09/01/2011
A arte da dublagem
No post de sexta-feira, reclamei de terem escolhido Luciano Huck para dublar Flynn Rider em Enrolados. Queria deixar claro que não tenho nada contra o apresentador da Rede Globo. Acho até seu programa interessante. "Bem feitinho", como ele brincou com o CQC. O problema é que existem tantos bons dubladores no Brasil que não dá para entender o porquê de escolherem famosos como se isso fosse atrair público. O mais importante é funcionar na história.
Para homenagear os profissionais da dublagem brasileira, coloco aqui o documentário "Eu conheço essa voz", produzido por alunos da PUC visando divulgar essa profissão tão desvalorizada. Crescemos ouvindo essas vozes, seus trejeitos, sotaques. Assistir filmes com atores em sua voz original, é melhor, admito, mas no caso das animações, a dublagem brasileira tem seu charme, afinal, mesmo o original é uma dublagem. A diferença é que, com a evolução da tecnologia, cada vez mais as dublagens originais são trabalhadas para casar perfeitamente com o movimento de boca e expressões do personagem. Além disso, alguns efeitos sonoros se perdem, por mais que os estúdios enviem as cópias com vários canais de áudio separados.
Ainda assim, esses talentosos profissionais brasileiros fazem de tudo para entregar o melhor trabalho, como tive o prazer de ver ano passado aqui em Salvador na sessão de dublagem ao vivo. Por mais que muitos, incluindo eu, prefiram ver o filme no original a função dessa profissão para a conquista de público é importantíssima, principalmente em um filme infantil, onde a criançada ainda não consegue acompanhar legendas. Por isso, faço quase um apelo aos produtores locais. Vamos valorizar a dublagem brasileira. Não chamem pessoas famosas achando que isso vai valorizar seu filme, pois pode acabar se revertendo em algo muito ruim. Já vi diversas manifestações contra Luciano Huck em Enrolados na internet.
Vejam a primeira parte do documentário "Eu conheço essa voz", são quatro no total e estão todas neste canal, e digam se não tenho razão de levantar minha voz em favor desses profissionais.










































18 opiniões:
Eu vi um video com os trechos de dublagem de huck e inclusive comentários ridículos que ele tecia sobre o filme.
9 de janeiro de 2011 15:26"Acho até seu programa interessante. "Bem feitinho", como ele brincou com o CQC".
Fala sério Amanda, o programa de Huck é o mesmo de 80 anos atrás, nunca se renova, é uma boa porcaria hehehe.
Mas o seu post vem em ótima hora, chega de famosos que não entendem nada de dublagem estragando boas animações como enrolados.
Tem toda razão!!
9 de janeiro de 2011 17:00Valeu a dica do documentário
Muito bom o post! E a propósito, valeu pela dica do documentário. Por poucos minutos, pude reviver a minha infância.
9 de janeiro de 2011 17:12Também não gostei da escolha do Luciano Hulk, achei que ficou meio estranho e fiquei com a impressão que ele não cantou as músicas do filme. Em alguns momentos do filme parecia que não era a mesma pessoa falando as vezes parecia o Luciano e as vezes soava como uma pessoa completamente diferente também.
9 de janeiro de 2011 18:09Alias também achei que as músicas não foram bem dubladas. Lembro dos clássicos disney em que as músicas sempre eram faceis de cantar e encaixavam certinho e achei que em Enrolados ficou faltando em encaixe com a letra. O.o
Assisti "Enrolados" hoje e, sinceramente, não vi nada de ruim na dublagem do Luciano Huck. Claro que eles poderiam ter escolhido alguém mais familiarizado com o universo da dublagem, mas o Luciano, para alguém não profissional, alguém que não é ator, não fez feio.
9 de janeiro de 2011 18:26É, vi esse vídeo dele falando do personagem e do filme tb, Márcio. É lamentável. Mas, não exagere, hehe, primeiro a televisão no Brasil só tem 60 anos. Depois, diante dos programas de auditório que temos, o Caldeirão é até interessante, sim. Quando não tenho o que fazer, gosto de ver os quadros (que ele imita da televisão americana) como Lata Velha e Lar doce lar.
9 de janeiro de 2011 21:10Rodrigo e Kamila Matos, também gostei muito de ver esse documentário e relembrar a infância.
Ana Luisa, não foi ele quem cantou, pelo menos isso. Nesses momentos é a voz de Raphael Rossato. E concordo que as músicas não foram das mais inspiradas nessa versão brasileira.
Kamila, o problema é essa "para alguém não profissional e não ator". A gente ouve a voz de Luciano Huck e não de um personagem. Mas, respeito que tenha achado boa.
beijos todos
Muito com esse documentário. A dublagem no Brasil é mesmo muito desvalorizada - apesar de termos os melhores dubladores.
10 de janeiro de 2011 12:02No geral, não tenho problema em assistir filmes dublados, só não gosto quando a dublagem omite os palavrões, mas isso é algo que a legenda também faz.
=]
É, Mateus, as traduções dos palavrões são o fim, mas como você falou a legenda também vem assim. Por isso que as pessoas estranham quando vêem filmes brasileiros dizendo que neles tem muito palavrão.
10 de janeiro de 2011 16:11Muito legal essa sua pesquisa de raízes de dublagem! Parabéns!
11 de janeiro de 2011 00:24Obrigada, Justin, fico feliz que tenha gostado.
