22/09/2010
Presságio
Que tal misturar Sinais com Os Esquecidos? E destruir o planeta em mais uma obra cinematográfica? Estamos vivendo em pleno Apocalipse segundo profecias diversas. É natural, então, que Hollywood abuse dessas referências. São diversos filmes destruindo o mundo seja por catástrofes naturais, epidemias ou invasões alienígenas. Em 2009, Alex Proyas retoma a atmosfera sombria de Cidade das Sombras em Presságio, mas só consegue um filme regular, principalmente pelo desenvolvimento do roteiro que possui alguns furos e vários clichês.
Nos anos 50, uma escola comemora aniversário com uma ideia de sua excêntrica aluna, Lucinda Embry. Uma "cápsula do tempo" com desenhos infantis sobre o futuro é enterrada com a instrução de só ser aberta 50 anos depois. Acontece que a dona da ideia não fez nenhum desenho com naves espaciais, nem arquitetura futurista. Seu papel continha apenas uma sequência estranha de números que vai ser encontrada por um astrofísico de nome John Koestler e seu filho Caleb. Koestler percebe que os números são previsões de grandes acidentes da história da humanidade nos últimos anos, como o 11 de Setembro, dando inclusive o número de mortos. E que três novas catástrofes estão prestes a acontecer.
Qualquer coisa que eu diga a partir daqui será um spoiler imenso, aliás a sinopse já é um pouco, mas também analisar sem dizer nada é um exercício quase fútil. Fiquemos, então, no meio termo. O roteiro escrito por Ryne Douglas Pearson, Juliet Snowden e Stiles Whit tenta criar um suspense que é eficiente até o momento da revelação do que são todos os números, a partir daí muita coisa desanda, principalmente no que diz respeito a atitude de Koestler. A entrada de outros personagens na história a levam por um caminho estranho que tende ao melodrama familiar. Além, claro, dos quatro cavaleiros do apocalípse e o mistério que os envolve. Esse eu não acho ruim em si, apenas a forma como é revelado o segredo que o torna fraco.
Aliás, pouca coisa faz realmente sentido no filme. Por que a cápsula? Qual o símbolo científico de desenterrar desenhos infantis depois de cinquenta anos? Uma diversão para as crianças, sim. Mas, por que uma menina que prevê o futuro iria sugerir isso? Por que os números só deveriam ser descobertos cinquenta anos depois? Se todos os desastres iriam de fato acontecer e se o que está por vir é ainda maior e sem solução, a profecia só serve para deixar todos tensos. Ou não?
Nicolas Cage é aquele ator de uma cara só, sofredor. Mas como o astrofísico, consegue passar alguma verdade. Ele é viúvo, cético e ama o filho acima de tudo. Sua trajetória é coerente e não torna nem um pouco absurda a atitude final. Aliás, a última sequência do filme ao som da Sétima Sinfonia de Beethoven é emocionante, uma poesia. Apesar de muitos acharem melodramática demais. As crianças, estão bem, também. Já Rose Byrne, apesar da intensidade, constrói uma Diana chata, não dá para torcer por ela.
Se na primeira parte da projeção, Presságio instiga. Nas duas seguintes torna-se confuso, ambíguo e se perde em seu final, apesar da beleza plástica de algumas cenas. A ideia de predestinação torna todas as atitudes do ser humano tão inúteis que nem mesmo valeria estar aqui, lutando por dias melhores. Ainda assim é um filme com momentos instigantes que o fazem ser visto.










































13 opiniões:
Um bom entretenimento como vc disse. Com falhas e um Nicolas Cage pouco expressivo, mas, ainda assim, com saldo positivo.
22 de setembro de 2010 11:05bjs
muito bom o filme.
22 de setembro de 2010 14:58Poxa qnd soube q Proyas dirigiu este filme até me surpreendi. Não o assisti, mas já esperava algo do gênero. Curioso q recenetemente tb escrevi um texto falando sobre O livro de eli, e como Hollywood havia melhorando em fazer filmes sobre o apocalipse. Pelo visto, Presságio não seguiu esta linha. Grande abraço.
22 de setembro de 2010 17:06Obs: Cidade das Sombras é bem interessante...
É, Reinaldo, não achei o saldo tão positivo assim, hehe, mas a balança pende para ele.
22 de setembro de 2010 21:43LolTuGaol, não achei tão bom assim, mas respeito sua opinião.
Thiago, Cidade das Sombras é interessante mesmo, e nesse filme ele se aproxima do resultado muitas vezes, mas noutras deu uma certa escorregada, ainda assim, é interessante ver um filme catastrófe que procura outros caminhos que não simplesmente a destruição e correria.
bjs
Amanda, sabe que eu gosto do filme! Como entretenimento dentro do gênero catástrofe acho que cumpre muito de sua proposta, embora muitas coisas que você tenha citado realmente não fazem sentido. Mas eu gosto mesmo é da cena da queda do avião, filmada em plano-sequência.
23 de setembro de 2010 01:28Verdade, Rafael, a cena do avião é muito boa, esqueci de citá-la. A queda em si, cortando a pista, ele atordoado no meio das vítimas. São momentos assim que me fizeram não achar o filme ruim.
23 de setembro de 2010 10:25Um ótimo filme catástrofe... Pelo menos bem melhor do que 2012!
25 de setembro de 2010 13:29Li uma crítica que comparava esse filme a outros dois, Monty Python e Arquivo X, haha. Adoro os dois, mas acho que se parecer com eles não era bem a intenção dos produtores do filme.
25 de setembro de 2010 20:46Gosto muito de Nicolas Cage (não o acho um ator de uma única expressão), mas confesso que ele mantém uma irregularidade incrível no que diz respeito aos filmes dos quais participa.
Ótima não diria, Guto, mas com certeza melhor que 2012, mas isso, não é difícil, né? hehe.
25 de setembro de 2010 21:20Pode ser também, Mateus, hehe, mas, com certeza, eles não queriam parecer. Quanto a Cage, Eu gostava dele, na época de Coração Selvagem, Cidade dos Anjos, mas aí fui começando a achar tudo tão parecido na expressão dele que cansou.
Você resumiu bem, o filme começa instigante mas é quando as coisas começam a desenrolar que vai tudo por água abaixo.
26 de setembro de 2010 10:42Para mim foi um dos piores filmes do ano
Pois é, Márcio.
26 de setembro de 2010 15:35Sou um dos poucos que curte este filme. Gostei muito mesmo, ainda que o roteiro seja apenas razoável. A direção de Proyas garante momentos sensacionais.
27 de setembro de 2010 19:42É, Wally, eu não fiquei fã dele não...
27 de setembro de 2010 19:59Postar um comentário