22/08/2010

Wall Street

Michael DouglasEm 1987, Oliver Stone nos brindou com um filme sobre os bastidores do mundo econômico de Wall Street. Ainda não tínhamos Advogado do Diabo ou O Diabo Veste Prada, então, este foi o melhor exemplar da lógica capitalista, quase sempre cruel e sem escrúpulos. “Greed is Good”, definiu o personagem de Michael Douglas ("A ganância é boa", em tradução literal). Como em breve, o mesmo diretor e o mesmo ator voltam a tela com a continuação desse clássico, resolvi resgatá-lo aqui.

"O dinheiro nunca dorme" é o subtítulo da continuação, tirado de outra frase de Gordon Gekko no primeiro filme e que define bem a história que Oliver Stone e o roteirista Stanley Weiser criaram. Bud Fox, em um belo trabalho de Charlie Sheen, é um jovem corretor de ações que quer subir na vida. Para isso, se aproxima do empresário Gordon Gekko, um homem que vive do jogo pesado em ações. Para impressioná-lo, Fox aceita seguir por caminhos escusos da espionagem industrial, arriscando não apenas sua carreira como também sua consciência.

Charlie SheenO filme é uma construção rara que consegue envolver mesmo aqueles que não entendem absolutamente nada de ações e das regras de Wall Street. O jogo maior é da ética, a vida e o sistema em que vivemos. A ponto de nos fazer vibrar com aqueles números verdes subindo ou descendo. O dinheiro é o objetivo, não importa o que você faz, nem como faz. Acumular é a regra do jogo, vencer por cada centavo. A Bíblia de Gekko é A Arte da Guerra de Sun Tzu. Com este aprendizado, ele encara o mercado econômico e passa suas regras para Fox. Em dado momento, o rapaz sufocado pela ganância pergunta: O que é o bastante? Quantos iates ainda quer comprar? Gekko não responde, pois não há um limite. Quanto mais se tem, mais se quer e mais difícil é viver sem o dinheiro.

A atuação de Michael Douglas é magistral, não por acaso ele ganhou o Oscar por esse papel. Gordon Gekko é aquele homem frio, sem escrúpulos, que não vacila em seus objetivos. Não tem pena de passar por cima nem da própria mãe. Pela insistência e ousadia de Fox, ele resolve ajudar o rapaz a entrar em seu mundo, mas nem por isso irá passar a mão em sua cabeça. Ele não sabe o que são sentimentos, não tem ilusão em nenhum relacionamento. Provavelmente só vê cifras à sua frente. Isso torna o jogo mais instigante, pois parece impossível dobrá-lo.

Cartaz Wall StreetA direção de Oliver Stone é um primor. Ele brinca com os enquadramentos e com as metáforas. Tem uma cena linda, quando as ações de determinada empresa caem e Fox está desolado olhando os números. A câmera para na mesa de computador a sua frente, e enquadra um bonequinho ensanguentado, tendo o personagem ao fundo, com a mão no queixo. A subjetiva de Fox quando ele começa a espionar empresas também é bastante feliz, dando algum suspense e só revelando o personagem quando ele é visto por outros. São esses detalhes que fazem o diretor nos contar uma história instigante. A trilha sonora também é muito boa e ainda tem um brinde para os brasileiros ao ouvir os acordes de Tom Jobim na casa de Gekko.

Pode não ser uma obra-prima como Platoon, mas Wall Street - Poder e Cobiça é um belo exemplar de filmes sobre o mundo empresarial, o capitalismo selvagem e a forma como as pessoas esquecem seus valores em nome de bens tão frívolos como o dinheiro e o poder. Após revê-lo, começo a ficar ansiosa pela continuação, até pela razão do próprio diretor que disse ter resolvido fazer esse filme, porque, infelizmente, a realidade da bolsa de valores não mudou. Esperemos 24 de setembro.


8 opiniões:

Caio Costa disse...

Vc me fez lembrar que tenho que baixar esse filme. O trailer da continuação está fantástico e acredito que Douglas será indicado novamente no próximo ano (isso só por causa do trailer, hehehe)

22 de agosto de 2010 11:46
Reinaldo Glioche disse...

Junto com A origem, A rede social e Black swan, a continuação desse filme formava o time dos prinicpais filmes de 2010 para mim. Aqueles que eu mais ansiava. Money never sleeps deve, no minimo, ser tão bom quanto esse Wall street. O pessoal em Cannes gostou.
Esse filme é genial e não envelhece. Influenciou a forma como Hollywood enquadra o capitalismo e o comportamento de yuppies de verdade. Enfim, uma antologia.
Esperemos 24 de setembro.
bjs

22 de agosto de 2010 13:37
Amanda Aouad disse...

hehe, o trailer é bom mesmo, Caio, mas eu prefiro esperar para não criar tanta expectativa. Atualmente, muita coisa tem me decepcionado. Mas, o filme tem tudo para ser bom.

Reinaldo, é de se esperar mesmo, até por ser a continuação de um clássico, com o mesmo diretor e o mesmo ator. Espero que mantenha o nível. Vamos ver.

bjs

22 de agosto de 2010 14:24
Kamila disse...

Este é um bom filme do Oliver Stone, quando ele ainda estava fazendo algo que prestava. rsrsrsrsrsrrsrrs

Agora, confesso que tenho dúvidas a respeito do novo filme que ele prepara sobre "Wall Street" e que deve ser lançado em breve por aqui.

22 de agosto de 2010 18:34
Cristiano Contreiras disse...

Momento vergonha: Ainda não assisti esse filme, pode?

23 de agosto de 2010 01:05
Rodrigo Mendes disse...

Falar de dinheiro é sempre interessante, afinal quem não gosta de dinheiro?

É um dos meu favoritos do Oliver Stone junto com JFK e Assassinos Por Natureza. Espero ansioso pela continuação que também irá trazer um novo tipo de filme para o Shia Labeouf. Espero que o Michael Douglas se recupere logo do seu tumor na garganta. Gosto muito deste ator e o personagem Gekko é um dos mais bem escritos.

Bjs!
Rodrigo

23 de agosto de 2010 13:11
Amanda Aouad disse...

Sempre é tempo, Cris...

Rodrigo, pois é, de dinheiro a gente gosta, mas sem tornar o único objetivo de vida. Já da filmografia do diretor eu prefiro Platoon. E vamos torcer sim, por Michael Douglas, a perda de sua voz seria uma grande perda para o cinema.

bjs

23 de agosto de 2010 13:23
Fernando disse...

Este filme não poderia ter outro diretor senão Oliver Stone...um belo modo de contar como o sistema capitalista pode ser perverso e mesquinho. Quero muito ver esse novo trabalho dele!

24 de agosto de 2010 21:41

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