E a conclusão foi...

Estes posts fazem parte do primeiro blog criado, CinePelô que era para narrar a experiência que tive como professora de roteiro na Oficina das Artes. Deixei aqui no espaço do CinePipocaCult como registro de um momento.

Apesar de apontar algumas críticas a cada vídeo, o resultado geral foi excelente. Levando em consideração que eram alunos iniciantes e que o processo geral foi efetivamente feito por eles, claro que haveria problemas, mas nada que tirasse o brilho do material obtido. Em uma aula de avaliação todos comemoravam poder ter chegado ao final. Era preciso dar um rumo a esses meninos, aquilo não era apenas um curso a ser esquecido, mas uma nova alternativa de linguagem para eles poderem se expressar. Todos buscaram dar conselhos e formas de continuar, mas eles teriam que seguir com a própria vontade a partir dali.

Uma grande notícia foi a aluna Pamela que conseguiu um estágio em edição após o curso. É a mostra na prática da verdadeira inserção social. O aluno Pardal, também, cheio de idéias me procurou para continuar orientando ele em projetos que tinha interesse de desenvolver. Como ele mesmo disse, professor é para sempre. E o aluno Júnior, que me procurou, outro dia, pedindo indicação de novos cursos, pois ele tem procurado se desenvolver na área. E mesmo sem ter notícias da maioria deles, ficou a sensação de trabalho cumprido. Além dos vídeos que já havia colocado no Youtube desde a época, este blog serve como mais um registro e uma homenagem para que todos possam continuar conhecendo esse projeto que foi bastante proveitoso para todos.

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Grupo 4 - Artesanato no Pelô

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A discussão de arte e comércio continua neste vídeo, mas agora falando exclusivamente de um objeto: o artesanato. Temos três visões diferentes, o que acha sua arte uma manifestação espontânea que não deve ser vista comercialmente, o que acredita que é uma forma de subsistência e o meio termo.

Vivemos em um mundo capitalista. Por que o artista não mereceria viver de sua arte? Arte é uma manifestação cultural sim, mas colocar um preço nela e vender a outrem não tira este valor. Cada vez mais, a profissionalização do mercado faz com que, desde a concepção, se pense em tal fato. Estamos vendo, nesse vídeo, artesanato de pequena escala, com artistas de rua, mas se pensarmos nos grandes pintores, merchants e galerias de arte, a coisa tornar-se totalmente capitalista e quem irá dizer que uma obra de Portinari não é arte?

Em relação à linguagem audiovisual, este vídeo traz uma diferença dos anteriores: a divisão de tela. Enquanto um quadro mostra o artista falando, o outro o mostra inserts dele trabalhando, de suas obras na rua, enfim. É uma forma de tornar o material mais dinâmico.

Nos créditos, há também o making off das gravações, uma ação divertida e sempre válida para valorizar o processo de produção e as pessoas envolvidas.

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Grupo 3 - Pelô indo, mas pra onde?

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Este vídeo já começa nos chamando a atenção com a primeira imagem. Há um grande impacto naquele cadeado, na enorme porta de madeira se abrindo. É estético, é forte. O resto do vídeo, no entanto, traz mais do mesmo. Divide-se em imagens do Pelourinho no início e no final do vídeo, sendo que no meio há apenas depoimentos, novamente remetendo ao cinema verdade. Nesse caso, mais do que os outros, pois não há inserts, não há variação. São apenas depoimentos diversos sobre três perguntas-chaves. É o único vídeo que se utiliza de especialistas (historiadores, antropólogos) e assim, a história do Pelourinho vem através dos depoimentos e não em uma locução como em Histórias do Pelô. É uma opção e traz um questionamento muito interessante sobre o que é cultura e o que é comércio.

Em outros vídeos, vimos os moradores do Pelourinho reclamando da comercialização da cultura, aqui há a constatação que isso é um processo natural e nem por isso, perde-se o valor cultural do povo. O questionamento do grupo era, no entanto, bastante claro. De forma quase matemática, eles queriam investigar a real situação do Pelourinho.

Lembro bem das nossas saudáveis discussões sobre cultura e comércio, a forma maquiada que muitas vezes vemos no local, com mulheres vestidas de baiana só para tirar foto de turista, por exemplo. Acontece que os dois lados estão presentes, há muita manifestação cultural autêntica ali e nem por isso, precisa deixar de ser comercial. No mundo de hoje, a arte está cada vez mais inserida no mercado e não podemos fugir disso de forma sonhadora.

