O som no cinema

Estes posts fazem parte do primeiro blog criado, CinePelô que era para narrar a experiência que tive como professora de roteiro na Oficina das Artes. Deixei aqui no espaço do CinePipocaCult como registro de um momento.

Ainda nem acabou o Seminário Internacional de Cinema, outro grande evento é anunciado em Salvador. Começaram hoje as incrições para O som no cinema: mostra e curso realizado pela Caixa Cultural.

O evento, de 12 a 24 de agosto, contará a história do cinema através do som. Sendo exibido diversos filmes de grande relevância pela tarde, terminando com palestras de especialistas de renome sempre às 18:30.

É mais uma oportunidade para o público de Salvador tão carente de bons eventos cinematográficos. Vale a pena conferir. Para se inscrever gratuitamente basta enviar e-mail para: cursos@telabrasilis.org.br, com o assunto "Solicitação de inscrição - Mostra O som no cinema". Agora corra que as vagas são limitadas.

Programa CAIXA Cultural Salvador

terça-feira, 12 ago
14h O cantor de jazz (Alan Crosland, 1927)
16h M. O vampiro de Dusseldorf (Fritz Lang, 1931)
18h30 palestra O cinema mudo e a passagem para o cinema sonoro
Fernando Morais
Mestre e Doutor em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense. Defendeu dissertação e tese sobre som no cinema. É professor do Departamento de Cinema da Universidade Estácio de Sá.

quarta-feira, 13 ago
14h Crepúsculo dos deuses (Billy Wilder, 1950)
16h A marca da maldade (Orson Welles, 1958)
18h30 palestra O cinema clássico-narrativo
Fernando Morais
Mestre e Doutor em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense. Defendeu dissertação e tese sobre som no cinema. É professor do Departamento de Cinema da Universidade Estácio de Sá.

quinta-feira, 14 ago
14h Amor sublime amor (Robert Wise e Jerome Robins, 1961)
16h Carnaval Atlântida (José Carlos Burle, 1952)
18h30 palestra Os musicais clássicos
Suzana Reck Miranda
Musicista e Pesquisadora. Mestre e Doutora em Multimeios – UNICAMP (Linha de Pesquisa: Cinema). Docente dos Cursos de Rádio e TV e de Cinema na Universidade Anhembi Morumbi. Líder do Grupo de Pesquisa Mídia e Sonoridades (Universidade Anhembi Morumbi), no qual coordena a linha de pesquisa Poéticas sonoro-musicais e suas significações.

sexta-feira, 15 ago
14h Meu tio (Jacques Tati, 1958)
16h Pickpocket (Robert Bresson, 1959)
18h30 palestra As experiências inovadoras
Suzana Reck Miranda
Musicista e Pesquisadora. Mestre e Doutora em Multimeios – UNICAMP (Linha de Pesquisa: Cinema). Docente dos Cursos de Rádio e TV e de Cinema na Universidade Anhembi Morumbi. Líder do Grupo de Pesquisa Mídia e Sonoridades (Universidade Anhembi Morumbi), no qual coordena a linha de pesquisa Poéticas sonoro-musicais e suas significações.


sábado, 16 ago
12h O cantor de jazz (Alan Crosland, 1927)
14h M. O vampiro de Dusseldorf (Fritz Lang, 1931)
16h Crepúsculo dos deuses (Billy Wilder, 1950)
18h A marca da maldade (Orson Welles, 1958)

domingo, 17 ago
11h30 Amor sublime amor (Robert Wise e Jerome Robins, 1961)
14h Carnaval Atlântida (José Carlos Burle, 1952)
16h Meu tio (Jacques Tati, 1958)
18h Pickpocket (Robert Bresson, 1959)

terça-feira, 19 ago
14h A opinião pública (Arnaldo Jabor, 1964-1967)
16h Crônica de um verão (Jean Rouch, 1960)
18h30 palestra Paisagem sonora no documentário: do som direto das ruas à performance da voz e da música
Hernani Heffner
Professor de História do Cinema Brasileiro e História do Cinema Mundial na PUC-Rio e Conservador-chefe da Cinemateca do MAM (RJ)

