04/10/2010
A volta de Arnaldo Jabor
O Festival do Rio desse ano trouxe, em sua abertura, a volta de Arnaldo Jabor aos cinemas. A Suprema Felicidade chega aos cinemas após vinte anos de dedicação ao jornalismo. O cineasta interrompeu a carreira de cineasta em 1990 depois de Amor à Primeira Vista, "graças" ao governo Collor e o fim do incentivo ao cinema nacional. Quem via a voz crítica na Rede Globo pode não conhecer sua trajetória, mas Jabor dirigiu clássicos do cinema brasileiro como o documentário A Opinião Pública, de 1967, ou as ficções Toda Nudez Será Castigada, de 1973 e O Casamento, de 1975, que foram inspirados na obra de Nelson Rodrigues.
Arnaldo Jabor fez parte do Cinema Novo onde começou como técnico de som de Ganga Zumba, de Carlos Diegues, e Maioria Absoluta, de Leon Hirszman, entre outros filmes. A primeira investida na direção foi com o curta-metragem O Circo. O seu primeiro longa-metragem foi A Opinião Pública. As entrevistas que buscavam traçar o perfil da classe média brasileira foi muito bem aceito, abrindo espaço para novas investidas que lhe deram sucessos de público e de crítica, com vários prêmios nacionais e internacionais. Toda Nudez Será Castigada é considerada até hoje a melhor adaptação de Nelson Rodrigues para o cinema.
A Suprema Felicidade pelo que já foi dito ou escrito não parece uma obra-prima, nem traz inovações marcantes. É um filme para emocionar. Segundo a sinopse, em busca da suprema felicidade, Paulo descobre a amizade, o amor e o sexo na mágica cidade do Rio de Janeiro dos anos 50 e 60. O próprio Jabor declarou o que o motivou a voltar a filmar:
"Quando comecei a escrever o roteiro, de 2006 para 2007, eu estava há 17 anos sem filmar. O cinema brasileiro acabou em 90, ficou tudo um caos, eu tinha família para sustentar e fui trabalhar como jornalista. Adorei fazer jornal e TV, mas nos últimos anos, passei a sentir saudades de cinema. Só escrever e falar de política no Brasil envenena a alma, você tem que prestar tanta atenção no erro que comecei a sentir saudade da arte, do mistério da arte . Então decidi voltar a filmar apenas pelo prazer poético de fazer."
O filme conta com um elenco repleto de estrelas de cinema e televisão como Marco Nanini, Dan Stulbach, Maria Flor, Elke Maravilha, Ary Fontoura, João Miguel, Emiliano Queiroz, Camilla Amado, Tammy Di Calafiori. O personagem principal é interpretado por três atores: Jayme Matarazzo, em sua estreia no cinema, vive Paulo na juventude, Michel Joelsas, o menino de O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, é o Paulo adolescente, e Caio Manhente, o menino.A Suprema Felicidade estreia em todo o país em 29 de outubro de 2010, mas já vem gerando expectativas desde o anúncio pelo marco da volta de um bom diretor, que após tantos anos como crítico, deve ter preparado algo, no mínimo, bem realizado.

(longas-metragens):
A Opinião Pública (1967)
Pindorama (1970)
Toda Nudez Será Castigada (1973)
O Casamento (1975)
Tudo Bem (1978)
Eu Te Amo (1981)
Eu Sei Que Vou te Amar (1986)
Amor à Primeira Vista (1990)










































6 opiniões:
Olá Amanda,
4 de outubro de 2010 17:27Espero que este novo trabalho seja bom, porque vejo Jabor com um daqueles cineastas que fizeram carreira na pior época do cinema brasileiro em qualidade, os anos setenta e oitenta.
Dos filmes que ele dirigiu, assisti apenas ao chato "Eu Sei que Vou te Amar".
Até mais
Nossa, não vi nenhum filme da carreira de Arnaldo Jabor, preciso reparar este 'erro', hehehehe.
4 de outubro de 2010 18:04Já o novo filme dele, espero conseguir ver no cinema!
Nem tanto, Hugo, os anos 70 ainda tem muita coisa interessante. Gosto muito de A Opinião Pública, ele consegue uns depoimentos ótimos e constrói algumas situações como entrevistar uma mulher enquanto o filho caçula dá um chilique, é um retrato interessante. Toda Nudez Será Castigada também é um belo filme.
4 de outubro de 2010 20:00Alan, dá tempo, eu também só conheci a cinematografia dele há dois anos.
abraços
Conheço pouco do Arnaldo Jabor, mas sei da importância dele pro cinema brasileiro. Agora, confesso que, apesar de já ter visto bastante o trailer de "A Suprema Felicidade", o filme ainda não despertou a minha atenção!
4 de outubro de 2010 20:34Belo painel Amanda. Francamente, nãoacho Jabor um grande cineasta. Adoro o cronista, mas o cineasta deixava a desejar... contudo, confesso que estou ansiossísimo por A suprema felicidade. Interessante observar como o olhar de jornalista contagiou o cineasta. Estou na expectativa...
4 de outubro de 2010 23:39Beijos
Eu fiquei curiosa, Kamila, as imagens parecem bonitas, envolventes. Quero conferir.
5 de outubro de 2010 08:42Reinaldo, Grande cineasta seria muito mesmo, mas um importante cineasta para o Brasil. E pois é, quero ver o que ele traz depois de tanto tempo.
bjs
Postar um comentário