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Grupo 2 - No olho da rua

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Aqui está um exemplo onde a locução em off não é excesso e sim parte criativa importante, o único problema é técnico. A locução ficou abafada, com uma dicção pouco clara. Um dos alunos a fez, ao contrário do vídeo anterior, onde um locutor profissional foi chamado.

De qualquer maneira, No olho da rua traz uma premissa extremamente delicada: os dois caminhos que os meninos podem seguir. A marginalização, com drogas, morando na rua. Ou a arte, através de ONGs que fazem a inclusão social dessas crianças, ensinando um ofício, uma forma de expressão.

O resultado é extremamente belo e poético, mas não foge também do velho depoimento a la cinema verdade. É uma tendência do iniciante, não há como negar, é a linguagem mais conhecida, dos vídeos institucionais. Talvez, eles pudessem encontrar alguma linguagem inovadora para contar essa história, assim como fez com a parte da poesia.

O processo criativo deste vídeo, foi bastante interessante. Um dos alunos sabia exatamente o que queria fazer e contagiou os outros com essa possibilidade. A dificuldade foi organizar as idéias. Cada hora eles queriam começar de uma maneira e isso prejudicou, ao meu ver, o resultado que poderia ter sido melhor planejado. O clímax mesmo, passou batido. No roteiro, a música “Gira, vira, mundo” de composição de um dos alunos, era a grande chave do assunto. Ela começaria sendo cantada na abertura e voltaria com o garoto Carlos, tocando berimbau, para fechar a história. Do jeito que ficou, quase não ouvimos a letra e a cena fica perdida.


“meus amigos se foram na aventura,
a vida é bela a vida é dura
o tempo passa o tempo muda
o tempo passa o tempo muda
a vida por um segundo
a vida gira vira mundo”

Ainda assim, foi o grupo que melhor desenvolveu as cenas antes da gravação (foi gravado no formato HD, filmagem é uma linguagem utilizada apenas quando se utiliza película, mesmo se tratando de um filme). Mais importante ainda, é a linguagem reflexiva e a mensagem passada ao expectador sobre a situação dessas crianças e as soluções possíveis para elas.

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Grupo 1 - Histórias do Pelô

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O processo desse grupo começou com a idéia de um dos integrantes que queria falar sobre Negra Jhô, uma conhecida moradora local, mas o grupo acabou achando melhor ampliar para outros ícones do Pelourinho. Assim surgiu Histórias do Pelô, através dos depoimentos de Portela, Martins, Negra Jhô e Mestre Prego, o vídeo traçou um perfil do Pelourinho. A grande questão narrativa mostrada foi a necessidade de preservar a identidade desse povo, os verdadeiros responsáveis por este celeiro cultural. Com questionamentos políticos e um certo saudosismo, os moradores mostram que o baiano precisa dar mais atenção ao Pelourinho e as pessoas que vivem lá, para que não se torne apenas um mostruário turístico sem vida.

Em relação à linguagem audiovisual, o vídeo demonstra momentos criativos, como o início picotado ou a cena em que Portela sai de casa cantarolando. Porém, a maior parte do tempo, se resume à depoimentos ao estilo do cinema verdade (Jean Rouch criou o termo com seu documentário "Crônicas de um verão", de 1960) que consiste em depoimentos diretamente para a câmera.

Um problema, ao meu ver é a parte histórica no meio do vídeo, com uma narração em off e imagens antigas do local. Aquilo fica solto e quebra o ritmo do vídeo. A princípio, em nossas aulas, eles colocariam isso no início, como uma abertura e eu já considerava não muito adequado. No meio, então, ficou estranho, mas foi como eles quiseram colocar. Um orientador tem que saber o limite de orientar e fazer pelo aluno. E nossas opiniões não são mesmo definitivas, muitas vezes eles nos surpreendem positivamente.

O fato é que os documentários evoluíram e sua linguagem tornou-se cada vez mais exigente. A locução em off é um recurso que a maioria dos cineastas abominam, considerando um recurso fácil, televisivo. Neste caso, eu concordo que poderia ser de outro jeito, mas isso não invalida o vídeo que consegue passar uma mensagem de extrema importância. O forte nele, são os personagens, é verdade, mas os alunos souberam explorar bem as pessoas que tinham nas mãos.