quarta-feira, 20 ago
13h Star wars – Uma nova esperança (George Lucas, 1977)
15h Apocalypse now – Redux (Francis Ford Coppola, 1975)
18h30 palestra Sound design multicanal
Hernani Heffner
Professor de História do Cinema Brasileiro e História do Cinema Mundial na PUC-Rio e Conservador-chefe da Cinemateca do MAM (RJ)

quinta-feira, 21 ago
14h Baile perfumado (Lirio Ferreira e Paulo Caldas, 1997)
16h Filme de amor (Júlio Bressane, 2003)
18h30 palestra O som no cinema brasileiro contemporâneo
Virgínia Flores
Professora da Universidade Gama Filho no Curso de Cinema. Mestre em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com a dissertação O cinema uma arte sonora. Editora de som de filmes como Cleópatra (Júlio Bressane, 2006) e Nome próprio (Murilo Salles, 2007).

sexta-feira, 22 ago
14h Veludo azul (David Lynch, 1986)
16h Dançando no escuro (Lars Von Trier, 2000)
18h30 palestra O som no cinema contemporâneo
Virgínia Flores
Professora da Universidade Gama Filho no Curso de Cinema. Mestre em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com a dissertação O cinema uma arte sonora. Editora de som de filmes como Cleópatra (Júlio Bressane, 2006) e Nome próprio (Murilo Salles, 2007).


sábado, 23 ago
12h A opinião pública (Arnaldo Jabor, 1964-1967)
14h Crônica de um verão (Jean Rouch, 1960)
16h Star wars – Uma nova esperança (George Lucas, 1977)
18h Apocalypse now – Redux (Francis Ford Coppola, 1975)

domingo 24, ago
12h Baile perfumado (Lirio Ferreira e Paulo Caldas, 1997)
14h Filme de amor (Júlio Bressane, 2003)
16h Veludo azul (David Lynch, 1986)
18h Dançando no escuro (Lars Von Trier, 2000)

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Não por acaso...

Estes posts fazem parte do primeiro blog criado, CinePelô que era para narrar a experiência que tive como professora de roteiro na Oficina das Artes. Deixei aqui no espaço do CinePipocaCult como registro de um momento.

Um dia, voltando de uma das aulas de roteiro da oficina, tive que ficar parada em frente à igreja do Carmo, por um bom tempo. Perguntei a pessoa que estava no bloqueio do que se tratava e eles explicaram que era por causa de uma filmagem. Coincidências da vida. O cinema estava rodeando mais uma vez o Pelourinho.

O filme em questão era o Dez Centavos, de César Oliveira. O curta baiano foi o primeiro a representar o estado no Festival de Cannes este ano e conta a história de um dia na vida de um menino de rua.

O curta foi patrocinado pelo Prêmio Braskem, que anualmente escolhe um projeto de curta-metragem e tem sido de muita ajuda para a fomentação do cinema baiano. Dez Centavos já tem uma carreira bastante interessante, tendo participado de diversos festivais e ganho alguns prêmios. É uma prova de que a Bahia está em um grande momento criativo e que o cinema local tem tudo para crescer ainda mais.

E por que eu venho a esse tema hoje? Simples, amanhã começa o IV Seminário Internacional de Cinema no Teatro Castro Alves. Diversos filmes e palestras irão discutir temas diversos sobre a área e vale a pena uma atenção especial ao que estamos fazendo por aqui.

O curta Dez Centavos está participando da mostra competitiva de curtas e será exibido no dia 24/07 (às 8:30), no sábado será conhecido o vencedor. É mais uma oportunidade para os baianos prestigiarem esta e outras obras. Mas não esqueçam de ver toda a programação do Seminário.

