28/12/2010

A garota ideal

Ryan GoslingQual a mulher ideal? Acho que essa pergunta nunca será respondida. Cada ser humano parece ter o sapato certo para um pé cansado. E, às vezes, a mulher ideal pode simplesmente não existir e precisar ser inventada. É assim que o protagonista de A Garota Ideal constrói o seu mundo de fantasias. Porém, o filme de estreia de Craig Gillespie nos traz surpresas muito maiores do que um homem tímido com uma namorada de mentira, tornando-se uma surpreendente lição de amor, companheirismo e boa vontade com o próximo.

Lars Lindstrom é um homem introspectivo, incapaz de se relacionar com as pessoas. Órfão de pai e mãe, mora na garagem da casa onde seu irmão e cunhada vivem, sendo constantemente procurado por ambos para que não fique totalmente sozinho. Traumatizado por sua mãe ter morrido ao lhe dar à luz, Lars não consegue mudar o seu padrão de vida e encontra a solução em um site de bonecas de sexo, feitas de silicone. Quando Bianca chega em sua casa, todos percebem que a reclusão não era apenas timidez, mas, orientados por psicólogos, resolvem entrar no jogo de Lars.

A garota idealO ponto alto da história é que Lars cria Bianca de acordo com o que imagina que seja uma mulher ideal para ele. Mas, as mulheres que o cercam, seja a cunhada, a colega de trabalho, a irmã da comunidade religiosa ou a psicóloga irão lhe mostrar o verdadeiro significado de uma mulher ao seu lado. Bianca se torna algo tão interessante, nos conduzindo por uma trama bem amarrada com uma conclusão muito bem realizada. Tão genial quanto pode ser uma mente humana. Nancy Oliver conseguiu construir um roteiro impressionante de um tema que parecia bobo.

É um drama humano sensível, com ares de comédia romântica e toques psicológicos. A condução da trama é bem realizada com um ambiente intimista, aconchegante. Nos sentimos parte daquela comunidade, envolvidos com o drama de Lars. A forma como a psicóloga encontra para ajudá-lo é criativa e plausível. Bianca se torna um personagem real. Uma missionária brasileira, inteligente e muito religiosa, tanto que não tem relações sexuais com Lars. Esse detalhe chega a ser irônico em uma boneca criada para o sexo.

A garota idealRyan Gosling está encantador como o protagonista Lars, convencendo totalmente de sua aversão ao contato humano. Assim como Emily Mortimer na pele de sua cunhada Karin e Paul Schneider como irmão mais velho de Lars. Destaque ainda para participação de Patricia Clarkson como a psicóloga e médica local.

A Garota Ideal é um filme sobre o ser humano e sua possibilidade de convivência em grupo. Até que ponto somos capazes de ajudar uns aos outros? Compreender suas atitudes e ajudar com gestos mínimos? Foi preciso uma boneca de silicone para mostrar àquelas pessoas o verdadeiro significado de sociedade. Isso é que torna o filme ainda mais incrível.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

10 opiniões:

renatocinema disse...

òtima dica........adoro filmes que questionem e levem o público a reflexão. Irei assistir urgente.

Obrigado pela sugestão.

28 de dezembro de 2010 10:29
Reinaldo Glioche disse...

é o tal do filme de ator. Não a toa Ryan Gosling foi bastante festejado pelo papel. Ele está ótimo e é o fiador dos sentimentos da platéia em relação a essa fábula até certo ponto pueril.
Beijos

28 de dezembro de 2010 10:54
Mateus Selle Denardin disse...

Vi o filme ano passado num raro festival de Cinema do qual minha cidade participou, e foi um sucesso na sala (era sessão única). É uma história tão envolvente, tão bem concebida e trabalhada, com atuações tão belas (Gosling crescendo ainda mais como intérprete), que acaba sendo arrebatadora. Lindo. 8/10

28 de dezembro de 2010 11:02
Rafael Carvalho disse...

De fato, acho que o grande mérito desse filme está num roteiro que podia muito bem cair na comédia mais pastelão, idiotizando o protagonista, mas surpreende por tratar o tema com muita seriedade e, principalmente, carinho por aqueles personagens, em especial o Lars e sua patologia social. E o Goslyn é um dos melhores atores que os EUA têm hoje, sem dúvidas.

28 de dezembro de 2010 13:53
Por que você faz poema? disse...

Se ninguem sabe ainda responder de maneira convincente o que querem as mulheres, para os homens basta apenas uma garota ideal.

28 de dezembro de 2010 16:17
Rodrigo Carreiro disse...

Excelente filme, Amanda. Fui assistir sem pretensão, mas é realmente emocionante. Gosling dá show.

28 de dezembro de 2010 16:23
Hugo disse...

Eu via apenas o trailer e achei pelo menos curioso o tema.

Bjos

28 de dezembro de 2010 17:01
Marcio Melo disse...

Tinha me interessado pelo filme na época e agora que li sua crítica vou assistir!

28 de dezembro de 2010 20:26
bruno knott disse...

Faz TANTO tempo que quero ver esse filme...

Que bom q vc gostou!

Bjos.

29 de dezembro de 2010 14:42
Amanda Aouad disse...

É muito legal mesmo, Renato.

Concordo que Ryan Gosling é o sucesso do filme, Reinaldo. Mas, gosto bastante do roteiro tb e da solução final.

Concordo, Mateus.

Sem dúvidas, Rafael.

hehe, boa, PQ poema, mas a gente também quer um garoto ideal.

Verdade, Rodrigo. Eu também vi quase por acaso.

É curiso, sim, Hugo, e bem desenvolvido.

Veja e depois conte, Márcio.

Espero que goste também, Bruno.

bjs

1 de janeiro de 2011 18:40

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