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Análise Crítica

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Chegou a hora de mostrar os resultados, amanhã publico o primeiro vídeo e faço uma pequena análise do conteúdo e do formato do produto final. Antes de analisar, gostaria de ressaltar que o que falo é vendo o vídeo como uma obra profissional, já que eles chegaram a um nível muito bom, com algumas ressalvas, o que é natural.
Porém, temos sempre que levar em conta que se trata de obras de alunos ainda em formação e que eles efetivamente fizeram todas as etapas, tendo apenas orientação dos professores, nunca uma interferência direta na produção dos mesmos. Óbvio, então, que teriam problemas técnicos e alguns clichês. É necessário uma certa experiência, um certo repertório de filmes vistos para se conseguir um bom documentário nos níveis profissionais que se encontram o mercado hoje em dia.
Os vídeos mostram, no entanto, o empenho de um grupo interessado e com criatividade para se desenvolver e conseguir cada vez mais espaço. Espero que gostem.

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Pelô: Resumo da História

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Aqui uma pausa para explicar o óbvio. Muitas pessoas ao definirem o Pelourinho falam que era um local onde os escravos eram açoitados. Tá, é a definição da palavra, mas a região era no início a moradia das grandes famílias portuguesas vindas para povoar a colônia. Foi ali que o Brasil começou e por isso, o bairro abriga uma arquitetura barroca original e de valor histórico tão grande. Após uma epidemia que assolou a cidade por falta de saneamento, os aristocratas começaram a se mudar para a Graça, mas o local continuou sendo de comércio e moradia. Apenas na década de 60, com a modernização da cidade o local foi se tornando vazio e marginalizado, pouco propício para se freqüentar com segurança.



Na década de 80, a UNESCO tombou o local como patrimônio da humanidade e o Governo resolveu revitalizar o espaço, com uma imensa reforma que restaurou toda a arquitetura local, e trouxe diversos estabelecimentos comerciais que tornaram um dos principais pontos turísticos da cidade.

Lá estão instaladas pessoas diversas, entidades como o Afro Olodum e Afoxé Filhos de Gandhy, restaurantes de diversas nacionalidades, bancos e até uma sede da central do Carnaval. As principais igrejas da cidade estão lá também, inclusive a Rosário dos Pretos, uma igreja feita pelos escravos que eram proibidos de entrar na igreja de brancos. E a Fundação Jorge Amado. Ou seja, o Pelourinho é, sem dúvidas, uma diversidade e profusão de coisas, culturas e história que merece ser visitado e mantido sempre.

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Processo Criativo

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Após muita teoria, com pequenos exercícios e filmes assistidos, era preciso dividir as turmas em equipe e começar a criar o produto final. Uma coisa já estava definida seria um documentário de até cinco minutos e teria que ser feito nas imediações locais para facilitar a produção.

Mostrei diversos exemplos de documentários feitos no mundo. Os estilos, as formas, os tipos, tudo no intuito de estimular a criatividade e a noção de formato. Antes de começar a criar, tivemos a ajuda de Grace Gomes que nos contou um pouco da história do Pelourinho e nos fez dar uma volta pelo local, mostrando os detalhes da arquitetura, as igrejas, as casas. A idéia era que cada um anotasse o que lhe chamava a atenção e fazer um exercício de recorte, como se tivesse uma câmera fotográfica na mão, descrevendo o que via e qual a sensação.






Mesmo aqueles que viviam no Pelourinho, aproveitaram o passeio, pois ver as coisas sobre a ótica da história da arte era algo que eles não tinham tido. E a busca que o exercício proporcionava trouxe idéias e estímulos para criar o tema do documentário, como vocês verão em breve, aqui mesmo.



Várias coisas curiosas aconteceram no processo, desde ambulantes achando que éramos turistas, até turistas pedindo informação. Um verdadeiro retrato do que é o Pelourinho e tudo que ele pode disponibilizar a quem o freqüenta.

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Cine Pelô

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Para ajudar nas aulas, o projeto englobou também o Cine Pelô. Ao estilo de um cineclube, filmes diversos eram passados de graça em um telão na praça Pedro Arcanjo. A preferência era por filmes nacionais e, com isso, os meninos podiam assistir ao filme no sábado e comentávamos na sala de aula.

Escolhi alguns filmes por considerar a construção do roteiro e a trajetória do personagem bem feita, mas alguns que tinham problemas também, pois assim pudemos analisar e discutir o que poderia ter sido feito de melhor. Um deles foi “Dois Filhos de Francisco”, independente do gosto musical, é um filme bem feito, principalmente na primeira parte, quando os meninos são pequenos. Particularmente, acho que, após a música “É o amor” tocar no rádio, o filme deveria acabar, o processo quase documental do final era totalmente dispensável. Mas, acho que o melodrama da vida de Zezé adulto tem seu valor, ao contrário do que alguns acharam. Há uma tendência no Brasil a menosprezar o gênero como “dramalhão”, mas os “críticos” de plantão se esquecem que o melodrama é o grande condutor de histórias no entretenimento em geral, principalmente nas telenovelas brasileiras, nosso principal produto de exportação. E isto, não pode ser menosprezado, cai no mesmo problema do blockbuster, julgar que é bom ou ruim é um processo delicado.