Ficha Técnica:
Produzido e Dirigido por: Cesar Fernando de Oliveira

Roteiro: Reinofy Duarted

Direção de Fotografia: Matheus Rocha

Direção de Arte: Miniusina de Criação

Montagem: Amadeu Alban, Cesar Fernando de Oliveira

Som Direto, Edição de Som e Música: Richard Meyer

Mixagem: Luiz Adelmo, Bernardo Pacheco

Produção Executiva: Amadeu Alban

Direção de Produção: Maira Cristina

Produção: Santo Forte Imagem & Conteúdo



Apresentando: Jorge Júnior

Atores convidados: Fernando Fulco, Narcival Rubens

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Saiu o resultado

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O resultado do concurso Redes-Cobrindo o Pelô, saiu e infelizmente o Cine Pelô ficou de fora da premiação. Parabéns aos vencedores: Coração do Mundo, Pelourinhando e Terreiro Raiz.
Mas, nem por isso o blog deixará de existir, nossa história continua. Cada vez mais buscaremos novas dicas e histórias sobre o Pelourinho, cinema e inclusão social. Participem e divulguem essa idéia.

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Último dia

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Hoje é o último dia para votação do concurso Redes-Cobrindo o Pelô. Antes de mais nada, gostaria de dizer que, independente do resultado de amanhã, este blog continuará funcionando e sendo atualizado.
O concurso foi um estímulo inicial para uma idéia que sempre tive: compartilhar experiências sobre cinema, roteiro e as possibilidades de inserção social que oficinas como a descrita aqui proporcionam.
A idéia principal do concurso era chamar a atenção para o centro histórico e acho que o intento foi conseguido com sobras. Muitas histórias foram contadas, sob diversos pontos de vista, tendo o Pelourinho como protagonista.
Todos estão de parabéns e agora é esperar que os demais concorrentes também continuem suas boas idéias e divulguem a nossa cidade aqui e lá fora.

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TV Pelourinho - Uns vão outros vem

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Enquanto a Oficina das Artes possui apenas a placa em frente a antiga sede, a ONG Ação Pela Cidadania em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza está realizando as oficinas profissionalizantes através do programa Jovens Baianos e Associação dos Moradores do Centro Histórico (Amach). O curso se restringe aos jovens entre 16 e 24 anos, residentes no Centro Histórico, que foram selecionados pelos professores para as oficinas específicas. Os alunos, inclusive, estão recebendo uma bolsa auxílio para frequentar as aulas.

Ali, ao contrário do Cine Pelô, o aluno passa apenas pelo módulo que ele acredita ser o que se identifica mais. Sendo assim dois viés se instalam. Por um lado, a turma é mais homogênea e o curso pode ser mais profundo, por ser tão específico. Porém, por outro lado, o jovem não tem a possibilidade de conhecer as outras funções, o que restringe a descoberta de novos talentos.

Penso que o ideal seria a junção dos dois, como era a proposta inicial da Oficina das Artes, hoje fechada por falta de patrocínio. Os alunos poderiam ter cursos básicos, passando por todas as funções do audiovisual e posteriormente oficinas específicas. Para fazer as oficinas avançadas o aluno deveria como pré-requisito ter participado do curso básico.

Acredito que Educação não é apenas dar uma ferramenta de trabalho, mas mostrar possibilidades, abrir os caminhos do aluno para pensar o mundo, a cultura e a sua própria vida. De qualquer forma, é sempre bom saber que o Pelourinho continua com ações de inclusão social, pois são projetos como esse que fazem com que a reabilitação do Centro Histórico seja uma realidade e não apenas uma bandeira de propaganda política.

