26/06/2010

Grandes Cenas: Perfume de Mulher

Al Pacino e Gabrielle AnwarPor mais que eu tente, sempre acabo preferindo cenas musicais para esta sessão do blog. A música é mesmo um motor importante da obra cinematográfica e parece que fica em nossa memória por mais tempo, sendo capaz de nos fazer viajar no tempo e espaço. Ao lembrar do filme Perfume de Mulher, duas cenas vem à minha mente: o discurso final de Al Pacino e esta cena escolhida. O discurso é belo, mas a força está nas palavras e não deixa de ser um spoiler enorme. Esta cena é mais emblemática e gostosa de rever sempre.

Para quem não conhece a história, o tenente-coronel Frank Slade, vivido de forma magistral por Al Pacino, quer viver intensamente um último fim-de-semana em Nova York antes de se matar. Cego, o militar tão ranzinza não vê mais sentido na vida e contrata um jovem, vivido por Chris O'Donnell, para lhe acompanhar nessa jornada. Por sua deficiência visual, o personagem distingue o aroma feminino com grande precisão, o que dá o nome ao filme. Nesta cena escolhida, os dois estão em um restaurante, quando Pacino percebe a presença de uma bela mulher. Ao se aproximar e conversar um pouco, resolve chamá-la para dançar. A aula de tango, interpretação e cinema que se segue é mesmo inesquecível.

Perfume de MulherOs movimentos de câmera não são muitos, apenas um acerto ou outro em busca do casal. Os planos geral e médio, com plano e contra-plano se alternam para passar toda a evolução da dança e o ambiente. Cortando por vezes para Chris O'Donnell, sorrindo encantado. Mas, apesar de no tango o principal ser os pés, eles são focados apenas uma vez. O importante nessa cena específica é o close no rosto do personagem. A interpretação de Al Pacino conseguindo passar o olhar perdido de um deficiente visual, mas ao mesmo tempo repleto de emoção e carga dramática é esplêndido.

A música escolhida é um detalhe à parte. "Por una cabeza" de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera fala de um apostador de cavalos que compara seu vício com a paixão por mulheres e o fato de estar entregue a ambos. O militar viciado em ordem que cai nos braços daquela bela dama e a conduz pelo salão pode ser uma boa metáfora. A música caiu em domínio público após os cinquenta anos de morte dos autores, por isso é usada com tanta frequência atualmente.

Viajamos ao som da música, com a diversão dos dois, os passos bem feitos ou improvisados. A brincadeira é ousar e ir além na evolução da música. Todo o significado que aquela cena carrega consigo. Tudo passado em dois minutos e meio. É a mágica que só a música e o cinema são capazes de fazer. E por isso é tão marcante e bela. Vale a pena rever, sempre.


12 opiniões:

Rodrigo Carreiro disse...

Realmente uma cena histórica. Muito bela.

26 de junho de 2010 11:19
amigoZen disse...

Concordo plenamente... cena fantástica e marcante. Adoro quando o cinema usa o poder da dança pra nos hipnotizar. Bravo, bravíssimo!

26 de junho de 2010 11:59
Vinícius P. disse...

Nem considero "Perfurme de Mulher" um grande filme, mas essa cena é realmente memorável (e, claro, "Por una Cabeza" é uma obra-prima!).

26 de junho de 2010 13:28
Amanda Aouad disse...

Pois é, Rodrigo e Amigo Zen, é muito linda mesmo.

Vinícius, não é um grande filme, mas é um bom filme, principalmente por Al Pacino.

bjs

26 de junho de 2010 16:35
Kamila disse...

Não gosto desse filme, mas esta cena é muito marcante. Ótima escolha!

26 de junho de 2010 17:42
Cristiano Contreiras disse...

Eu gosto do filme, ainda que não seja, de fato, uma graaaande obra...mas, a densidade da composição de Pacino(como sempre, rs..ele até num filme qualquer de ação se mostra soberbo, convenhamos, rs) torna o filme mais digno, mais emocionante e melhor. A cena, muito bem lembrada, Amanda, é realmente inesquecível!

Beijo

Ps: Gostaria de pedir pra você comentar uma cena do filme "Carne Tremula", se quiser pode dedicar a mim! haauhauaha

A cena é aquela que o personagem de Francesca Neri(Elena) transa com Liberto Rabal (Victor Plaza)...não sei se viu o filme, mas se souber qual cena é, por favor, poste aqui...é uma belíssima cena.

Aqui o link da cena, talvez vendo essa imagem você identifique:

http://wickedtwins.files.wordpress.com/2009/07/carnetremula63.jpg

(que desafio te propus, mas, aí está o pedido! hehehe)

27 de junho de 2010 02:21
Amanda Aouad disse...

É mesmo, Kamila? Eu gosto, acho o início meio massante, mas vai melhorando a medida que o humor de Al Pacino vai amolecendo e o final acho bem emocionante com o discurso dele no julgamento. Começa com uma mensagem ruim e termina com uma lição de vida.

Cris, sou da mesma opinião. Não é fantástico, mas acho um bom filme.

Quanto a Carne Trêmula, vou pensar no caso. A única vez que falei de uma cena de Almodóvar tive que desativar a conta no youtube, hehe, porque a produtora de Fale com ela, denunciou o perfil como uso indevido. Então, dependo de cenas que encontro no youtube ou então, ela fica só na imaginação. Mas, vou dar uma olhada, mas ai ai ai, viu? Você escolhe cada uma...

27 de junho de 2010 11:25
Emmanuela disse...

Esta cena é realmente memorável e merece destaque entre o filme, Al Pacino como sempre está formidável interpretando um deficiente visual da forma mais convincente possível. "Por una Cabeza" proporcionou a emoção necessária em conjunto com os dançarinos que bailam com brilhantismo. Cena que vale a pena rever.

cinemapelaarte.blogspot.com

27 de junho de 2010 15:13
Reinaldo Glioche disse...

De fato uma cena memorável. Um filme com dois moemntos, como vc bem disse, antológicos. Mas essa cena do tango é qualquer coisa de fora de série. É transcendental.
bjs

28 de junho de 2010 14:18
Amanda Aouad disse...

Com certeza, Emmanuela.

Verdade, Reinaldo. A equipe inteira estava inspirada.

bjs

28 de junho de 2010 18:50
luzcameraredacao.com disse...

Bela análise... escrevi sobre esse filme no blog, e concordo com a linha "Bom filme, não excepcional, mas o Pacino faz a diferença". Também gostei bastante dessa cena. É interessante também o papel que ela representa lá na frente - a frase "Quando você se atrapalha no tango, continua dançando" (ou algo do tipo) é dita em um momento importante. Gosto também da efemeridade dela. Consegue, mesmo sendo isolada narrativamente do resto da trama, ser uma cena chave por tudo que passa para o espectador sobre Frank e Charlie.

11 de maio de 2011 14:13
Amanda Aouad disse...

Realmente, Bruno, ela diz muito mesmo. E sim, Al Pacino faz a diferença.

11 de maio de 2011 20:56

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