01/06/2010

Pra jogar ou assistir

Sexta-feira estreia em todos os cinemas brasileiros O Príncipe da Pérsia, mais uma adaptação dos games para o cinema. Fala-se que esta seria uma redenção dos games na sétima arte, que em sua maior parte foi um grande fiasco de bilheteria e/ou crítica. Parece que o diretor Mike Newell e a Disney conseguiram unir a narrativa cinematográfica com o game de forma satisfatória. Enquanto esperamos para conferir, vamos relembrar algumas tentativas de adaptação, que resgatei com a ajuda de Ari Cabral, dessa arte de entreter.

Super Mario BrosSuper Mario Bros (1993)
Quem nunca se divertiu com esse clássico jogo de plataforma? Pular cogumelo e colecionar estrelinhas para vencer o Koppa e salvar a princesa era a sensação desde o Nintendinho. Agora, quando Rocky Morton resolveu levar isso ao cinema, com Bob Hoskins como protagonista e o recém-falecido Denis Hopper, o resultado foi um verdadeiro fiasco... Precisa dizer por quê?


Street fighter: a batalha final
Street fighter: a batalha final (1994)
Fico triste de um ator como Raul Julia ter encerrado sua carreira encarnando o vilão M. Bison nesse pífio filme de ação. Jean-Claude Van Damme como o Coronel William F. Guile fazia mais pose que nunca e o roteiro era quase inexistente. O figurino exagerado conseguiu piorar tudo e fazer desse uma piada ainda maior.

Mortal Kombat
Mortal Kombat (1995)
Paul W. S. Anderson dirigiu essa nova tentativa de adaptação dos games que poderia ser esquecida. Destaque para a péssima participação de Chistopher Lambert, o eterno Highlander, como Rayden, um mago dos raios.

Lara Croft: Tomb Raider
Lara Croft: Tomb Raider (2001)
Com Angelina Jolie no papel da arqueóloga boa de briga, o filme dirigido por Simon West teve uma aceitação razoável. A atriz ficou muito parecida com o desenho do jogo e os efeitos especiais são muito bem feitos. É um filme que vale pela diversão. Quem não entra no clima do game reclama da quantidade de absurdos. Mas aí já é pedir demais, já que por mais realista que seja, um game sempre terá um quê de fantasioso.

Final Fantasy
Final Fantasy (2001)
Em relação a Final Fantasy, existem dois problemas que fizeram ele cair na bilheteria, apesar de pessoalmente eu gostar do resultado final. Primeiro ele só tem do jogo o nome. A história, os personagens, o mundo, tudo é diferente. Depois, a construção em 3D dos seres humanos ainda é um ítem em evolução, imagine então em 2001. Os bonecos tentaram ser realistas e soaram falsos. Na época, até um programa para fazer uma animação mais realista dos cabelos foi criado. Agora, a história de Aki Ross e sua procura pelos oito espíritos para criar a força pura e proteger Gaia me convenceu, tornando uma experiência fílmica interessante.

Resident Evil: o hóspede maldito
Resident Evil: o hóspede maldito (2002)
Após o fiasco de 95, Paul W.S. Anderson volta com um filme direcionado aos fãs de Resident Evil. Todos os elementos do jogo estão lá e a história é até interessante. Quem gosta de zumbis, monstros e muito sangue jorrando, consegue algum divertimento. Teve três sequências, todas piores que o original.

Doom: a porta do inferno
Doom: a porta do inferno (2005)
Em alguns momentos do filme é possível ficar com a simulação quase idêntica do jogo em primeira pessoa, com a visão em primeira pessoa e a arma aparecendo. O roteiro também tentou ser fiel e por isso, o ponto mais fraco. Na verdade, em um game por mais interessante que seja, a história é sempre secundária em um jogo de ação. O importante é correr, dar tiro, bater, apanhar, etc.


Max Payne
Max Payne (2008)
Um dos games mais inovadores dos últimos tempos. Inaugurou a bullet time, em que uma câmera lenta é acionada pelo jogador e facilita ações calculadas, como se jogar num tiroteio ou se desviar de balas. No filme, a história é tão densa quanto, a viagem é forte, mas falta algo a Max Payne. E não é Valkyr. Talvez se decidir melhor no estilo e narrativa do jogo. Considero um dos trabalhos mais fracos de Mark Wahlberg, que já não é esses atores todos, mas faz escolhas interessantes. O cenário é muito bem composto e os efeitos alucinógenos interessantes.




Agora é esperar O Príncipe da Pérsia. Fiquem com o trailer.


Além desses ainda cito: Double Dragon (1994), Wing Commander (1999), Alone in the Dark (2005), Hitman (2007). Alguém lembra mais algum?


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

9 opiniões:

Renan Barreto disse...

Fala, Amanda!!! O post ficou legal. Você fala de cinema e eu de games. Vamos discutir sobre o post. De um modo geral você falou tudo certo. Concordo. O pior dos diretores de cinema que querem fazer filmes baseados em jogos é o alemão UWE BOWL! O cara destrói os personagens, cria histórias imbecis. Ele fez Blood Rayne, Postal e Alone in the Dark, todos baseados em game. Todos eles porcaria.

