31/03/2011

Fúria sobre Rodas

Nicolas CageTanto o diretor Patrick Lussier quanto o roteirista Todd Farmer são conhecidos por filmes de terror como Dia dos Namorados Macabro e Jason X, mas ambos se declaram amantes de filmes de ação. Assim nasceu Fúria sobre Rodas, que eles anunciam no kit de imprensa como uma homenagem aos filmes de ação dos ano 70 e 80 com Steve McQueen e Charles Bronson. Pensando no estilo, escolheram Nicolas Cage como seu protagonista, mas acredito que o filme só tem sucesso se a platéia o encara com um trash movie, bem ao estilo de Machete e À Prova de Morte. Aí, a brincadeira se torna interessante, principalmente pelo 3D muito bem realizado e enquadrado na história, e sua trilha sonora que é um verdadeiro primor dos filmes de ação. Os apaixonados por carros também podem se deliciar com exemplares de um Dodge Charger 1969, um Chevelle 1971, um Riviera 1964 e um Chevy 1957, só precisam se preparar para vê-los bater, cantar pneu, capotar e incendiar.

Amber HeardFiquei na dúvida do que comentar da história, afinal apesar de estar no trailer e na sinopse, há um detalhe da verdadeira origem do protagonista John Milton que acho mais interessante deixar como surpresa, apesar de alguns indícios desde o início da trama. Essa não é uma história comum e o imaginário se mistura às referências reais, deixando o espectador um pouco confuso em relação às regras daquele mundo. Ainda assim, o roteiro vai nos conduzindo a aceitar aquela verossimilhança. Milton é um anti-herói que escapou de uma prisão para vingar a morte de sua filha e resgatar sua neta que é refém de uma seita satânica que pretende sacrificá-la na próxima lua cheia. Para isso, ele conta com a ajuda de uma garçonete chamada Piper. Mas, além dos seguidores da tal seita, liderados por Jonah King, ele tem que enfrentar um homem mistérioso que se intitula "o contador".

Fúria sobre RodasA chave do mistério de em que terreno estamos pisando está nesse personagem "o contador", vivido por William Fichtner. Sua experiência em filmes de comédia ajuda a dar o tom irônico do personagem, que desde o início traz o sobrenatural para cena com aquela sua moeda estranha. Ali temos a certeza do pacto de que não veremos um filme sério, mas com muito humor, digamos, politicamente incorreto. À partir dele, começamos a acreditar que a tal seita liderada por Jonah King, vivido por Billy Burke pode mesmo surtir efeito. O ator, mais conhecido como o pai de Bella da Saga Crepúsculo, é quem dá vida a esse homem que pretende trazer o inferno para Terra através do sacrifício do bebê. Nicolas Cage, então, tem que enfrentar essas duas forças para conseguir salvar a neta e se redimir do passado errôneo. Confesso que é um embate interessante.

A trilha sonora assinada por Michael Wandmacher se destaca, com tons empolgantes e bem organizados nas cenas de ação, com muito metal e rock. As cenas de perseguição crescem com sua música. Assim como impressiona a tecnologia 3D, muito bem dosada entre profundidade e coisas saltando à tela, dando continuidade a muito malabarismo de ação. A direção de arte também impressiona, com um visual belo e uma fotografia bem dosada, em tons fortes. A nota ruim é a forma como carrega no vermelho, deixando as faces rosadas em excesso, talvez pelo óculos 3D. Ainda assim, não pensem que me empolguei com o filme a ponto de considerá-lo bom.

Fúria sobre RodasComo disse, deve ser encarado como um exemplar trash e serve para dar risada, se divertir. Em uma cena mesmo, fica bem claro o tom de comédia na ação, uma mulher está atirando no carro do protagonista com aquele jeito típico de exagero e um carro que vem atrás passa por cima dela. A cena em que Nicolas Cage encara um exército de fanáticos que invadem seu quarto de hotel é outra que resume bem isso, principalmente pelo que ele estava fazendo antes e como encara a situação. Não vou contar para não estragar a surpresa. Mas, com certeza, é daquelas situações inacreditáveis que vemos em tela. Principalmente pelos detalhes de seu personagem.

