08/02/2010
Pequenas Histórias
Se tem um segmento que ainda é pouco explorado no Brasil é o filme infantil. A maioria das vezes, só resta à criança Xuxa e Os Trapalhões. Filmes como Tainá, Grilo Feliz ou Castelo Rátimbum ainda são poucos, mas já são uma alternativa que aos poucos vai crescendo e ganhando espaço. Assim, achei interessante descobrir Pequenas Histórias. Dirigido por Helvécio Ratton, que já tinha feito O Menino Maluquinho, o longa é, na verdade, uma junção de quatro curtas, costurados pela personagem de Marieta Severo. A atriz interpreta uma senhora na varanda de sua fazenda que conta histórias ao espectador ao mesmo tempo em que borda uma colcha de retalhos. O tom é bem infantil, didático e com uma linguagem televisiva, mas não deixa de ser interessante. Principalmente por explorar a cultura popular brasileira.
O primeiro "causo" é sobre a Iara, sereia do rio que envolve o pescador Tibúrcio com seus encantos. Patrícia Pilar soa meio artificial na pela da sereia, principalmente por sua cauda mal produzida, ainda assim, é engraçado acompanhar o desfecho do casal. O segundo é sobre uma lenda do interior onde toda noite de lua cheia as almas saem em procissão do cemitério e quem for visto por elas irá morrer. O menino Vevé, interpretado muito bem pelo menino Constantin de Tugny, fica impressionado com a história, gerando situações engraçadas. O terceiro, e melhor curta, é sobre um Papai Noel de loja falido. Paulo José dá vida a esse homem azarado que parece não ter mais esperanças na vida, até que o espírito do natal ilumina seu coração. Por esse papel, o ator ganhou o prêmio do Festival de Paulínia. O último conto é sobre Zé Burraldo, em uma interpretação cômica de Gero Camilo. O sertanejo burro que sofre vários golpes, se mete em trapalhadas e surpreende muita gente. É divertido de assistir.

O filme foi escolhido como melhor longa-metragem infantil pela Academia Brasileira de Cinema em 2009, tendo vencido também como melhor roteiro e melhor ator (Paulo José) no Festival de Paulínia. E não é para menos. Como falei, há uma ingenuidade gostosa em sua produção, lembrando-me minha infância com as histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo. Marieta Severo está a própria contadora de histórias, com um tom bem maternal que instiga as crianças. Sua colcha de retralhos unindo os contos lembra a solução do filme de mesmo nome que tem Winona Rider no papel principal. Ainda assim, é uma solução bem interessante e tem tudo para conquistar as crianças.






































7 opiniões:
Helvécio Ratton concebeu o precioso filme Menino Maluquinho, foi bem dirigido e conseguiu ter muito da essência do livro proposto por Ziraldo.
8 de fevereiro de 2010 13:51Adoro a Marieta, preciso conferir este!
Beijo
Eu também achei interessante este filme, mas muitas cenas me pareceram com aspecto de vídeo caseiro e eu acho que falta ao cinema infantil brasileiro um pouco mais de humor. Sei lá, acho que se levar menos a sério faria bem a esses filmes. De qualquer forma, é um filme bonitinho...
8 de fevereiro de 2010 22:54Bjo!
Verdade, Cris, Menino Maluquinho é um belo filme, também gosto de Marieta e ela está bem caracterizada nesse filme.
9 de fevereiro de 2010 09:56Oi, Fred, quanto tempo, hehe, concordo com você, principalmente no conto da Iara, tem coisas que parecem caseiras, mesmo assim, achei a linguagem interessante, não achei que eles se levaram tanto a sério, não. hehe.
Abraços
Eu me interessei pelo filme, principalmente pelo fato de ser contato em "causos"... sempre me interessou essas histórias da cultura brasileira, envoltas de lendas e mistérios... Quero ver!
9 de fevereiro de 2010 11:54Eu não tinha ouvido falar do filme, mas adoro obras assim. Anotei a dica aqui! Obrigada!
9 de fevereiro de 2010 19:31Curti a idéia, vou procurar pro povinho aqui de casa.
10 de fevereiro de 2010 17:33abraços
São "causos" mesmo, Fernando, em uma linguagem infantil, mas é interessante.
10 de fevereiro de 2010 19:01De nada, Kamila e volte sempre.
Depois conte o que acharam Robin.
bjs
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