As oficinas da TV Pelourinho são:
Roteiro (Roteirista): Prof. Karina Rabinovitz
Direção (Diretor/Líder): Prof. Silvana Rezende
Interpretação (ator/atriz): Prof. Paulo Barros (Teatro) e Profª Cristiane Ferreira (Cinema e Vídeo)
Direção de Arte/Figurino (Cenógrafo/Figurinista): Profº Zuarte Jr
Direção de Fotografia (Cinegrafista/Iluminador): Prof. Danilo Rabinovitz
Produção para TV e Vídeo (Produtor): Prof. Daniel Fróes
Áudio (Técnico de Áudio): Prof. Daniel Ribeiro
Edição (Editor): Prof. Igor Souto

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Arte nas mãos

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O artesanato é uma arte manual e singela. O Pelourinho, como foi visto no vídeo 4, está repleto desses artistas. Os chamados artistas de rua, tão pouco valorizados, foram captados com muita sensibilidade pelos meninos que mostraram que o trabalho manual é repleto de diversidade e que enriquece a nossa cultura. Estar na rua não é demérito para essas pessoas que buscam sobreviver de suas aptidões.

Volto a esse tema, porque, na crítica, fiquei centrada na questão de arte versus comércio e acabei não aprofundando no assunto principal do vídeo. Lembro bem do início do processo criativo. Um dos garotos ficou bastante impressionado com um artista de rua que pintava os seus quadros na calçada. Ele chamou a atenção para ele e ficamos um bom tempo observando o rapaz pintar um belo quadro.

Voltando para a sala de aula, o aluno expressou sua vontade de falar sobre os artesãos de rua. Foi emocionante a empolgação dele com o tema, os outros se juntaram a ele, aos poucos, abraçando a idéia com a mesma vontade. Eles queriam poder contemplar os mais diversos tipos de artesanatos: pintura, bijuterias, argila. Enfim, mostrar as diversas possibilidades de arte das ruas. Essa é nossa verdadeira cultura, que espalhada pelas ruas do Pelourinho, passa despercebida por muitos.

É preciso valorizar esses artistas, assim como todas as formas de manifestações artísticas que temos em nossa cidade. Da próxima vez que for ao Pelourinho, dê uma olhada nas esquinas, você pode se surpreender com pequenas obras de arte.

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Manifesto Olodum

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Continuando a idéia principal deste blog, quero citar aqui o trabalho do Bloco Afro Olodum, com sede no Pelourinho. Muito mais que uma entidade do Carnaval, eles possuem diversos projetos sociais e educacionais. A visão do bloco sempre foi de protesto e revitalização do local, como já dizia a letra da música: "declaro a nação, Pelourinho contra a prostituição, faz protesto manifestação, e lá vou eu". E além disso, eles têm projetos efetivos sobre o assunto.

“A Escola Criativa Olodum busca garantir às crianças e adolescentes atenção e respeito aos valores culturais, artísticos e históricos próprios de seu contexto social, garantindo também sua liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura.” Eles têm, também, o centro de documentação e memória Olodum que cuida de toda a história da entidade. Há também, o bando de Teatro Olodum, a princípio vinculado ao bloco. Este era composto por atores negros, e em 1992 montou a peça Ó paí ó. Grande sucesso, trazia um texto ácido sobre a primeira reforma do Pelourinho. Em 1994, o bando se desvinculou do Grupo e foi para o Teatro Vila Velha, ajudando a revitalizar o local, sempre com temáticas ligadas às questões dos negros.

Em 2007, o texto de Ó Paí Ó foi adaptado para o cinema. Não tendo mais uma crítica tão forte ao Governo, tornou-se um retrato divertido das pessoas do Pelourinho. Ana Luiza Campos, coordenadora da oficina de vídeo do Cine Pelô, participou da produção dele como produtora de arte e diz que a experiência foi bastante gratificante. Este ano, ela está novamente no Pelourinho, participando das gravações do novo Ó Pai Ó, que deve virar minissérie na Rede Globo, ano que vem.

Filmagens no Pelourinho se tornaram cada vez mais comum, a medida que o local foi se tornando conhecido como centro histórico e turístico. Um filme famoso que passou por lá, foi O pagador de promessas, a escadaria em frente a Igreja Nossa Senhora dos Passos é conhecida até hoje como locação do filme, que depois também virou minissérie da Rede Globo.