Fúria sobre Rodas é daqueles filmes de nicho. Nem todos vão gostar, muito menos se envolver com a história fantasiosa. Para quem gosta de filme de ação, com toques sobrenaturais é uma viagem interessante. Para quem não gosta, em muitos momentos parece um grande amontoado de bobagem. Mas, vale pelo 3D e pela trilha sonora. Entretenimento, sem grandes pretensões. Funciona como brincadeira.


Fúria sobre Rodas (Drive Angry 3D: 2011 /EUA)
Direção: Patrick Lussier
Roteiro: Patrick Lussier e Todd Farmer
Com: Nicolas Cage, Amber Heard, William Fichtner, Katy Mixon.
Duração: 104 min


9 opiniões:

Reinaldo Glioche disse...

E sou desse nicho que curte filmes trash de ação estrelaos por Nicolas Cage. rsrs. Vou conferir...
Bjs

31 de março de 2011 09:21
Dr Johnny Strangelove disse...

Mas Amanda, aquela cena do caminhão com aquela musica é PURA VERGONHA ALHEIA ... eu vibro com filmes de Robert Rodriguez e derivado e faço parte do nicho que citas ... mas ... esse filme é uma vergonha.

Curiosamente, é a atuação menos afetada de Cage ... mas se o resto colaborasse ... poderiamos sair no lucro. Quem é do nicho talvez possa gostar ... mas quem tem bom senso ... não sei ...

Confira também a opinião sobre esse mesmo filme no blog. Beijos e Abraços Amanda.

31 de março de 2011 10:38
Alan Raspante disse...

Sua crítica foi a mais positiva, rs Como gosto do estilão trash eu vou dar o crédito e conferir. Pelo visto não vou me decepcionar :D

31 de março de 2011 11:01
Jonathan Nunes disse...

Quando vi o trailer pensei"Mais um dos filmes meio-boca do Nicolas.",mas agora estou até pensando em dá uma chance, só espero que seja melhor que "Caça as Bruxas".

31 de março de 2011 15:42
Kamila disse...

EU TENHO MEDO DESSE FILME! Nicolas Cage em modo canastrão ON!! rsrsrsrs

31 de março de 2011 19:46
Amanda Aouad disse...

Pois é, Reinaldo, a gente tem que entrar na brincadeira, senão....

Johnny, não sei, eu fico na dúvida se não é assim de forma proposital, porque é tão escancaradamente trash que não pode ser sério. hehe. Eu tentei ver assim para não considerar um filme péssimo. Vendo por esse ângulo, achei no nível dos filmes B.

Tomara, Alan.

Eu achei, Jonathan, por não levá-lo a sério, melhor que Caça as Bruxas que tenta ser sério. Mas, eu tentei buscar no texto exatamente esse lado, pessoalmente não gostei, mas depois, ao pensar no estilo, vi que tinha seus pontos e poderia agradar.

kkkkkk, bom, isso ele está sempre, Kamila, mas nesse filme até que seu "estilo" de atuar se enquadra. Nem tá com cara de choro.

31 de março de 2011 22:22
Rafaela - Tudo em Foco disse...

O filme mistura ação, elementos trash e comédia. Ou seja, serve para matar a curiosidade quando não se tem nada mais para fazer. Apesar do intuito de fazer um filme interessante, acho que os diretores exageraram demais e pecaram pela falta de bom senso. Tem elementos interessantes, mas a história em si não é tão chamativa.

1 de abril de 2011 03:57
Amanda Aouad disse...

Mas, é isso que me pergunto, Rafaela, será que eles pecam pela falta de bom senso, ou não propositadamente assim?

1 de abril de 2011 12:38
Mateus Souza disse...

Faz tempo que só encaro os filmes de Nicolas Cage como trashs, haha. Mas tem toda a razão quando diz que, para se divertir com o filme, deve-se olhar de forma diferenciada. O mesmo acontece com Caça às Bruxas, também com Cage e recentemente saído por aqui.

2 de abril de 2011 14:05

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