08/06/2009

Um cinema nacional bem visível

É um crescente, não resta dúvidas. O cinema nacional está cada vez mais firme, com bons filmes sendo lançados por mês. Ainda não temos uma indústria forte, basta olhar a quantidade de Lei de Incentivo, patrocínio e parcerias necessárias para colocar um filme nas telas. Mesmo assim, um paradigma parece começar a ser quebrado. As bilheterias crescem a olhos vistos e, pelo menos, um gênero parece se firmar no país: A comédia. Após o sucesso de Se eu Fosse Você (1 e 2) e Divã, chega a vez de A Mulher Invisível. Longa que demorou quatro anos para ser lançado, acabou rotulado de oportunista, pegando carona nos sucessos anteriores. Porém, acaba se mostrando o mais fraco da série.

Pedro é um controlador de tráfego, homem comum, fiel e apaixonado pela esposa. É surpreendido com a notícia de que está sendo abandonado e entra em depressão profunda. Sua vida melhora quando ele conhece Amanda, uma vizinha nova que além de linda, limpa a casa, lava, cozinha, é boa de cama, não é ciumenta e adora futebol. Ou seja, a mulher perfeita. Tão perfeita que não é real.

Luana Piovani a mulher invisívelNão vou aqui entrar no mérito que alguns cinéfilos insistem de que cinema de comédia é bobo, vazio, entretenimento pipoca, etc. É mesmo. Como muitos filmes de Hollywood, é um produto despretensioso, que visa o entretenimento puro e as bilheterias. Repito o que disse na crítica de Se eu Fosse Você 2, que bom que o Brasil já está fazendo esse tipo de filme bem. Acho também, que temos bons filmes em outros gêneros e que temos que continuar investindo neles. Porém, se é para analisar esse, temos que vê-lo como ele é e não exigir algo que ele não pode dar.

É um filme engraçado, sem dúvidas, com um bom elenco, situações inusitadas e piadas com ritmo. Porém, há um problema no roteiro que acaba deixando este aquém no gênero a que se propõe. É inteligente a forma como ele amarra a história dos dois vizinhos, entrelaçando os personagens principais e nos levando a resoluções previsíveis, mas não menos interessantes. O problema é a economia narrativa. Economia aqui no sentido de distribuição das viradas no roteiro, que ficam excessivas, tornando o filme cansativo do meio para o final. Além de apelar em alguns momentos, como Amanda torcendo para o "clássico" da terceirona: Luziânia x Sobradinho.

Selton Mello Vladimir Brichta a mulher invisívelO personagem de Selton Mello[bb] acaba sendo pouco desenvolvido, ficando raso, estereotipado, apesar da boa interpretação do ator. Em compensação, Vladimir Brichta consegue ser mais do que uma orelha do protagonista, ganhando força no final. Maria Manoella está ótima no papel da vizinha apaixonada, bisbilhoteira, assim como Fernanda Torres como a irmã com tiradas engraçadas. Luana Piovani é a grande surpresa, em um papel tão delicado que podia cair no vulgar, ela encontra o tom da interpretação que dosa o sensual com a comédia, saindo-se muito bem.

Maria Manoella Fernanda Torres A mulher invisívelSegunda comédia de Cláudio Torres, o filme é bem dirigido, com cortes de cameras rápidos, com boa movimentação e um jogo interessante na hora de mostrar a cena com e sem Amanda. E não há aqui uma insistência dos vícios televisivos, nem mesmo na trilha sonora, o que é um avanço considerável nesse tipo de filme brasileiro. Como já disse, vale como entretenimento. Que o cinema nacional consiga encher cada vez mais as salas de cinema.

Resumo do filme, as melhores cenas estão aqui, então... Melhor não ver se quer se surpreender.


Cena cortada, realmente, desnecessária ao filme.


7 opiniões:

Fred Burle disse...

Discordo quando você generaliza que comédia é cinema bobo e vazio, Amanda. Faz pensar muitas vezes e alfineta na alma e no ego, quando bem criado.
Concordo plenamente que o filme se arrasta do meio pro final, cheio de excessos.
Por ser de Brasília, ri muito da Amanda (não você) vendo o jogo da terceirona. Ri da própria desgraça! rsrs
Quanto à Luana, para mim é a melhor coisa do filme, mas o grande mérito de não ter caído no vulgar é da fotografia, que escolheu a dedo os ângulos da musa, valorizando-a sem precisar mostrar mais do que devia.
No frigir dos ovos, minha crítica coincidiu bastante com a sua.
E se for para dar dinheiro para filmes-pipoca, que seja pro cinema nacional! ehehe

Abraço!

8 de junho de 2009 22:08
nitzombies disse...

quando eu vi o trailer eu ri de umas duas cenas só...

o resto me pareceram piadas prontas, previsiveis...

mas o elenco é bom e acho que vale a pena conferir qdo sair em DVD

Até!

8 de junho de 2009 22:24
Amanda Aouad disse...

Tá certo, Fred, generalizar nunca é bom. Que digam as inteligentes comédias inglesas. Mas, quis falar do estereótipo. E assino em baixo, vamos dar dinheiro ao cinema nacional pra ver se essa indústria se firma de vez.

Nitzombies. O filme é legal, confira sim.

9 de junho de 2009 10:49
Ari disse...

Gosto do cinema nacional mais quando ele tenta simplesmente contar bem uma história do que quando ele parte da premissa ufanista de levantar a moral de um povo ou mostrar a realidade de determinado local. Deixemos isso para os documentários.

O que sinto é que o cinema nacional nunca vai ser bom o bastante se não tiver um volume de obras realmente grande. E isso só será possível no momento em que criarmos uma indústria de verdade. No momento em que produtores consigam ter uma divulgação de qualidade como investimento e consigam reverter a renda com bilheterias e produtos relacionados ao filme para a própria indústria, a fim de viabilizar novos filmes sem os recursos patriarcais do governo.

9 de junho de 2009 14:21
Nobre disse...

acho que ainda falta aos filmes brasileiros serem pensados também no espectro de business, não apenas quanto a satisfação do ego de produtores e diretores, bem como para preencher os requisitos de prestação de contas de leis de incentivo.

estou no aguardo da mulher invisível chegar aqui no interior do rio grande do sul.

amanda, sugestão de pauta para ti partindo de um texto da revista Bravo deste mês: http://bravonline.abril.com.br/conteudo/assunto/sucessos-retumbantes-teatro-nao-funcionam-cinema-474924.shtml

abs

nobrezito

9 de junho de 2009 16:48
Amanda Aouad disse...

Ari e Nobre, vocês tem toda razão, o Brasil precisa ver o cinema como negócio que precisa dar lucro. Sinto ver a Globo Filmes ainda tão tímida nesse aspecto, praticamente apoiando apenas produtores independentes com leis de incentivo. E os filmes citados deram lucro, então, porque não sair desse vício do Governo?

Nobre, sugestão anotada, em breve, estará por aqui.

9 de junho de 2009 17:36
Monica Loureiro disse...

Engraçado, pelo Trailler eu não sentí muita vontade de ver "MULHER INVISÍVEL"....Talvez fosse levar meu filho adolescente, se ele não tivesse nada pra fazer numa tarde de domingo....
E se tivesse desconto no cinema, claro !

Obs: ADOREI O BLOG, muito bom !

9 de junho de 2009 19:24

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails
 

Licença Creative CommonsBlog CinePipocaCult by Amanda Aouad is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Não a obras derivadas License
Based on a work at www.cinepipocacult.com.br
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://www.cinepipocacult.com.br