11 de janeiro de 2011 09:02Apoiadíssima, Amanda! Também achei a dublagem de Huck horrível! Sua voz oscilava e, sejamos sinceros, não combinou nada com o galã Flynn Rider, né? hahahahaha!
12 de janeiro de 2011 10:40Adorei o documentário, precisamos mesmo valorizar os profissionais de dublagem, me choca saber a quantia reservada para eles quando um famoso ganha quase cem vezes mais...
13 de janeiro de 2011 02:21Cara blogueira,
13 de janeiro de 2011 15:09Perdoe-me caso eu tenha feito uma leitura errada sobre este post, mas o que me parece é que você exprime uma "mea-culpa" por talvez ter feito uma crítica negativa sobre o anódino e plagiador apresentador da Rede Globo.
Caso tenha acontecido esta necessidade de expressar tal "desculpa", a qual não entendi para quem e porque, colocando aqui uma defesa mais ancorada nos fatos(até uma pesquisa sobre dubladores você colocou) eu, de coração, digo-lhe que não deveria agir assim. Simplesmente não é necessário.
Bons críticos e escritores (e este elogio vale para você) não precisam ficar tendo que dar explicações sobre o que não gostou nos materiais por eles analisados. Isto é a base que constitui os profissionais de mídia e formadores de opinião.
Inclusive, imagino eu que deve ser um tormento ter que analisar diversos materiais de qualidade ultrajantes, principalmente quando a produção nacional descobriu que existem apenas (no atual contexto) três tipos de gênero ainda possíveis de serem produzidos para dar lucro : espíritas/religiosos, comédiazinhas/Zorra Total feelings e, nossas especialidade, Favelas-movies.
E tormento também pelo fato de existir neste país e, como não poderia deixar de ser, nesta cidade,uma "polícia" ativa sobre aqueles que "não-podem-e-não-devem-falar-mal-de-nada".
O crítico, para às vistas destes cegos, é apenas um colega de sala escura, que deve sempre trocar favores por ter ganho certos mimos nos lançamentos dos produtos e, consequentemente, deve sempre falar bem daquilo que assiste.
Então,novamente, desculpe-me caso tenha me equivocado com a leitura e a intenção deste post, mas fica a dica assim mesmo.
Pois é, João. Mas, acredite que tem gente elogiando. :O
13 de janeiro de 2011 19:48Isso é triste mesmo, Dea. A fama acaba lhes dando um prestígio desmerecido muitas vezes.
Caro anônimo, da próxima vez pode se identificar, afinal, adoro críticas construtivas e que gerem maiores discussões. Em primeiro lugar, não foi exatamente uma "mea-culpa", na verdade, quis justificar o gancho que fiz da crítica a escolha de Huck com esse assunto que já queria falar no blog há algum tempo: dublagem e esse documentário. Realmente, não acho o apresentador ruim, e já passei algumas tardes a frente da televisão vendo seus quadros. Isso não acontece há um bom tempo, é verdade, talvez um ou dois anos, mas não acho mesmo ele dos piores. Mas, não foi para justificar a ninguém, até porque ninguém reclamou da crítica lá no post.
13 de janeiro de 2011 20:10Concordo plenamente que o crítico deve expor sua opinião. Jamais esqueço a lição que aprendi em meu primeiro curso no assunto: "o crítico deve ser imparcial ao assistir um filme e parcial ao analisá-lo". Tento sempre seguir essa lógica, analisando o que encontrei sem preconceitos. E de fato, a dublagem de Huck é sem graça, sem vida, com pouca interpretação. É ele falando, não Flynn. Só que a culpa não é exatamente dele, que não é ator, mas dos produtores que o escalaram. Por isso, justifiquei a situação.
Quanto a falar mal ou bem de um filme, esse espaço é independente, o único compromisso que tenho ao ser convidada para uma cabine é escrever sobre o filme. Mas, posso falar o que acho dele, francamente, sem censuras. Não tenha dúvidas que o dia que isso começar a acontecer, paro de ir as cabines e pré-estreias. Até porque vocês verão o filme depois e vai ficar complicado justificar coisas injustificáveis. É mesmo torturante ver algumas coisas que já vi nesses encontros, e aqui tem alguns exemplos de filmes que falei mal, mesmo indo a cabine, alguns, inclusive coloquei na lista dos piores filmes de 2010.
Como isso já virou quase outro post, termino apenas agradecendo ao seu comentário e reforçando que não fico ofendida com críticas construtivas. Só incomoda anônimos que vem aqui apenas para xingar, discordar de forma irracional ou tentar estragar surpresas alheias contando o final de um filme (aliás, esse foi o motivo pelo qual passei a moderar os comentários).
abraços e volte sempre.
Quase nunca assisto à produções dubladas, mas reconheço que a dublagem realizada no Brasil é das melhores que existe, e realmente precisa ser reconhecida. Os profissionais (eu disse "profissionais") são talentosíssimos, basta ver como ficou a voz de Rapunzel em ENROLADOS, para citar o mesmo filme; maravilhosa.
13 de janeiro de 2011 20:27O mais ridículo é que nas partes "cantadas" do filme, o dublador não é Luciano Huck. Prova que profissionais dessa área devem ser atores (e nesse caso, tem que saber cantar também). Se o personagem não fosse tão legal, talvez a maioria das pessoas sairia do cinema com muita raiva do filme.
17 de janeiro de 2011 10:26Belíssimo post, parabéns.
@JLinno
Concordo, Mateus.
17 de janeiro de 2011 23:07Obrigad,a João. Pois é, não tinha como ele cantar, né? Lamentável mesmo.
bjs
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