É importante frisar que o Cine Pelô era para todos e não apenas para os alunos do curso, foi uma ótima iniciativa e alternativa de entretenimento para os transeuntes do local na época. Dados informam que apenas 8% da população freqüenta as salas de cinema. Com os preços altos das salas multiplex que invadiram a cidade, não é difícil de imaginar o porquê. Alternativas como exibições públicas iguais a esta, cineclubes, são de extrema importância para que o cinema não morra na mão de uma minoria que não representa a população em geral.

Filmes:
07/04/2007 – Dois Filhos de Francisco
14/07/2007 – Narradores de Javé
21/04/2007 – Cidade de Deus
28/07/2007 – Diários de uma Motocicleta

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Emília Biancardi

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Aqui, faz-se necessário um parêntese para citar que foi um grande estímulo para o conhecimento cultural de todos conviver durante esses meses no mesmo espaço que Emília Biancardi. Quem quiser conhecer seu trabalho visite seu site. Vale muito a pena.

Vou ater-me a parte que me cabe neste latifúndio que foi observar sua vasta coleção de instrumentos musicais da cultura popular, como vocês podem ver nas fotos. Temos que render homenagens a esta mulher que, sozinha, juntou todo este acervo tão rico e criativo.






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As aulas

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O curso foi dividido em quatro módulos (roteiro, câmera/fotografia, produção/direção e edição) intercalados por três momentos de estimulo e avaliação através da arquiteta e arteterapeuta Grace Gomes. A mim, coube as aulas de roteiro, primeiro módulo a ser dado, era o início de tudo. Seguindo com câmera/fotografia por Paulo Hermida, produção/direção por Ana Luiza e edição por Débora Freire.



Tinha em minhas mãos um grupo bastante heterogêneo, mas a maioria não tinha noção do audiovisual. Então, a idéia foi começar percebendo o que eles tinham como referência de bons filmes e estimular o poder de síntese das idéias. Cada um teve que escolher um filme que mais gostou para escrever primeiro a storyline e depois a sinopse do mesmo.

Para quem não conhece a linguagem, STORYLINE é o resumo da história em até 5 linhas. E SINOPSE, no caso de cinema, é um resumo um pouco mais extenso, ainda na linguagem literária, que só depois passa para o argumento (que já está no âmbito da dramática, ou seja, é descrito o que se vê na tela, mas ainda sem separação de cena e falas).

Sala de aula

Foi interessante perceber o quanto de cinema brasileiro foi citado pelos meninos (E há quem insista que ele não tem público), claro que “Cidade de Deus” foi o mais citado (ainda não tínhamos “Tropa de Elite”, e “Ó Paí Ó” estava prestes a estrear. Nossa! Como o tempo passa!). Mesmo assim, muito blockbuster foi citado e defendido.

Nada contra os blockbusters, cada filme tem a sua função, e o americano se especializou em um cinema entretenimento, é uma opção dos grandes estúdios que visam o lucro fácil. Quem somos nós para julgar? Pior é ficar com esse discurso reacionário de que cinema é arte, fazer um filme cabeça para meia dúzia de amigos verem e passar a vida frustrado. Mas, eu acredito que é possível um cinema de conteúdo para grandes públicos. É só ter uma rede de distribuição e saber chegar ao expectador. Só que esse é assunto para outro tema.

Aulas dentro e fora da sala

E assim, seguimos as aulas, com noções sobre o processo de criação da história, estratégias de roteiros, termos e formatação, tudo à principio no campo da ficção, tendo os filmes como exemplos e alguns roteiros para analisar e comparar com o produto final. Na segunda etapa, falamos de documentários, que seria o produto final do curso.

Mostrei de tudo um pouco. “Peões” e “O fim e o princípio” de Eduardo Coutinho (principal documentarista brasileiro), “A pessoa é para o que nasce” (Roberto Berliner), o curta-metragem (1998) que deu origem ao longa (2003), pois este considero menos interessante, “Buena Vista Social Club” (Win Wenders, 1999), um dos filmes que mais empolgou os alunos e alguns polêmicos para discutirmos até que ponto o formato de documentário pode ir, como “A Marcha dos Pingüins” (Luc Jacquet, 2006) e “Fahrenheit 9/11” (Michael Moore, 2004) que gerou uma ótima discussão sobre a ética no cinema.

