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As Marvels
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Quando a produção de As Marvels foi anunciada, tive alguns receios. Não por desconfiar da capacidade das protagonistas femininas, mas sim pela maneira como o filme iria integrar eventos de séries televisivas tão distintas. Resultado: muitos elementos da história, como o background de Kamala Khan e de Monica Rambeau, são apenas brevemente mencionados em rápidos diálogos, deixando o espectador desavisado um tanto perdido.
Essa integração entre cinema e televisão, embora inovadora, deixa a desejar na transição para quem não acompanhou as séries. Embora a narrativa do filme seja relativamente contida, as conexões com as séries poderiam ter sido melhor desenvolvidas para uma compreensão mais ampla do público. Enfim, é um filme para fãs e para os que estão atualizados com todos os produtos audiovisuais do MCU.
Contudo, méritos são devidos à forma como a aventura se desenrola, principalmente ao se concentrar na trama da Supremor Kree Dar-Benn, interpretada por Zawe Ashton, cuja atuação, apesar de genérica, é consistente. O roteiro, co-escrito por Nia DaCosta, Megan McDonnell e Elissa Karasik, embora não se aprofunde em questões de representatividade, entrega uma história coesa, embora careça de originalidade e possua algumas falhas, principalmente sobre os poderes dos braceletes, e, pelo menos, dois ou três deus ex machina para chegar ao final pretendido.
O filme, ao contrário de outras produções do MCU, não se propõe a ser uma reflexão profunda sobre questões culturais ou sociais, mas sim ser um blockbuster despretensioso e leve, com foco no entretenimento. E nisso, ele acerta. A química entre as protagonistas, especialmente o carisma contagiante de Iman Vellani como Kamala Khan, mantém o filme envolvente, apesar de suas falhas.
A abordagem de Nia DaCosta na direção traz um frescor bem-vindo à franquia, especialmente nas cenas de ação, como a frenética luta na sala dos Khan. No entanto, o roteiro falha em proporcionar um clímax satisfatório, com uma vilã pouco memorável e uma conclusão que deixa a desejar.
Mas nem tudo são pontos negativos. O filme consegue, em partes, reformular a imagem da Capitã Marvel, tornando-a mais acessível e humorada, principalmente em cenas como o bloco à la Bollywood no planeta Aladna. Ainda que Brie Larson enfrente dificuldades em encontrar o tom adequado para sua personagem, a dinâmica entre as três heroínas é o ponto alto da produção, especialmente quando se unem na nave de Danvers.
No final das contas, As Marvels é um típico blockbuster pipocão, destinado a entreter famílias e a oferecer representatividade a jovens meninas, apesar de suas falhas narrativas e falta de originalidade. Se estiver disposto a deixar as expectativas de lado e se divertir, encontrará um filme leve, repleto de bom humor, carisma e personagens facilmente cativantes. No mais, esteja atualizado com o MCU ou ignore certas referências.
As Marvels (The Marvels, 2023 / EUA)
Direção: Nia DaCosta
Roteiro: Nia DaCosta, Megan McDonnell, Elissa Karasik
Com: Brie Larson, Teyonah Parris, Iman Vellani, Zawe Ashton, Gary Lewis, Park Seo-Joon, Zenobia Shroff, Mohan Kapur, Saagar Shaikh, Samuel L. Jackson, Tessa Thompson
Duração: 105 min.
Bacharel em Publicidade e Propaganda desde 2000 e atuante na área, alia técnica e criatividade em tudo o que faz. Cinéfilo de carteirinha, Ari se apaixonou pelo cinema nas madrugadas da TV, onde filmes clássicos moldaram seu olhar crítico e sua veia artística, inspirando-o a participar de um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Histórias são a alma de sua trajetória. Jogador de RPG há mais de 30 anos, decidiu unir sua experiência como roteirista e crítico e sua determinação para escrever livros e materializar suas ideias. Seu primeiro livro, Corrida para Kuélap, está disponível para venda para Kindle. E é só o começo.
As Marvels
2024-04-08T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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