11/03/2010

Onde vivem os monstros?

Max e o monstro Carol Depois de anos tentando adaptar Where The Wild Things Are, livro de Maurice Sendak publicado em 1963, Hollywood consegue levar as telas, pelas mãos de Spike Jonze, a história do pequeno Max. Engraçado, que apesar de ter se tornado uma cultuada história infantil, a narrativa parece muito mais voltada para adultos, com muitos elementos psicológicos por trás da trama.

Max é um garoto de 8 anos que ainda não passou da sua fase egocêntrica. Tudo tem que ser do jeito dele, na hora que ele quer. Assim, desentende-se com sua irmã e sua mãe, fugindo de casa e indo parar em uma ilha especial onde é o rei da situação. Os habitantes locais, monstros bem fofos e perigosos, aceitam Max como seu governante e tudo que ele quer é uma ordem. Mas, os sentimentos são sempre muito confusos.

Cartaz de Onde Vivem os MonstrosA atmosfera lembra muito outro clássico infantil: História sem Fim. Na verdade, tudo ali é metafórico. A ilha é apenas a simbologia do interior do garoto, com seus monstros internos, sentimentos contraditórios e confrontações sofridas. É uma jornada de crescimento, do fim da primeira infância, onde a criança aprende que existem os outros e têm que respeitar limites.

A direção de arte é muito bem feita e a trilha sonora é bela, trazendo sensações diversas, principalmente nas situações de embate. A atmosfera é sempre estranha, bem ao estilo de Spike Jonze, mas com uma sensibilidade peculiar. A cena do abraço coletivo também é bem legal, assim como o uivo no final. No geral, apenas acho que faltou ritmo ao filme. Há muitos momentos parados, repetitivos, como a eterna briga dos dois monstros e um terreno muito insólito na descoberta do garoto. A fábula podia ser melhor explorada também, para agradar a todos. É um bom filme, porém difícil, nem todos vão se apaixonar.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

8 opiniões:

Robin disse...

Não gosto muito dessas psicologias baratas, achei o filme chato, sinceramente.

abraços

11 de março de 2010 09:02
Alex Sandro Alves disse...

Olá Amanda! Eu adorei este filme! Me fez ser criança novamente! Belo e emocionante! Desde já um dos melhores filmes de 2010!

11 de março de 2010 09:13
Mescla de culturas disse...

Ah, gostei sim...mas é bem adulto, e por isso, bem tenso também...
os queridos monstros brigando é bem chato...rs...enfim, são vários conflitos e um final incomum...vale à pena: É bonito, criativo e instigante!

11 de março de 2010 09:29
Fernando disse...

Eu sou daqueles que gostaram bastante do filme. A cena dele indo embora da ilha é muito bacana, além da direção de arte impecável como você mesmo já disse. Faltou ritmo, é verdade, mas não acho que comprometa o resultado final. Entra na minha lista dos grandes injustiçados do Oscar.

11 de março de 2010 11:34
Kamila disse...

Li bons comentários sobre essa obra e, apesar de não ser a maior entusiasta do cinema feito pelo Spike Jonze, pretendo dar uma chance ao filme.

11 de março de 2010 18:52
Amanda Aouad disse...

Que isso, Robin, não é tão barata assim... Tem seus méritos.

Eu não cheguei a tanto, Alex, talvez se eu tivesse acessado melhor minha criança interior, gostasse mais.

Mescla, as brigas ficam monótonas, não é? Por isso o filme perde ritmo.

Fernando, a cena final é muito bonita sim. Eu só acho isso, que precisava dar uma revirada geral, para não cair na monotonia.

Kamila, é como eu falo, sempre é válido, até porque um filme sempre nos atinge de forma diferente, vide os comentários aqui.

abraços

11 de março de 2010 23:09
Davi disse...

É lindo, mas não sei se levaria uma criança para assistir. Lembro, no entanto, de filmes muito tristes que marcaram minha infância e adolescência, como A Lenda, Conta Comigo, Meu Primeiro Amor, Radio Flyer e História sem Fim - entre outros. Acredito que conhecer o sofrimento e a dor deve fazer parte da formação da criança...

Este filme é belíssimo e, acredito, marcará todos que o assistirem de coração aberto.

19 de março de 2010 19:37
Amanda Aouad disse...

Concordo, Davi, filmes tristes podem ser admirados por crianças, mas a questão de Onde vivem é mais do que a melancolia do filme, é o ritmo lento mesmo, os que vc citou todos tem muita ação.

bjs

21 de março de 2010 20:47

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