30/11/2010

Estrada para Perdição

Tom HanksQuando pensamos em um filme de Gângster, a trilogia imortalizada por Coppola é a melhor referência. Talvez até por isso, Sam Mendes tenha dado a seu protagonista o nome Michael, só que dessa vez Sullivan e não Corleone. Baseado na série japonesa em mangá "Kozure Okami", de Kazuo Koike e Kojima, o diretor de Beleza Americana surpreendeu em seu segundo longametragem, trazendo uma trama densa, envolvente e até bonita de um pai que faz tudo para que o filho não siga os seus passos no crime.

Michael Sullivan parece um bom pai de família, porém é apadrinhado pelo mafioso John Rooney, vivido por Paul Newman, e tem que viver como assassino profissional. Tudo piora quando seu filho mais velho, que também se chama Michael presencia o assassinato de um homem e passa a ter toda a máfia contra ele. Pai e filho tem que fugir ao mesmo tempo em que procuram justiça, chegando a apelar para o lendário Al Capone. Uma curiosidade é que o ator Anthony Lapaglia chegou a filmar no papel do maior mafioso da história, mas as cenas acabaram sendo tiradas do corte final.

Jude LawO roteiro de David Self é bem construído, apesar de não ter nenhuma novidade. A perseguição é tensa, mas previsível em vários momentos. Isso não tira o charme do filme que se preocupa com detalhes e constrói cenas primorosas como o tiroteio debaixo de chuva, ou a cena inicial e final na beira do mar. A fotografia de Conrad L. Hallescura é condizente com a atmosfera sombria da história. Por mais que a narrativa seja lenta, ficamos presos em frente a tela, querendo ver o final.

Estrada para PerdiçãoTom Hanks está bem como o pai dedicado, apesar de sua interpretação não ser das mais geniais de sua carreira. O mesmo pode-se dizer de Paul Newman. Já Jude Law, apesar das poucas aparições, dá medo a cada frame que imprime sua expressão sádica. E o garoto Tyler Hoechlin consegue defender bem o drama de seu personagem, cuja curiosidade foi responsável por toda a reviravolta na vida de sua família. Não é fácil se sentir responsável pela destruição de todas as suas perspectivas de futuro. O mais interessante do roteiro é perceber que os personagens, em geral, conhecem bem seus defeitos, mas não tem escolhas, como o chefão John Rooney que tem que acobertar o filho, mesmo sabendo que ele é o errado.

Sam Mendes é sempre um diretor surpreendente e consegue imprimir seu ritmo na construção desse longametragem que não deixa de ser sobre famílias e seus traumas. Pode não ser o filme mais genial de todos os tempos, nem mesmo tão bom como seu anterior Beleza Americana, mas traz um apuro que nos envolve e marca. Um belo exemplar a ser conferido.


8 opiniões:

Reinaldo Glioche disse...

Para mim é um filme injustiçado. Apesar das seis indicações ao Oscar e do reconhecimento da crítica merecia mais atenção. Há quem enxergue apenas um filme de gangster aí, eu vejo um poderoso filme sobre um pai descobrindo seu filho e um filho compreendendo seu pai. Belíssimo!
Não me recordava dessa participação do Anthony LaPaglia!

Beijos

30 de novembro de 2010 09:57
renatocinema disse...

Esperava mais desse filme. Não é ruim. Mas, me decepcionei um pouco.

30 de novembro de 2010 12:10
Hugo disse...

Não sabia desta história da participação de Anthony LaPaglia como Al Capone. Pensando bem, ele ficaria bem parecido com o famoso gângster.

Até mais

30 de novembro de 2010 14:32
Clenio disse...

Acho uma obra-prima. Sam Mendes é um dos cineastas em atividade que mais consegue ter uma visão artística e psicológica de seus filmes. É visualmente arrebatador e dramaticamente envolvente.
Merece, sem dúvida, ser mais reconhecido como o grande filme que é!

Clênio
www.lennysmind.blogspot.com
www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com

30 de novembro de 2010 14:35
Kamila disse...

É um bom filme. Com uma excelente fotografia e uma direção inspirada do Mendes. Mas, acho que a obra perdeu muito de seu impacto.

30 de novembro de 2010 21:10
Marcio Melo disse...

Eu tenho uma paixão especial por este filme porque foi o primeiro DVD que assisti :)

30 de novembro de 2010 23:08
Cristiano Contreiras disse...

Para mim a fotografia é absurdamente impactante! e acho que Hanks está muito bem nele! é um filme que merecia ser mais valorizado mesmo...e seu texto recobre toda a essência dele, Amanda!

Beijo

1 de dezembro de 2010 00:02
Amanda Aouad disse...

Também acho, Reinaldo, e já vi algumas críticas negativas a ele, o que achei estranho.

Renato, respeito sua opinião, mas eu gostei bastante.

Verdade, Hugo.

Concordo, Clenio.

Não achei, Kamila, mas, entendo.

hehe, que legal, Márcio. Não saberia dizer qual o primeiro DVD que assisti...

Merecia mesmo, Cris.

bjs

1 de dezembro de 2010 00:27

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