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Zico, o Samurai de Quintino
Zico, o Samurai de Quintino
Arthur Antunes Coimbra, o Zico, é um marco na história do futebol brasileiro. Maior ídolo do Flamengo, comandou o time na chamada “Era Zico” e, até por isso, foi criticado por alguns como um jogador de clube, que não teve vitórias marcantes com a seleção brasileira. Paradoxalmente, era uma das estrelas daquela que até hoje é considerada uma das seleções que jogava mais bonito, mas acabou não levando a Copa do Mundo de 1982. Seja qual for o seu time, se você gosta de futebol, não tem como não admirar esse jogador. Por isso, alguns documentários já foram feitos sobre ele.
Zico, o Samurai de Quintino não é apenas mais um. É um documentário que traz mais do que um compilado de imagens de arquivo resgatando a história do jogador que conquistou o Brasil, passou pela Itália e foi se tornar ídolo também no outro lado do mundo. É álbum de memórias, guiado pelo próprio Zico, com um dispositivo criativo que faz a diferença: o encontro de amigos e familiares.
Esse é o maior mérito do filme, em vez do já batido “talking heads”, temos conversas. Entre Zico e colegas de clube, entre seus filhos, entre ele e os irmãos, entre ele e outros jogadores amigos. Isso torna a narrativa mais dinâmica e nos sentimos ali, junto com eles, batendo papo e relembrando momentos marcantes de sua carreira.
Como um filme homenagem, guiado pelas memórias do próprio jogador, há um viés positivo da história, mas a carreira de Zico não é marcada mesmo por muitas polêmicas. Nem por isso, o documentário não se furta em tocar em assuntos mais delicados como a ida para Itália e a derrota da Copa do Mundo de 1986, quando perdeu o pênalti contra a França. Chama a atenção, a maneira sincera com a qual ele se abre para falar em suas dores, seja a não convocação para as Olimpíadas de 1972 ou o fato de jogar machucado em 86.
A passagem pelo Japão é costurada em paralelo com as lembranças em geral, o que pode parecer estranho entre as idas e vindas da narrativa. Mas é capítulo realmente a parte em sua carreira, com menos pressão e que ajudou a levar o futebol para o país, popularizando e fortalecendo o cenário como um todo. Não por acaso, lá no oriente, Zico é um verdadeiro Deus do futebol. O mais instigante é que o documentário não se detém nisso, mas em coisas como a adaptação da família, em especial as impressões de Sandra, sua esposa ou cenas singelas ele visitando o estádio do Kashima com os netos.
Essa é a proposta e diferencial de Zico, o Samurai de Quintino. É intimista e busca fugir do lugar comum. Não é mais um filme sobre Zico, o jogador, mas sobre o Arthur que também é Zico. Traz camadas que nos aproximam do homem, ainda que o enalteça mais como ídolo. Tanto que a frase conhecida “nunca conheça seus ídolos pessoalmente” é citada com um adendo: “a não ser que seu ídolo seja o Zico”.
Além disso, a montagem vai intercalando essas conversas com muita imagens de jogos, jogadas, vitórias bem ao estilo “Canal 100”, que ajudam a empolgar os torcedores mais fanáticos e apresenta o ídolo para as novas gerações. É uma celebração como já foi dito. E cumpre muito bem seu propósito.
Zico, o Samurai de Quintino (Brasil, 2026)
Direção: João Wainer
Roteiro: Thiago Iacocca
Duração: 107 min.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
Zico, o Samurai de Quintino
2026-04-30T08:30:00-03:00
Amanda Aouad
cinema brasileiro|critica|documentario|filme brasileiro|futebol|zico|
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