25/05/2010

Não me venha falar da malícia de toda mulher

TootsieHá filmes que não envelhecem, aliás, a verdadeira arte não tem idade, pode ser apreciada por várias gerações com o mesmo frescor do lançamento. É assim com o filme Tootsie, comédia dirigida por Sydney Pollack em 1982. O filme teve nove indicações ao Oscar, mas só venceu melhor atriz coadjuvante para Jessica Lange, o que é quase uma maldade com Dustin Hoffman, o nome do filme. O prêmio ficou mesmo para Ben Kingsley por Gandhi.

Revendo essa semana na Universal, senti a mesma alegria de quando criança nas eternas Sessões da Tarde. A jornada de Michael Dorsey se passando por Dorothy Michaels para conseguir um papel em uma telenovela americana é hilária. A construção do roteiro é gostosa de acompanhar, começando com o desespero de Michael por não conseguir emprego, passando pela oportunidade do papel para uma atriz, a idéia maluca de se disfarçar, o sucesso absoluto não apenas da personagem, mas da falsa atriz que aparece em vários noticiários e revistas, a paixão pela colega Julie Nichols, o pai da moça até o desfecho memorável. A cena da escada é uma das mais engraçadas de todas.

Tootsie é daqueles filmes sem compromisso que consegue se tornar um clássico. Principalmente por seu ator protagonista, que se entrega de uma forma fantástica ao desafio de se fingir mulher. Tá, ele fica parecendo uma tia velha, mas tem muitos momentos onde o narcisismo fala alto e ele tenta colocá-la o mais sensual possível. A cena da boate mesmo é muito interessante. Destaque também para a pequena participação de Bill Murray, como melhor amigo de Michael, e à cena em que ele entra em casa e flagra o personagem de George Gaynes tentando agarrar o amigo. Além de ser o primeiro longa da atriz Geena Davis.

Tootsie

As cenas de estúdio, onde a telenovela é gravada, são bem dinâmicas, com situações das mais inusitadas, principalmente pela improvisação de Dorothy, sempre em guerra com o diretor ganalha. Engraçado que, como mulher, Michael acaba se tornando um homem melhor. Ele mesmo fala em uma cena que o diretor não é pior do que ele era. A convivência com os problemas do sexo oposto, sentir na pele o preconceito, o assédio, os medos e o poder de soltar as amarras que as prendem, o fazem ver o outro como um ser que merece consideração. É bem interessante a forma como o filme vai mostrando a modificação do personagem.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

7 opiniões:

Fernando disse...

Eu nunca vi este filme, mas um tempo atrás vi o making-off dele e as imagens de Dustin Hoffman se montando de Tootsie são um clássico do cinema da década de 80. Me pareceu ser divertido e descompromissado. Quero ver!

25 de maio de 2010 13:51
Hugo disse...

Realmente é uma comédia que não envelheceu, continua engraçada e tem Dustin Hoffman num dos grandes papéis de sua carreira.

Na mesma época outro filme também brincou com o tema, no ótimo "Victor ou Vitória" era Julie Andrews que se passava por um homem que se vestia de mulher...

Até mais

25 de maio de 2010 18:26
Cristiano Contreiras disse...

Lembro muito, mas MUITO pouco deste filme.
Sem dúvida uma atuação memorável de Dustin, preciso conferir novamente...e achei o Oscar de Lange tanto neste filme - quanto no Céu Azul, por qual ela abocanhou o Oscar de Melhor Atriz - equivocado. Ela merecia mesmo é no Frances...já viu? recomendo!

Amanda, traga mais filmes antigos e diversos aqui! adoro.

beijo!

25 de maio de 2010 23:04
Edson Cacimiro disse...

Muito bom esse filme, preciso ver novamente.

26 de maio de 2010 00:19
Reinaldo Glioche disse...

Um filme atemporal! Mais uma prova da grande forma de Sidney Pollack naquele período. E concordo, Dustin merecia mais que Kingsley. Bjs

26 de maio de 2010 14:17
bruno knott disse...

De acordo com o comentário acima!

É filme que demorei pra assistir e que quando o fiz, me arrependi de ter demorado tanto. Um belo entretenimento.

Abraços.

27 de maio de 2010 00:21
Amanda Aouad disse...

Recomendo, Fernando, é bem divertido sim.

Isso mesmo, Hugo. E Victor ou Vitória é outro clássico do gênero, fora que adoro Julie Andrews.

Vou procurar, Cris. E concordo que Lange não foi nada demais no filme.

É sempre bom rever, Edson.

Com certeza, Reinaldo.

Belo mesmo, Bruno e não cansa.

abraços

27 de maio de 2010 14:42

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