15/03/2010

Orquestra dos meninos

Murilo Rosa em Orquestra dos MeninosQuase esquecido por público e crítica, Paulo Thiago construiu mais que um filme ao homenagear o maestro Mozart Vieira, servindo como uma oportunidade de corrigir uma grande injustiça. Músico do interior de Pernambuco que sonhou em criar uma orquestra com meninos do agreste, foi perseguido por forças políticas e quase teve seu projeto de vida destruído ao ser acusado de abuso de menores.

O filme está longe de ser uma obra-prima, é verdade, mas a história tem uma força tão grande que você termina a projeção embevecido. É possível fazer o nosso sonho acontecer. Em situação adversa, Mozart conseguiu construir uma orquestra de sucesso, quando ninguém mais acreditou ser possível. Mais do que isso, os créditos finais mostrando que todos os meninos vivem hoje de música é um sopro de esperança de dias melhores. Afinal, quem é capaz de viver de seus próprios sonhos? Todos os dias somos puxados pela realidade que nos obriga a trabalhar e pagar as contas, deixando os desejos, as paixões em segundo plano. É o medo que nos impede de mergulhar de cabeça em projetos próprios que nos trariam mais satisfação. Mozart não teve esse medo. Saiu de sua posição confortável e lutou pelo impossível, dando um rumo na vida de pessoas que jamais sonhariam em oportunidades parecidas.

Orquestra dos MeninosVoltando ao filme em si, há falhas técnicas diversas. O roteiro não é tão bem amarrado, oscilando por vezes, em um melodrama caricatural, tornando o drama menos denso do que poderia. Muitas cenas soam de forma artificial e algumas interpretações ficam aquém do esperado. Peca ainda, no final, ao colocar um noticiário e depoimentos de Ivan Lins e Geraldo Azevedo em uma tentativa sem sentido de mostrar que aquilo é real. Porém, há uma coerência e uma sensibilidade em mostrar a história de vida daqueles meninos sofridos, a forma como eles vão aprendendo a tocar os instrumentos, a dedicação e o amor a música, as primeiras apresentações. É possível se envolver e se emocionar com várias cenas. Destaque para a apresentação em frente à prefeitura após a confusão.

Murilo Rosa está muito bem no papel principal e Priscila Fantin também convence em sua atuação se esquecermos que é a atriz global conhecida. O rótulo é tão forte que, por vezes, fica impossível comprar a idéia de que ela é uma adolescente nordestina, semi-analfabeta. De qualquer maneira é uma história de inspiração. Filmes assim deveriam estar sendo feitos em maior escala. Em vez de incentivar a população a reclamar e sofrer com situações de miséria, mostrar bons exemplos de caminhos e possibilidades para ir além e vencer na vida. Por que não?


4 opiniões:

Rodrigo Nogueira disse...

É uma história que deve ser conhecida, pena a produção ter sido tão amadora.
Priscila Fantim esteve péssima e Murilo Rosa se salva pelo carisma.
Remake já! Esse merece um cuidado melhor!
Post legal!
Também escrevi uma resenha sore esse filme lá no meu blog.

Abç!

15 de março de 2010 09:27
Robin disse...

Gostei do filme, mas não gostei também da interpretação de Priscila Fantim.

bjs

16 de março de 2010 11:58
Amanda Aouad disse...

Não achei a interpretação de Fantim tão ruim quanto vocês meninos, acho que a questão é como eu falei, o rótulo. Difícil entrar no jogo, teria que ser uma excelente atriz para se despir assim, como Fernanda Montenegro em Central do Brasil, por exemplo. Ou Glória Pires como Dona Lindu.

16 de março de 2010 12:15
Anônimo disse...

[I]Eu adorei a atuação da Fantin, acho que ela conseguiu exorcizar de vez a india Serena de Alma Gêmea e mostrou versatilidade no filme, em relação ao rótulo é complicado mas depende de quem ver tmb, quando vou assistir algo como uma atriz famosa como a Priscila Fantin não fico pensando por exemplo olha a Serena, pois aquele é um novo personagem e tiro minhas conclusões no que esse artista mostrará alí, naquele personagem e foi aí que adorei a Creusa da Priscila e ela me convenceu muito no filme, mais do que o Murilo que as vezes que peca feio em algumas cenas. é um filme legal no geral vale a pena assistir!

15 de dezembro de 2010 23:05

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