No caso de Resident Evil tenho que concordar que o diretor foi fiel ao clima do jogo, mas só isso. Não existe personagens com superpoderes na história dos jogos. A série começou com o terror até Resident Evil code veronica e passou para a ação com Resident Evil 4. Os filmes baseados na franquia são fraquíssimos para quem está acostumado com a série. Se é pra fazer filme de zumbis, deixe isso a cabo de George Romero. Alice foi a minha pior decepção.

No caso de Final Fantasy: O criador da série, Hironobu Sakaguchi estava cansado de sempre criar jogos. Decidiu investir em cinema. A Square Enix, na época ainda Squaresoft deu carta branca para ele criar o filme. Pra mim, o gráfico é lindo até hoje. A história filosófica tem muito dos games da série, mas o problema foi ser literal. Ele criou monstros que tinham que ser combatidos como no jogo. Isso não funcionou. O nome Final Fantasy no mundo dos games é fortíssimo.Por isso colocaram. E para fazer um filme baseado no game, não necessariamente precisava usar personagens da série, pois cada jogo conta com uma gama de personagens diferentes, histórias diferentes, mundos e mitologias também diferentes. O filme me agradou quando eu vi pela segunda vez.

Mas existem bons filmes baseados em games como é o caso de Silent Hill. A hisória é baseada na série como um todo e traz diversos elementos de todos os games. E para a surpresa geral, o filme ficou tão bacana que alguns elementos do filme foram reutilizados nos jogos seguintes. O filme é bom, não é nada espetacular. O final não me agradou, mas o conjunto da obra é interessante.

Sobre Prince of Persia... eu sou fã da série. Acho um excelente jogo. O filme parece unir a primeira trilogia num filme só. Pode funcionar, e o jogo sempre pareceu um filme. A história é muito boa. Quero ver no cinema e poder dizer... Esse sim é um bom filme.

Bem, fico por aqui. Bjos Amanda. Seu post ficou bacana. Manda um abração pro Ari!

Valeu!!!

1 de junho de 2010 10:10
Ari Cabral disse...

Sabia que vc ia comentar esse, Renan.
Bem lembrado. Teve Silent Hill tb. Mas Blood Rayne e Postal eu não sabia que tinham virado filme. Tb acho q Prince of Persia tem tudo pra ser um bom filme, mas só assistindo pra saber. O trailer sempre nos engana.

Abração e volte sempre.

1 de junho de 2010 10:20
Amanda Aouad disse...

Que bom que você gosotu, Renan. Quando fiz, lembrei muito de você. Claro que meu conhecimento sobre os jogos nem se compara ao seu, tentei mesmo dar uma geral do que senti ao ver os filmes. E como falei, Ari ajudou muito nesse resgate de quais filmes vieram de jogos. Muito bom contar com sua explanação para enriquecer o post.

bjs

1 de junho de 2010 10:28
Renan Barreto disse...

Ari, meu camarada, preciso fazer uma correção. o nome do diretor é UWE BOLL e não BOWL como eu disse. Sobre o Final Fantasy... foi o maior desastre da Square e manchou o curriculo do Hironobu Sakaguchi, que hoje montou um estúdio próprio chamado Mistwalker. A renda nem pagou o investimento no filme. Tinha esquecido de falar disso. rsrs E sabe que eu me diverti vendo Mortal Kombat quando era criança? rsrs Sério.

Acho que senti vergonha alheia foi com o filme o Dragon Ball... a coisa mais imbecil e tosca do mundo.

Max Payne é um jogo legal. Agora se vocês quiserem ter a experiência de jogarem filmes interativos. Pelo menos é assim que eu os chamo, tentem Farenheit do Playstation 2, Heavy Rain do Playstation 3 e Alan Wake do Xbox 360. Procurem pelo menos os trailers, acho que vão gostar.

Adorei essa parceria multimidiática. rs

VALEUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!

1 de junho de 2010 15:41
Wenndell Amaral disse...

Muito bom esse post.

Ano passado estavam querendo adaptar o clássico game Metal Gear Solid, do grande Hideo Kojima. Daria um ótimo filme de espionagem com direito a várias sequencias, só que... O Game, por si só, já é um grande Filme, no meu modo de ver.

1 de junho de 2010 16:13
Rodrigo Carreiro disse...

na minha modesta opinião, todos são toscos e ruins ehhehehe

1 de junho de 2010 20:24
Kamila disse...

Adaptações de games são um caso sério. Veremos como "Prince of Persia" se sai, mas dos que você listou, meu favorito é: "Final Fantasy".

1 de junho de 2010 21:05
Amanda Aouad disse...

Massa, Renan, tinha ouvido falar em um seminário aqui na UFBa sobre Final Fantasy não ter se pagado, o que acho uma pena. Tmabém gostei bastante dessa troca.

Verdade, Wenndell, muitos games já são meio que filmes.

Que isso, Rodrigo, não gostou nem de ver Angelina Jolie pulando? hehe.

Também acho, Kamila. Achei bem interessante.

1 de junho de 2010 23:52
Robin disse...

Confesso que prefiro assistir que jogar, hehe, logo pouco me incomodaria no quesito adaptação. Em termos de história, divertimento, acho que Tomb Raider seria mesmo o meu preferido.

2 de junho de 2010 17:20

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