30/09/2009

A Onda

Em 1967, uma escola secundária norte-americana, em Palo Alto, Califórnia, viveu uma experiência estranha. Um professor quis mostrar como a ideologia facista foi implantada na Alemanha pré-guerra, experimentando com seus alunos as idéias de poder pela disciplina e pela comunidade. Resultado, uma onda fascista envolveu o colégio, tendo um desfecho impressionante. Assim, em 1981, foi produzido A Onda (The Wave/1981), um filme de 45 minutos para televisão, que retrata a história de maneira bem direta. Quase um relato do ocorrido.

Em 2008, o cinema alemão revolveu resgatar essa história ambientando-a na Alemanha atual. Surge A Onda (Die Welle/2008) dirigido por Dennis Gansel. Um filme denso, mais realista que o americano, mas que acaba perdendo a força no final.


Rainer Wenger é um professor admirado por todos, inteligente e informal, ganha a admiração dos alunos que gostam de assistir suas aulas. Durante um projeto semanal, ele acaba tendo que desenvolver uma aula sobre "autocracia". Se no filme americano, a pergunta que motiva a experiência é "como o povo alemão não percebeu o que ocorria com o nazismo", aqui a questão é se é possível uma ditadura autocrática voltar ao país. Wenger tem a idéia de criar uma autocracia com os alunos, tendo ele como o líder. Ao contrário do filme americano, a trajetória da Onda aqui é mais natural. No primeiro, tudo é muito fácil e rápido, os alunos são quase robôs. Aqui, o foco está em suas peculiaridades e diferenças. Muitos questionam, estranham, apesar da maioria ir aderindo aos poucos.

A questão é que a Onda se forma e como estamos no século 21, ela ultrapassa os muros da escola indo parar na internet, nos muros da cidade e em monumentos históricos. O grupo começa a ganhar corpo, criando uma rixa com o grupo anarquista local, proibindo alunos não-membros de entrarem na escola e organizando torcida com direito a camisa do grupo para o time de pólo aquático.

Ao contrário dos americanos no filme de 81, que estão em uma aula de História, os alemães são alertados várias vezes para o fato de estarem tendo atitudes fascistas e simplesmente ignoram. O professor americano volta no outro dia agindo de acordo com a ideologia, sem dizer nada, os alunos vão sendo envolvidos, sem perceber. Já o professor alemão constrói a experiência em meio a explicação do que seja uma autocracia, ou seja, está claro o que está acontecendo ali. Eles não são ovelhas sendo envolvidas pela idéia de uma comunidade. Talvez por isso, o final tenha ficado sem solução. Um filme para pensar.


5 opiniões:

Robin disse...

Não conhecia, gostei bastante do americano que tem no youtube... Vou procurar ver o alemão no cinema, nesse fim de semana.
abraços

30 de setembro de 2009 14:20
Fred Burle disse...

Mesmo não mantendo a força no final, eu gostei bastante do filme, Amanda.
De ovelhas, aqueles jovens não têm nada!

30 de setembro de 2009 22:15
Amanda Aouad disse...

Veja mesmo, Robin, depois comente o que acho.
Fred, eu gosto do filme, tb, mas é que o impacto do final do primeiro é muito grande, então, no caso alemão ficou meio capenga. Você viu o americano?
Bjs

30 de setembro de 2009 23:17
Cristiano Contreiras disse...

Preciso conferir, beijos!

1 de outubro de 2009 02:01
bruno knott disse...

Não sabia desta versão americana... aliás, não sabia que o fato tinha ocorrido numa escola americana.

Tem louco pra tudo nesse mundo.

E como você falou, é REALMENTE um filme para se pensar.

9 de maio de 2010 04:06

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