Syd Field
Considerado o "papa" do manual de roteiro norte americano, Syd Field veio novamente ao Brasil para um workshop em São Paulo. Infelizmente, passou, mais uma vez, longe da Bahia que tem poucos eventos de grande porte. Apesar de palestras esporádicas, como a de Win Wenders no Teatro Castro Alves na última quarta-feira (20/08).
Mesmo assim, é bom saber que o Brasil está trazendo eventos assim, e que existem pessoas que compartilham seus conhecimentos na net. Falo de Leonardo de Moraes, que colocou seus apontamentos sobre o workshop no seu blog do GRTV.
Através do que ele escreveu, podemos sentir que Field continua se atualizando e atento ao que de novo surge no universo dos filmes. Além dos já conhecidos apontamentos sobre os três atos (que diga-se de passagem não foi ele quem criou, como muitos afirmam, já que Aristóteles já falava disso em sua Poética) ele nos traz a consciência de que os roteiros mudaram muito nas últimas décadas, tornando-se cada vez mais visual e menos explicativo através de texto (Não me conte, me mostre). Fala também, que os roteiros estão cada vez menos lineares, utilizando-se de "flashbacks" e "flashforwards", além da voz over para costurar a narrativa.
Isso de certa forma, quebra um pouco a tradição dos manuais de roteiro em geral, que costumam condenar tal prática, considerando como "erros" de roteiristas inexperientes. A verdade é que bons filmes têm que ser bem estruturados e ter motivos para se utilizarem de certas ferramentas. O filme Amnésia é um bom exemplo, onde o roteirista brincou com o conhecido contando uma história de traz para frente, intercalada por uma sequência de uma conversa pelo telefone que segue a linearidade, mas está localizada em um tempo não totalmente definido.
Syd Field afirmou em seu livro Quatro roteiros que, de certa forma, todos, não importa a cultura ou país, estão interessados em aprender um pouco mais sobre roteiro. Segundo Field, essa afirmação se deve às suas inúmeras conferências pelo mundo, seja com ministros da cultura, roteiristas e cineastas, diplomatas e homens de negócios, atores e técnicos, todos se interessam pelo tema. Então, só nos cabe reverencía-lo e discutir suas idéias, sem o preconceito de que ele só ensina fórmulas. Afinal, a construção de uma história tem que seguir uma certa estratégia.






