Trecho do filme


Abertura da Minissérie

Outra gravação conhecida foi o clipe de Michael Jackson. Tudo isso, mostra que Pelourinho e Cinema andam juntos, sendo o Cine Pelô uma iniciativa que pode gerar ainda muitos frutos.

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Oportunidades perdidas

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Volto ao assunto do vídeo 2, No olho da rua, a pedidos. E também, porque este é o assunto que rege o blog. A função das ONGs é mesmo dar oportunidades, visando a inclusão social, e trabalhos como este que foi realizado pelo Cine Pelô são essenciais à sociedade.

O vídeo fala da Oficina das Artes, ONG que ofereceu o CinePelô e que fechou as portas no ano passado. E do Projeto Axé, uma das ONGs mais antigas da cidade, que também tem sede no Pelourinho.

É inegável a importância de uma organização que visa a inclusão social, dando oportunidades a pessoas que teriam dificuldades de conseguir uma chance no mercado competitivo em que vivemos hoje. A Oficina das Artes possuía diversos cursos e oficinas de música e arte, sendo inclusive a sede da Orquestra Baiana de Axé (OBA). Um projeto criativo de Emília Biancardi, que se apresentou em diversos locais pelo estado.

O projeto Axé continua em atividade e possui diversas oficinas e cursos que auxiliam os meninos a desenvolver atividades artísticas produtivas. Como o próprio site diz: "Em 15 anos de existência passaram pelo Axé cerca de 13.700 crianças e adolescentes. Atualmente o Axé assiste 1.547 crianças e jovens dos 5 aos 21 anos de idade, onde aproximadamente 40% são meninas. Através do processo educativo e artístico o Axé luta para tirar tantas jovens vidas do abuso sexual e de trabalho."

Por que lembrar isso agora? Para que as pessoas que lêem esse blog possam refletir, rever os vídeos dos garotos do CinePelô e percebam que, mesmo sendo projetos de ONGs, fazem parte do trabalho que é função do Governo e da sociedade, zelar pela população menos favorecida. Dar oportunidades é obrigação de todos.

Com o fechamento da Oficina das Artes, uma porta se fechou e oportunidades são perdidas. Outras instituições continuam, claro, mas muitas outras deveriam existir. E uma das funções deste blog é chamar atenção para isso.

Além disso, a Bahia tem uma produção audiovisual que ainda engatinha. Estamos nos organizando, muitas produções estão sendo previstas para este ano. Porém, são poucos os cursos profissionalizantes, mesmo pagos. Assim, muita produção vem para cá trazendo profissionais de fora.

Oficinas de vídeo, então, onde produções sejam realizadas, é de suma importância para o mercado audiovisual baiano. Esses meninos podem efetivamente trabalhar, seja em cinema, televisão ou a publicidade, que tantos profissionais absorve, já que infelizmente o cinema ainda não se sustenta.

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E a Oficina das Artes fechou

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Não deixei claro até então, para não atrapalhar a empolgação com o projeto, porém, desde setembro do ano passado, a Oficina das Artes não tem atividades por falta de patrocínio. Foi triste vê-la fechando as portas, a luta de todos os funcionários, a Orquestra de Axé da Bahia. Seus projetos eram bancados por empresas através do FazCultura, que dá isenção de impostos em troca de apoio cultural para as marcas participantes.

Há aí, duas incongruências que regem a arte na Bahia e no Brasil. Primeiro, uma ONG (Organização Não-governamental) que depende do Governo para existir. Poderíamos, então, culpar seus administradores? Eu acho que não. Por um motivo muito simples: o empresariado só quer patrocinar através de leis de incentivo. Aí é que está o problema. Quando a Lei Rouanet surgiu em 1991, foi com a intenção de educação. A idéia de Rouanet era que, ao mostrar ao empresário que investir em arte dava retorno, ele passaria a apoiá-la independente do incentivo fiscal. Porém, o que aconteceu foi que o empresário se acostumou com o sistema e ficamos em um ciclo vicioso, onde só tem patrocínio quem tem a lei de incentivo, ao mesmo tempo que só consegue a verba da lei de incentivo quem já tem um patrocinador certo. Afinal, é cômodo para eles, apoiar um projeto, colocar sua marca, gerando várias mídias espontâneas, e só tirar efetivamente do bolso 10%, já que o resto é um repasse do imposto já devido.

