27/07/2010
Ponto de vista
Lançado em 2008, o filme de Pete Travis pode ser excelente se você consegue passar por cima do egocentrismo norte-americano que se coloca sempre como salvador da humanidade. Porque é engraçado um filme ser chamado de Ponto de Vista e no final ficarmos com a mesma visão de sempre: os americanos são os heróis bonzinhos e o terrorismo é a praga mundial a ser combatida. De qualquer forma, chama a atenção o formato criado pelo roteirista Barry Levy que constrói um bom produto de equipe entre roteiro, direção e montagem nos levando por um filme de ação e suspense muito interessante.
A premissa parece simples e a história tem meia hora de duração, se muito. Em Salamanca, na Espanha, o presidente dos Estados Unidos participará de uma conferência mundial sobre o combate ao terrorismo onde assinará um acordo histórico. Acontece um atentado e o presidente é baleado. Agora, o filme é construído a partir dos pontos de vista de alguns personagens espalhados pelo local, começando pela sala de edição do jornalismo de uma televisão americana, passando pelo segurança, um turista no meio da multidão, os terroristas e o próprio presidente. Sempre que um ponto de vista começa, há um efeito de fita rebobinando e voltamos ao ponto inicial às 11:59 da manhã. Cada ponto de vista revela algo a mais até que toda a história é exposta.
Eu que sempre pego no pé das traduções brasileiras, devo elogiar o título desse longametragem, afinal, mais direto impossível. O título traduz exatamente o que é o filme a ser visto. Não que o título original seja ruim, o problema é que Vantage Point seria pouco entendível para o público brasileiro. Ponto de vantagem, em tradução literal, é o termo para se referir a um jogador de tênis que estava empatado e ao fazer mais um ponto leva o game. Ou seja, a pessoa está quase lá. E não deixa de ser uma analogia interessante, já que todos os personagens do filmes estão quase lá. O agente está quase descobrindo o autor do atentado, o terrorista está quase dando uma lição nos Estados Unidos, a repórter está quase concluindo sua cobertura, o turista está quase se tornando o herói do dia.
O elenco estrelar vai de Sigourney Weaver, a chefe da ilha de edição, passando por William Hurt como o presidente Ashton, Dennis Quaid na pele do traumatizado agente Thomas Barnes, Forest Whitaker vivendo um turista americano de férias, até o "Lostie" Matthew Fox como outro agente. Há ainda nomes como Edgar Ramirez, Saïd Taghmaoui, Bruce McGill ou Zoe Saldaña (a bela avatar). Todos cumprindo bem o seu papel e ajudando no tom de mistério e revelações progressivas.

O suspense é muito bem construído. Imagine o plot inicial ser feito através do que pode ser captado por câmeras dentro de uma ilha de edição móvel? E aos poucos, a situação ir sendo revelada, a partir do que cada pessoa distinta viu ou provocou? É uma montagem ágil e um roteiro que constrói a passagem de um ponto de vista ao outro, arquitetando cada detalhe e ainda nos surpreendendo no final. Ponto de Vista é um belo exemplar de que a velha fórmula ainda pode ser reinventada.










































8 opiniões:
Concordo que a premissa é interessante, mas quando executada cai em um grande problema: a repetição. Como a história é bem curta (uns 30 minutos, no máximo, como você disse) e o filme é composto pela mesma situação filmada de formas diferentes, chega um ponto onde tudo fica muito repetitivo, tornando o filme chato. Isso mais a grande carga ideológica engolem os poucos pontos positivos do filme.
27 de julho de 2010 10:51Abraço!
Taí um eficiente suspense. Confesso que esperava mais. Quando o projeto foi anunciado esperava um grande filme. Assisti no cinema e não pude evitar um certo desapontamento. Mas como você disse, é uma demonstração eloquente de como os recursos cinematográficos ainda não estão esgotados.
27 de julho de 2010 11:13bj
Ah, Mateus, eu não achei monótono, concordo que depois do terceiro retorno, fica um pouco repetitivo, mas aí, eles inovam com o ponto de vista triplo (dos terroristas) e dão novos detalhes com o ponto de vista do presidente. Eu gostei, só achei a carga ideológica complicada, que se não abstraída, como falei no início, compromete mesmo a fruição do filme.
27 de julho de 2010 11:17Isso mesmo, Reinaldo, acho que o suspense é eficiente e dá margem a novas formas de usar os recursos cinematográficos. Por isso ficou interessante, ao ver o trailer também esperava mais. Só que o resultado me convenceu.
Amanda concordo plenamente com tudo q vc escreveu. Aliás, na época de exibição achei este filme mto subestimado. É uma obra superinterresante, com grande elenco, e uma trama mto envolvente. Tb em nenhum momento o achei monotono, pelo contrário, já que ansia de descobrir o autor do atentado só aumenta com o decorrer dos minutos. Pena q o final apelou um pouco para os clichês do gênero, mas num todo, é uma ótima obra. Vale mto a pena assistir. Grande abraço.
27 de julho de 2010 16:22Mesmo que o uso de uma velha fórmula seja interessante, acho que o filme falhou em manter a expectativa. Lá pela metade já tinha perdido o interesse.
27 de julho de 2010 16:54É um filme bonzinho realmente, divertido. Vi no cinema na época e valeu o ingresso e a pipoca :P
27 de julho de 2010 20:20A estrutura narrativa deste filme é muito interessante e o exercício de edição feito no longa é muito bom, mas acho que a história se perde um pouco em seu ato final, perdendo um tanto do impacto que poderia causar na gente.
27 de julho de 2010 20:49Pois é, Thiago, somos dois, hehe.
27 de julho de 2010 23:00Vinícius, eu não perdi o interesse, apenas achei o final "americano" demais.
Vale, Márcio, hehe.
Kamila, foi isso que me conquistou. Eu não resisto a boas técnicas de roteiro e montagem, não tem jeito, hehe.
abraços
Postar um comentário