Home
aventura
Bill Paxton
Cary Elwes
critica
Helen Hunt
Jamie Gertz
Jan de Bont
Lois Smith
Philip Seymour Hoffman
Twister
Twister
Quando Twister chegou às telas em 1996, trouxe consigo um turbilhão de expectativas e adrenalina. Sob a direção de Jan de Bont, conhecido pelo sucesso explosivo de Velocidade Máxima (1994), o filme prometia mais uma aventura repleta de ação e tensão. Com a produção de Steven Spielberg e um roteiro assinado por Michael Crichton e Anne-Marie Martin, Twister parecia ter todos os ingredientes necessários para um blockbuster de peso.
A trama é centrada em uma equipe de cientistas caçadores de tornados que desenvolvem um dispositivo para estudar esses fenômenos naturais devastadores. Bill Harding (Bill Paxton) e sua ex-esposa Jo (Helen Hunt) lideram a equipe e enfrentam não apenas a fúria da natureza, mas também um complicado triângulo amoroso que inclui a nova noiva de Bill, Melissa (Jami Gertz). A história se desenrola ao longo de um dia marcado por uma série de tempestades severas em Oklahoma, criando um ritmo frenético que mantém o público preso à cadeira.
O filme destaca-se especialmente pelos seus efeitos especiais impressionantes, que na época foram considerados inovadores e ainda hoje conseguem manter um certo nível de admiração. As sequências de ação são um verdadeiro espetáculo visual, e a equipe de efeitos visuais, liderada pela Industrial Light & Magic, merece aplausos pela criação de tornados incrivelmente realistas. Um dos momentos mais memoráveis é a famosa cena da vaca voadora, que se tornou um clássico instantâneo do cinema de catástrofe.
No entanto, nem tudo são flores em Twister. O roteiro, apesar de contar com a assinatura respeitável de Michael Crichton, deixa a desejar em diversos aspectos. O desenvolvimento dos personagens é superficial, e o triângulo amoroso entre Bill, Jo e Melissa acaba por se tornar um elemento dramático desnecessário e mal executado. As discussões sobre o relacionamento entre Bill e Jo, muitas vezes em meio a situações de vida ou morte, soam forçadas e pouco convincentes. Melissa, por sua vez, é uma personagem que parece estar ali apenas para adicionar um toque cômico, mas sua presença acaba por ser mais irritante do que divertida.
Jan de Bont, conhecido por sua habilidade em dirigir cenas de ação, consegue criar uma atmosfera de tensão constante. As cenas de perseguição aos tornados são eletrizantes, e a sensação de perigo iminente é palpável. De Bont mostra novamente seu talento para sequências de ação, mantendo o público tenso do início ao fim.
As atuações variam de competentes a memoráveis. Helen Hunt entrega uma performance sólida como Jo, uma mulher obcecada por entender os tornados devido a um trauma de infância. Bill Paxton também está convincente como Bill, embora seu personagem muitas vezes pareça um tanto genérico. O verdadeiro destaque, porém, é Philip Seymour Hoffman como o enérgico e carismático Dusty. Hoffman traz uma leveza e humor ao filme, proporcionando alguns dos momentos mais agradáveis e memoráveis.
Além dos protagonistas, o elenco de apoio também merece menção. Cary Elwes interpreta Jonas Miller, o antagonista rival, com uma antipatia eficaz que torna fácil torcer contra ele. A dinâmica entre os membros da equipe de Jo é um dos pontos altos do filme, com uma química palpável que sugere um forte vínculo de camaradagem e amizade. Alan Ruck, Todd Field e Lois Smith também contribuem para essa sensação de equipe unida, cada um trazendo sua própria personalidade para a mistura.
Apesar dos problemas com o roteiro e algumas inconsistências no desenvolvimento dos personagens, Twister é uma obra que cumpre seu papel como entretenimento. As cenas de ação são espetaculares, e a representação dos tornados ainda é impressionante. O filme captura a essência do gênero catástrofe com maestria, focando-se nas cenas de ação e nos efeitos especiais em detrimento de um desenvolvimento narrativo mais profundo.
Twister é uma montanha-russa de emoções que, apesar de suas falhas, conseguiu conquistar um lugar no coração dos fãs de filmes de desastre. A direção dinâmica de Jan de Bont, os efeitos visuais inovadores e a trilha sonora envolvente de Mark Mancina se combinam para criar uma boa experiência cinematográfica. Para quem busca um filme de ação repleto de tensão e adrenalina, Twister continua sendo uma boa opção.
Twister (Twister, 1996 / EUA)
Direção: Jan de Bont
Roteiro: Michael Crichton, Anne-Marie Martin
Com: Bill Paxton, Helen Hunt, Cary Elwes, Jami Gertz, Philip Seymour Hoffman, Lois Smith
Duração: 113 min.
Bacharel em Publicidade e Propaganda desde 2000 e atuante na área, alia técnica e criatividade em tudo o que faz. Cinéfilo de carteirinha, Ari se apaixonou pelo cinema nas madrugadas da TV, onde filmes clássicos moldaram seu olhar crítico e sua veia artística, inspirando-o a participar de um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Histórias são a alma de sua trajetória. Jogador de RPG há mais de 30 anos, decidiu unir sua experiência como roteirista e crítico e sua determinação para escrever livros e materializar suas ideias. Seu primeiro livro, Corrida para Kuélap, está disponível para venda para Kindle. E é só o começo.
Twister
2024-07-15T08:30:00-03:00
Ari Cabral
aventura|Bill Paxton|Cary Elwes|critica|Helen Hunt|Jamie Gertz|Jan de Bont|Lois Smith|Philip Seymour Hoffman|
Assinar:
Postar comentários (Atom)
cadastre-se
Inscreva seu email aqui e acompanhe
os filmes do cinema com a gente:
os filmes do cinema com a gente:
No Cinema podcast
anteriores deste site
mais lidos do site
-
Poucos filmes carregam o peso histórico de Acossado sem estarem aprisionados pelo próprio prestígio. O primeiro longa de Jean-Luc Godard ...
-
Imaculada entende perfeitamente o tipo de filme que deseja ser. Em um período em que o terror religioso voltou a ocupar espaço nos cinemas...
-
Casablanca (1942) é um daqueles raros casos em que o mito não engole o filme . Pelo contrário, ele se sustenta. Revisitar a obra dirigida p...
-
Predador: Terras Selvagens é um daqueles filmes que poderiam facilmente ter dado errado. A ideia de transformar a criatura mais icônica da...
-
É um frescor ver um filme original em uma indústria cinematográfica que parece cada vez mais obcecada por universos compartilhados, franqui...
-
Poucos diretores contemporâneos parecem tão fascinados pela luta do ser humano contra ambientes extremos quanto Baltasar Kormákur . Ao longo...
-
Há filmes que parecem deslocados dentro da carreira de seus próprios criadores. Que Droga de Vida é exatamente esse tipo de obra. Quando s...
-
Em Alexandria (Ágora), Alejandro Amenábar empreende um mergulho ambicioso no século IV, colocando no centro uma figura rara: Hipátia , pol...
-
Poucos filmes conseguem capturar tão bem a essência da palavra aventura quanto Os Caçadores da Arca Perdida . Mais de quatro décadas depoi...
-
Existem filmes sobre guerra e existem filmes que usam a guerra apenas como ponto de partida para discutir algo muito maior. Apocalypse No...





