28/05/2010
Tinha que ser você
Há argumentos em que é necessário coragem para explorar aquilo que a história pede de fato. Tinha que ser você é um desses filmes, uma pena que o diretor e roteirista Joel Hopkins não teve a mesma coragem de Richard Linklater (Antes do Amanhecer e Depois do Pôr do Sol). A história se resume no encontro de duas pessoas, sua troca de experiências, diálogos, desfecho. Simples assim. Ainda mais tendo nas mãos dois grandes atores como Dustin Hoffman e Emma Thompson. Nada mais era preciso para um filme fenomenal. O problema é que Hopkins acha que isso não é o suficiente e acaba construindo uma montagem que insiste em sair desse enquadramento, explorando subtramas sem graça, fazendo ceninhas clichês de troca de roupa, a la Uma linda mulher, e passeios no parque com trilha sonora cafona.
Harvey e Kate são duas pessoas maduras e frustradas. Ele, um músico de jazz frustrado que trabalha criando jingles. Ela, uma funcionária de um centro de pesquisas de um aeroporto em Londres. Separado, Harvey vai a capital inglesa para o casamento de sua filha, mas descobre lá que não faz mais parte da família, a ponto da moça preferir que o padrasto a conduza ao altar. Solteirona, Kate tem que atender ao telefone de dois em dois minutos para consolar a mãe igualmente solitária e superprotetora, além de suportar suas colegas de trabalho tentando lhe conseguir um namorado a todo custo.

A primeira parte do filme é a apresentação desses dois personagens e seus dramas, em uma montagem em paralelo até interessante, mas clássica demais. Fico imaginando se não seria melhor ir direto ao ponto. Se o filme começasse naquele bar do aeroporto, onde o casal se conhece e começa o flerte. A partir da conversa e gestos, iríamos conhecendo suas histórias e nos apaixonando junto com eles. Porque a melhor coisa do filme é quando os dois estão juntos permitindo que Hoffman e Thompson possam expor todo o seu talento, nos encantando com cada frame.
O problema é que depois que eles se encontram, não podemos ficar ali, observando o desenlace da história. A toda hora somos interrompidos por exemplo por uma mãe "chata" com medo de seu vizinho churrasqueiro. Ou por um incidente sem muito nexo do protagonista que só aumenta o clichê. Ou pior ainda, pela sequência insana de Kate experimentando roupas esdrúxulas para ir ao casamento da filha de Harvey. Fiquei até esperando o fundo musical com os acordes iniciais de "Pretty Woman". Sinceramente, não dá para entender aquilo. Da mesma forma que não dá para entender a cena em que os dois saem da festa para ele tocar piano. Sim, eles precisavam ter momentos de intimidade. Só que Hopkins tinha 90 minutos para isso e preferiu privilegiar outras bobagens, ali ficou deslocado, forçado mesmo.
No geral, Tinha que ser você é um filme que poderia ter sido. Ainda assim, é muito bom de assistir pela interpretação dos dois atores e pela força do argumento. A gente se apaixona sem nem perceber o porquê. E é tão bom ver Emma Thompson em um papel digno de seu talento que todo o resto vira supérfluo.







































9 opiniões:
Dois ótimos atores, mas falaram tão mal da história que ainda não tive coragem de ver...
28 de maio de 2010 09:51Abração!
Eu lembro de ano passado passar todos os dias em frente de um cinema e por muito tempo estar o cartaz deste filme, mas não fiquei com vontade de ver... a história pelo seu post não parece ser tão ruim quanto imaginava...
28 de maio de 2010 19:48Hum, não pensava que o filme tinha esses problemas citados no seu texto. Mesmo assim, acho que é uma obra que vale a pena ser vista, especialmente por causa da dupla de atores centrais.
28 de maio de 2010 20:17Rodrigo, os atores são excelentes e a base do filme, a história não é ruim, mas forma como foi construída. Ainda assim, é um filme a ser visto.
29 de maio de 2010 11:35Pois é. Fernando. A história não é ruim, algumas escolhas de direção e edição é que são.
Concordo, Kamila. O filme vale muito por Dustin Hoffman e Emma Thompson.
abraços
É uma bela dupla. Certamente faz valer a pena. Mesmo tendo outras opções interessantes por aí, creio que é uma boa reservar um tempo pra este filme
30 de maio de 2010 12:11abs!
É realmente um filme de atores. Não obstante, os dois receberam nomeações ao Globo de ouro...
31 de maio de 2010 11:43bjs
Engraçado, pelo trailer eu já senti algumas 'coisas' ditas em seu texto...o clichê é evidente...acho que a direção também pode ter sido um tanto insegura, não só o roteiro...
31 de maio de 2010 12:19Mas, bem verdade, um filme não só sobrevive ao time de bons atores. E este confirma isso, plenamente, pelo visto.
Eu não vi, mas já baixei e verei em breve, sem muita pressa. Apesar de gostar muito de Hoffman e Thompson.
Beijos
Hum... a história realmente não parece ser das mais inovadoras, mas acho que vale só pela dupla de atores principais, né? Mesmo que você tenha lembrado da cena de Uma Linda Mulher, Amanda, não tem como comparar Julia a Emma!
31 de maio de 2010 14:29Com certeza, Will.
31 de maio de 2010 16:28Pois é, Reinaldo. E que dois atores, heim?
Sim, Cris, a insegurança na direção é clara. Parece que ele quis se cercar de tudo e fez uma lambança. Mas, é sempre bom ver.
Larissa, longe de mim comprar Emma a Julia, claro. Mas, a sequência é muito boba, ela provando várias roupas esquisitas para escolher uma para o casamento, e isso porque estavam com pressa, viu? hehe. E vale sim, pelos dois.
bjs
Postar um comentário