quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O casamento de Rachel

O Casamento de RachelFinalmente assisti ao filme de Jonathan Demme e gostei muito, merece todos os comentários positivos que já li sobre ele. O filme tem uma estética de vídeo caseiro, o que por um lado é bem legal, já que entra na proposta de uma família, registrando o momento especial que é a preparação para o casamento de Rachel, todo o clima informal. Porém, por outro lado, ele nos lembra o tempo todo estarmos assistindo a um filme. Isso incomodou em alguns momentos, quebra o encanto. De qualquer maneira, a narrativa nos envolve, principalmente pelo bom roteiro da atriz Jenny Lumet, primeiro de sua carreira a ser filmado.

O tema me lembrou muito dois filmes com estética parecida, o eterno Festa de família de Thomas Vinterberg - um dos símbolos do Dogma 95 - e Feliz Natal, de Selton Mello. Os três têm uma família reunida em torno de um grande acontecimento que é desestabilizado pela chegada de um membro problemático. Outros tantos, devem ter usado o mesmo mote, mas a construção fílmica desses me veio logo à mente.

O drama de Kym é forte. A personagem, interpretada muito bem por Anne Hathaway, saiu da clínica de reabilitação para o casamento de sua irmã, expondo feridas de todos ali presentes e criando situações delicadas. Interessante perceber que o filme induz o tempo todo o espectador a esperar que Kym faça uma besteira. Ficamos tensos a cada gesto incomum da personagem, como quando ela pede a palavra no ensaio da cerimônia, ou quando pega o carro após uma forte discussão com Rachel.

Anne Hathaway_casamento de RachelCorrespondendo ou não a nossa angústia, sempre esperamos que na próxima cena venha algo ruim por aí. É nesse ponto que roteiro e direção se unem de forma harmônica criando um conjunto de efeitos que nos permite apreciar o filme, sem nem mesmo ver o tempo passar. A única coisa que destoa do resto é a tão esperada festa de casamento. Alguém explica aquela miscelânia de culturas? Tem até uma escola de samba estilizada. Não entendi o sentido. Quase um pastelão em meio a um drama tão bonito.

De qualquer maneira, O Casamento de Rachel é um filme belo, que expõe as dificuldades do ser humano de amar e ser amado, construindo barreiras entre si, mas ao mesmo tempo sendo capazes de superar grandes tragédias em nossas vidas.

9 opiniões:

Marcelo Augusto Cetreus disse...

Um ótimo filme, com a estrela Anne atuando muito bem!
Adorei seu blog, rastrei atraves do TOP BLOG, parabens pelo terceiro lugar!

Poderiamos criar um feedback?
abraços.

http://awardmovies.blogspot.com ;D

16 de setembro de 2009 13:47
Eduardo disse...

Hum... na verdade, Amanda, se trata de um casamento celta, descolado. Esse tipo de cerimônia é realizada ao ar livre, próximo à natureza e, na minha opinião, não achei pastelão. Talvez o excesso de transição de um quadro para o outro (pra mostrar o lado exótico do evento) tenha enfadado um pouco.

Baseado em antigos rituais de povos indo-germânicos, esse tipo de " festa religiosa" respeita qualquer crença e é feita por um ritualista (que traça o perfil dos noivos p/ só depois estruturar a cerimônia). Achei poética a combinação exótica do perfil de Sidney com a inteligência e sensibilidade de Rachel.

Os noivos recitam declarações de amor, há presença de elementos como música instrumental para cada momento específico (na maioria das vezes é um harpista/violonista) - isso é bem mostrado no filme; e também homenagens feitas ao casal por amigos e parentes, com depoimentos e " arquivos confidenciais".

bj.

Eduardo Oliva

16 de setembro de 2009 14:22
Ricardo Martins disse...

Vou conferir esse filme e também adoro ver quando a atuação da atriz ou ator é elogiada. quero ver se a Anne foi bem mesmo e se esse filme é bom mesmo!

ABS

16 de setembro de 2009 14:25
Rodrigo Mendes disse...

Eu tbm gostei muito de O CASAMENTO DE RACHEL.

O diretor DEMME tem créditos comigo desde O SILENCIO DOS INOCENTES, mesmo errando em filmes como THE TRUTH ABOUT CHARLIE, refilmagem de CHARADA.

E a Anne está se despontando um excelente atriz, a princesinha já cresceu e teve um papel maduro neste filme merecedor das indicações.

Bjokas Amanda..tbm vou linkar seu blog

16 de setembro de 2009 14:43
Cristiano Contreiras disse...

Eu ainda não pude ver este filme, mas admiro o Demme, ainda mais por ter feito o ápice que foi O Silencio dos Inocentes.

Preciso conferir, depois te digo o que achei.

Beijão, sumida!

16 de setembro de 2009 16:23
Amanda Aouad disse...

Obrigada, Marcelo.

Olha, Eduardo, rituais Celtas eu conheço, já li e estudei muito sobre esse povo, agora o casamento em questão não deixou muito claro a escolha, o filme não nos prepara para ele. E o que falo não é da cerimônia em si, da macha nupcial estilizada, dos depoimentos, etc. Falo da festa. O que a filosofia celta e todo o filme tem a ver com escola de samba de grupo de rapper? Achei uma mistureba que cortou o ritmo do filme, mas, enfim...

Com certeza, Rodrigo, depois de O silêncio dos Inocentes ele tem créditos para muitas experiências.

Sumida, eu, Cristiano? Juro que estou fazendo um esfoço para me manter em rede, hehe.
bjs

16 de setembro de 2009 18:32
Eduardo disse...

talvez tenha sido uma simples(e longa)divagação de Demme pra quebrar o clima tenso da narrativa. E esta brechinha foi encontrada exatamente na festa (que é algo sem propósito, momento em que as pessoas estão mais livres).

PS: eu até ri um pouco ao ver Kym tentando sambar. :)

E. O.

16 de setembro de 2009 22:33
Ramon disse...

Fantástico o filme. Achei perfeito!
Realmente aquela cena de sambe com elementos africanos é meio estranha. Mas é a forma como eles enxergam essas culturas. Para eles terceiro mundo é tudo uma coisa só. Hehe!

17 de setembro de 2009 17:18
Amanda Aouad disse...

Tá certo, Eduardo, eu também ri com a Kym "sambando". hehe.

Verdade, Ramon, a visão elitista é fogo.

Abraços

18 de setembro de 2009 20:00

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