tes posts fazem parte do primeiro blog criado, CinePelô que era para narrar a experiência que tive como professora de roteiro na Oficina das Artes. Deixei aqui no espaço do CinePipocaCult como registro de um momento.
O curso foi dividido em quatro módulos (roteiro, câmera/fotografia, produção/direção e edição) intercalados por três momentos de estimulo e avaliação através da arquiteta e arteterapeuta Grace Gomes. A mim, coube as aulas de roteiro, primeiro módulo a ser dado, era o início de tudo. Seguindo com câmera/fotografia por Paulo Hermida, produção/direção por Ana Luiza e edição por Débora Freire.
Tinha em minhas mãos um grupo bastante heterogêneo, mas a maioria não tinha noção do audiovisual. Então, a idéia foi começar percebendo o que eles tinham como referência de bons filmes e estimular o poder de síntese das idéias. Cada um teve que escolher um filme que mais gostou para escrever primeiro a
storyline e depois a sinopse do mesmo.
Para quem não conhece a linguagem,
STORYLINE é o resumo da história em até 5 linhas. E
SINOPSE, no caso de cinema, é um resumo um pouco mais extenso, ainda na linguagem literária, que só depois passa para o argumento (que já está no âmbito da dramática, ou seja, é descrito o que se vê na tela, mas ainda sem separação de cena e falas).
Foi interessante perceber o quanto de cinema brasileiro foi citado pelos meninos (E há quem insista que ele não tem público), claro que “Cidade de Deus” foi o mais citado (ainda não tínhamos “Tropa de Elite”, e “Ó Paí Ó” estava prestes a estrear. Nossa! Como o tempo passa!). Mesmo assim, muito blockbuster foi citado e defendido.
Nada contra os blockbusters, cada filme tem a sua função, e o americano se especializou em um cinema entretenimento, é uma opção dos grandes estúdios que visam o lucro fácil. Quem somos nós para julgar? Pior é ficar com esse discurso reacionário de que cinema é arte, fazer um filme cabeça para meia dúzia de amigos verem e passar a vida frustrado. Mas, eu acredito que é possível um cinema de conteúdo para grandes públicos. É só ter uma rede de distribuição e saber chegar ao expectador. Só que esse é assunto para outro tema.
E assim, seguimos as aulas, com noções sobre o processo de criação da história, estratégias de roteiros, termos e formatação, tudo à principio no campo da ficção, tendo os filmes como exemplos e alguns roteiros para analisar e comparar com o produto final. Na segunda etapa, falamos de documentários, que seria o produto final do curso.
Mostrei de tudo um pouco. “Peões” e “O fim e o princípio” de Eduardo Coutinho (principal documentarista brasileiro), “A pessoa é para o que nasce” (Roberto Berliner), o curta-metragem (1998) que deu origem ao longa (2003), pois este considero menos interessante, “Buena Vista Social Club” (Win Wenders, 1999), um dos filmes que mais empolgou os alunos e alguns polêmicos para discutirmos até que ponto o formato de documentário pode ir, como “A Marcha dos Pingüins” (Luc Jacquet, 2006) e “Fahrenheit 9/11” (Michael Moore, 2004) que gerou uma ótima discussão sobre a ética no cinema.
Roteiro de documentário é sempre um tema complexo, já que imaginamos uma coisa que depois vai se modificando na gravação, mas o que passei para eles, principalmente, foi que é preciso planejar até mesmo o improviso, senão, ficamos com uma câmera na mão e a cara de tacho, por não ter idéia de como começar. Os exemplos foram uma forma de estimular a criatividade em relação a planos e montagens possíveis.
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