tem gente que adorou, ok, como toda polêmica sempre vão existir duas ou mais vertentes.
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