É uma situação triste, embora seja a realidade do nosso sistema cultural. Os fundos de cultura estão começando a mudar essa situação e muita coisa ainda tem que acontecer para que projetos como este voltem a existir não apenas no Pelourinho, mas em toda a cidade.

Quem sabe conhecendo esta história através desde blog, empresários e políticos, tenham a idéia de criar novos cursos. Alguns alunos vieram me procurar, perguntando sobre a continuação dele, interessados em participar. A idéia era mesmo fazer novas oficinas, mas sem o patrocínio ficamos na primeira experiência. Este é um setor promissor, que ajuda a revitalização do Pelourinho e gera empregos, pois nem só de festa vive a cidade.

Continuem visitando o blog, pois a oficina acabou, mas os assuntos aqui ainda não. Vamos ainda conversar sobre diversas possibilidades e também contar a experiência do CinePelô sob outros ângulos. Este é um movimento que não acaba aqui, nem mesmo com o final do concurso "Redes-Cobrindo o Pelô", este foi apenas um incentivo para divulgar uma manifestação ainda maior.

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2 de julho

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Hoje é a comemoração da Independência da Bahia. Após a independência oficial do Brasil em 7 de setembro, a Bahia ainda teve que lutar por muitos meses para, apenas em 2 de julho de 1823, expulsar definivamente os portugueses daqui. Alguns personagens se tornaram heróis históricos como Joana Angélica.


Joana Angélica foi a primeira mártir da Independência da Bahia, graças a seu ato heróico nos portões do convento da Lapa. Era uma moça nascida de uma família abastada, filha de José Tavares de Almeida e Dona Catarina Maria da Silva. Com vinte anos, surpreendeu a família indo para o convento. Em 19 de fevereiro de 1822, os soldados portugueses atacaram o Forte de São Pedro, esconderijo dos combatentes baianos. Ainda assim, acreditavam que estivessem se escondendo em outros lugares, como o Convento da Lapa. Foi uma agonia para aquelas moças, imagine se os soldados invadissem o local com elas lá dentro? Foi, então, que Joana Angélica se colocou na frente dos portões e disse a célebre frase: "Para trás, bandidos. Respeitem a Casa de Deus. Recuai, só penetrareis nesta Casa passando por sobre o meu cadáver." Os soldados obedeceram e passaram por cima da freira, invadindo o local. Os libertários utilizaram o exemplo de Joana Angélica para demonstrar a crueldade da coroa portuguesa e insuflar novos simpatizantes da causa.


Em 1979, Walter Lima Jr. fez um média metragem sobre a mártir. Era para ser um piloto para uma série de televisão "Gesto Histórico", porém, este nunca foi exibido. Fica aqui o registro, já que fazer cinema na Bahia, é sempre uma aventura árdua.

E como estamos falando de cinema, lembro de outro personagem que ficou famoso: o corneteiro Lopes. Foi ele quem, na batalha decisiva trocou o toque de retirada para avançar cavalaria degolando, assustando assim o exército português que fugiu perdendo armas, munição e a batalha. Em 2003, Lázaro Faria dirigiu um curta-metragem contando esta história. O curta passou diversas vezes na TVE e é um bom exemplo para ser citado no dia de hoje.


O Corneteiro Lopes
Ficha técnica:
Título original: O Corneteiro Lopes
Gênero: Ficção
Tempo de duração: 21 minutos
Ano de lançamento: Bahia - Brasil - 2003
Direção: Lázaro Faria

Elenco:
Nuno Lopes
Thalma de Freitas
Leandro Firmino
Gideon Rosa
Marcelo Praddo
Celso Júnior

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