Roteiro de documentário é sempre um tema complexo, já que imaginamos uma coisa que depois vai se modificando na gravação, mas o que passei para eles, principalmente, foi que é preciso planejar até mesmo o improviso, senão, ficamos com uma câmera na mão e a cara de tacho, por não ter idéia de como começar. Os exemplos foram uma forma de estimular a criatividade em relação a planos e montagens possíveis.

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O Projeto

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Segundo o site, "Oficina das Artes é uma Organização Não Governamental – sem fins lucrativos que se propõe a trabalhar a inclusão social, através da arte-educação, objetivando a democratização das artes, resgate da cultura e tradições populares, além da formação de platéia, produtores, educadores e cidadãos profissionais para o mercado artístico-cultural, tendo como público alvo: crianças, jovens, adultos e idosos”.

Como chegar? Clique aqui.

Seguindo esta filosofia, em 2007, foi aplicado a Oficina de Vídeo, coordenada por Ana Luiza Campos, que tinha como objetivo, introduzir a linguagem áudio-visual, ensinado noções básicas aos alunos e buscando familiarizá-los com o processo de produção que seria concluído com um vídeo documentário onde eles exerceriam as funções com as quais mais se identificassem, sendo que o roteiro seria criado em conjunto, pelo menos o argumento inicial.

Não era obrigatório o tema do vídeo ser Pelourinho, mas todos os quatro grupos acabaram escolhendo-o. Talvez pela facilidade de estarmos no local, mas o fato é que a construção do processo criativo demonstrou a grande diversidade e variedade que tínhamos ali, se era pra fazer um vídeo com tema livre, por que não sobre o Pelourinho?

Sem querer cair no clichê, naquele local poderia ser explorado diversos temas relacionados à cultura, história e costumes do nosso povo. E assim foi feito. Cada um imaginou uma idéia diferente, sobre um ponto de vista próprio. Foi bastante interessante esse “brainstorm” inicial. Falar sobre as pessoas que vivem lá, o comércio, a cultura, um personagem específico, os dois lados do local, a história, o artesanato, enfim, cada um buscou o seu questionamento, a sua vontade particular, para depois ser reunida em quatro grupos, dois do turno matutino e dois do turno vespertino.

Passando por este processo junto a eles, percebi o quanto os moradores da cidade valorizam e conhecem pouco o local, sempre repleto de turistas brasileiros ou estrangeiros. É aquela história do santo de casa que não faz milagre. Então, caros colegas, visitem o Pelô. Os resultados da oficina, que postarei em breve, demonstram o quanto ainda pode ser explorado deste celeiro cultural.

Pesquisar no Pelô, foi...
andar muito, observando...
e anotando todos os detalhes...
desse rico universo cultural.

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Apresentação

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Antes de mais nada, manda a boa educação que eu me apresente. Sou Amanda, baiana, soteropolitana, formada em publicidade e propaganda e escritora desde que fui alfabetizada. Fiz uma pós-graduação em roteiro e venho desenvolvendo projetos, livros, curtas, longas, enfim, a intenção é contribuir um pouco com a criação de conteúdo, sem perder o foco na consciência de algo que vise o entretenimento, mas com mensagens positivas. Afinal, há vida inteligente no outro lado da tela.

Assim, no ano passado, fui convidada para participar de um projeto interessante no Pelourinho. Uma oficina de vídeo realizada pela Ong Oficina das Artes. Ensinar é sempre aprender um pouco mais, e durante todo o processo muita coisa aconteceu e deixou saudades. Seguindo a filosofia “antes que me esqueçam”, resolvi deixar registrado nesse espaço cybernético, tão popular e livre toda a minha experiência com esses meninos criativos, e com isso, passar para vocês um pouco do Pelourinho, local onde as aulas aconteciam e tema dos quatro vídeos produzidos pelos alunos como conclusão do curso.

Existem algumas ONGs no Pelourinho e projetos parecidos como este, acontecendo atualmente. Por isso, acredito que contar esta experiência é uma inspiração e uma confirmação de que o Pelourinho, além de um ótimo lugar para se viver, visitar e trabalhar, é também um espaço de resgate social e exemplo para a cidade.

Para me ajudar nessa jornada, conto com a ajuda de Ari Cabral, que também um bom “escrevente” sempre colabora com boas idéias. As fotos utilizadas foram tiradas durante o processo por mim, Ana Luiza Campos e Grace Gomes.

Espero que gostem, divulguem e comentem.
Abraços

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