24/06/2009

Os Falsários

Os Falsários PosterCom o dinheiro judeu bancando o Oscar é fácil apostar que filmes sobre o holocausto sempre irão figurar entre os vencedores. Mas, o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro é de fato um bom filme. Não sei se o melhor, já que pessoalmente, gostei muito mais do inusitado Valsa com Bashir, mesmo assim merece ser visto.

A trama é baseada na história real da "Operação Bernhard". Uma ação do governo alemão, utilizando presos dos campos de concentração para falsificar dinheiro inglês e americano, na tentativa de desestabilizar os cofres inimigos e vencer a guerra. A verdade é que os alemães estavam com dificuldades financeiras e dinheiro falso os ajudaria também a comprar subsídios para luta.

Parece que o cinema alemão está tentando de toda forma limpar a imagem do nazismo de sua história, resgatando temas heróicos pouco conhecidos do resto do mundo. O primeiro passo foi Operação Valquíria, refilmado por Hollywood com Tom Cruise no papel principal. Agora, em Os Falsários, ele levanta a questão ética dos prisioneiros, que mesmo ameaçados pelo horror dos campos e o eminente fuzilamento, conseguem boicotar a operação, retardando a produção de dólar falso, ao se recusar a ajudar o nazismo a vencer a guerra. A questão é: o que vem primeiro, a própria sobrevivência ou a questão mundial? Que adianta sobreviver naquelas situação e manter o nazismo no poder?

Os Falsários Karl Markovics
Stefan Ruzowitzky consegue uma direção limpa, não mostrando apenas o horror dos campos de concentração como a questão ética, principalmente na figura do seu protagonista, o falsário Salomon Sorowitsch, vivido muito bem pelo ator Karl Markovics. Acostumado a pequenos golpes, Sally (como é conhecido) acaba preso pelo governo alemão e levado ao campo de concentração. Lá, começa a sobreviver pintando quadros de oficiais em troca de pequenas regalias. Ao ser transferido para Sachsenhausen, onde será o coordenador das falsificações, ele conhece outras histórias e começa a ser humanizado, mostrando valores éticos e códigos de honra próprios.

A direção peca um pouco, apenas na textura cinza, já comum e batida dos campos de concentração, assim como alguns momentos em que procura criar suspense e ação, como se quisesse inserir o filme no gênero de guerra. Porém, Os Falsários não é um filme de guerra, é um drama humano que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Não precisa ser mais do que isso. O roteiro com uma narrativa não linear no início e final, ajuda a criar um clima para a questão principal do filme, assim como construir uma empatia com o personagem Sally. Apenas um detalhe no final acaba tirando um pouco do brilho do mesmo.

Os Falsários
Como os letreiros finais gostam de lembrar "A Operação Bernhard" imprimiu 134 milhões de libras, o equivalente a três vezes a reserva dos cofres britânicos, mas o retardamento da produção do dólar ajudou a enfraquecer a operação, ajudando no resultado da guerra. Fica a questão: é certo pôr em risco todo um ideal e bem estar mundial pela sobrevivência própria? O filme deixa que o espectador pense no que faria se estivesse no lugar desses prisioneiros. Difícil de imaginar, mesmo assim vale um exercício de consciência.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

2 opiniões:

Fred Burle disse...

Amanda, esse filme foi vencedor no ano passado e Valsa com Bashir foi indicado esse ano. Eles não concorreram entre si...
Eu não consegui achar graça neste.
O vencedor desse ano, A Partida, dá de 10 nos falsários.

25 de junho de 2009 01:09
Amanda Aouad disse...

Xii, que fora, hehehe. Confundi as bolas, porque vi os dois esse ano.

25 de junho de 2009 11:15

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