22/01/2010
Sem Oscar para Salve Geral
Desde Cidade de Deus que o brasileiro não se vê representado no Oscar. Há quem conteste a importância deste, o que em parte concordo. Afinal é uma festa americana em que os estrangeiros são apenas figurantes de uma categoria especial que tem, inclusive, um júri diferente. Mas prêmio é sempre prêmio. Traz visibilidade, reconhecimento e abre portas para novos trabalhos.
Desde que O Quatrilho foi escolhido para nos representar em 1996 ficou uma falsa sensação de que nosso cinema estava estabilizado, até pelos anos seguintes com O que é isso Companheiro?, Central do Brasil e Fernanda Montenegro na categoria de melhor atriz. Uma grande surpresa, já que era uma atriz completamente desconhecida por lá, ainda mais falando em português. O êxtase veio com Cidade de Deus, preterido no ano anterior como filme estrangeiro, teve três indicações, incluindo melhor roteiro. Desde então, o país tem feito uma quatidade muito maior de filmes, mas nunca mais conseguiu enviar algo competitivo para as pré-seleções. Insisto aqui que a escolha do representante tem sido nos últimos anos equivocada, mesmo assim, não tivemos nenhuma obra-prima se destacando desde o filme de Meirelles. Esse ano, enviamos Salve Geral de Sérgio Rezende. Os maiores sucessos de bilheteria são as comédias da Globo Filmes, que cumprem seu papel, mas não são para prêmios desse estilo.
O fato é que Salve Geral não chegou lá e pouca gente acreditava que conseguisse. Mesmo o diretor Sérgio Rezende tinha poucas esperanças. O filme não é maravilhoso, mas as opções também não eram muitas.Então, na última pré-seleção, ele já ficou de fora. Os cinco indicados serão conhecidos dia 2 de fevereiro.
Pré-Selecionados:
Argentina : "El Secreto de Sus Ojos", de Juan Jose Campanella.
Austrália: "Samson & Delilah", de Warwick Thornton.
Bulgária: "The World Is Big and Salvation Lurks around the Corner", do diretor Stephan Komandarev.
França: "Un Prophète", de Jacques Audiard.
Alemanha: "The White Ribbon" (A Fita Branca), dirigido por Michael Haneke.
Israel: "Ajami", de Scandar Copti and Yaron Shani
Cazaquistão: "Kelin", de Ermek Tursunov
Holanda: "Winter in Wartime", de Martin Koolhoven
Peru: "A Teta Assustada" (The Milk of Sorrow), de Claudia Llosar (crítica).










































7 opiniões:
É impressionante como nossos "hermanos" mantém a regularidade e sempre estão presentes na categoria. Embora acho difícil que alguém tire o Oscar de "Fita Branca", típico filme que a academia adora. E quanto ao Brasil, Linha de Passe foi o último bom filme brasileiro na minha opinião.
22 de janeiro de 2010 08:55É verdade, Fernando. A Argentina tem mantido uma tradição. Já o filme alemão, ganhou Cannes, ganhou Globo de Ouro e provavelmente leva o Oscar. Oscar e filme anti-nazismo tudo a ver. hehe.
22 de janeiro de 2010 09:54Linha de Passe é um bom filme, mas não é um grande filme, marcante, que se destaque na história do cinema, se é que me entende. Pra gente ganhar um Oscar, só com algo fenomenal.
Amanda, eu não sou um grande entendido de cinema, meu negócio são os jogos. rs Concordo com você que o cinema brasileiro esteja passando por um período de dormência, não no sentido de nenhuma produção, mas no sentido de nenhuma produção realmente importante, de peso. Se bem que acho que podemos dizer que "Blidness" é brasileiro, mesmo que tenha vários pais e países unidos ao redor do filme. Esse filme teria que ganhar oscar, mas é porque eu gostei muito mesmo do filme. rs Acho que o cinema brasileiro está num bom caminho, logo teremos obras primas, o problema é o investimento, porque eu percebo que o governo (corrija-me se eu estiver errado) vê o entretenimento como algo supérfulo. É resquício daquela esquerda vanguardista que existia nos anos 80 e que odiava o capitalismo selvagem rs. Hoje isso não existe mais, entretanto, é ainda um problema para nós.
22 de janeiro de 2010 12:46Espero que venham novos filmes para nós!
bjo!
O que eu acredito é que os filmes ainda são encarados em sua totalidade no Brasil como uma obra de arte do diretor. Os filmes devem ser encarados também como produtos comerciais. Deve-se escutar o público. Hollywood faz muito lixo com explosões e computação gráfica, mas isso gera uma indústria bem segmentada que pode investir em filmes de arte retroalimentando o cinema e sem nenhum subsídio do governo. É nisso que acredito.
22 de janeiro de 2010 13:28Profissionalização do cinema nacional. E isso está acontecendo aos pouquinhos, mas está. Acho que os editais é que deveriam priorizar a inserção de material no mercado e não a reinserção de profissionais antigos e que já deveriam estar se organizando para serem independentes. São como filhos vivendo da mesada dos pais e aproveitando para fazer doideiras experimentais.
Pode não ser a verdade, mas é o que acredito. É só observar quanto custaram alguns filmes e quanto eles arrecadaram. A bilheteria de um filme, paga a realização de outro, às vezes de mais dois. Precisam buscar ajuda do Governo de novo?
Pois é, Renan, Blidness é maravilhoso, mas não é caracterizado como brasileiro, apesar do diretor, uma atriz e algumas cenas aqui. Até porque é em língua inglesa, então, não entra em filmes estrangeiros. Teve que concorrer com as grandes produções americanas... Mas, nem Julianne Moore ter sido indicada a melhor atriz em 2009 foi cruel. O que você fala se completa brilhantemente com o que Carlos falou e que eu vibrei ao ver o filme Estranhos aqui da Bahia. A gente ainda está muito preso a ideologia do cinema novo, filme de autor, cine-arte, não temos uma indústria que mantenha a produção nacional, dependendo sempre de editais. A única manifestação popular vem das comédias da Globo Filmes, mas tudo muito preso à televisão. Vai lançar esse ano um filme chamado Segurança Nacional http://www.youtube.com/watch?v=2aOTvLTTMM8 parece que o caminho de filme de gênero começa a se abrir. Temos que fazer mais filmes, treinar muito que saem boas coisas. Talento a gente tem.
22 de janeiro de 2010 14:35abraços
"Onde chegam nossos filmes, chegam nossos produtos" disse o presidente Roosevelt.
22 de janeiro de 2010 17:12vejam esse slide:
http://www.slideshare.net/storieswelike/storyselling
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