23/12/2009

500 dias com ela

500 dias com elaIsto não é uma história de amor, já nos avisa o narrador no início do filme, porque será que mesmo assim a gente insiste em achar que vai ver algo mágico acontecendo? 500 dias com ela é um filme diferente que mexe com o paradigma das comédias românticas. Gosto muito disso. O formato fragmentado do roteiro, comparando situações no ínicio, no meio e no fim do tal tempo estipulado no título é muito bom. Não fica preso a uma ordem cronológica que nos levaria a uma curva cansativa. Parte direto ao ponto, dando o seu recado e nos envolvendo na história.

Tom Hansen é arquiteto frustrado, que trabalha como escritor de cartões em um empresa. Romântico e inteligente, o rapaz é bom no que faz, tendo boas tiradas para aniversário, natal, dia dos namorados, etc. Em uma reunião, conhece uma garota e se encanta com ela. Quase 500 dias depois, ele analisa cada momento de sua vida com ela para tentar entender o que não deu certo. Brincando com o formato garoto conhece garota, garoto perde garota, garoto recupera garota, o filme constrói uma trama inteligente, leve e divertida, sem grandes pretensões.

Joseph Gordon-Lewitt e Zooey Deschanel estão muito bem nos papéis e combinam como casal, talvez isso aumente a expectativa de ficarem juntos. A gente fica sem entender como Summer não quer assumir o relacionamento, afinal ela parece tão feliz com Tom.

A estreia de Marc Webb na direção de um longa é bastante feliz. Sua experiência com videoclipes com certeza ajudou na construção do ritmo diferente e da trilha sonora condizente com a trama, utilizando pops como Belle & Sebastian, The Smiths, Regina Spektor e Carla Bruni.

500 dias com ela500 dias com ela tem cenas engraçadíssimas como quando Tom e Summer tem a primeira relação e ele sai cantando em um clipe surreal, ou mesmo quando se olha e vê Han Solo na televisão como se fosse um espelho. Há também algumas declarações de amor interessantes como de um amigo de Tom que fala que sua namorada é melhor que a mulher dos seus sonhos por ser real. E mesmo que não se proponha a isso, o filme traz também algumas reflexões psicológicas sobre relacionamentos e medos de compromisso. Para mim, foi uma grata surpresa.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

9 opiniões:

Marcio Melo disse...

Além da cena que ele sai dançando como num clip musical, outra que adorei foi a que a tela se divide em duas partes, uma mostrando os acontecimentos reais e outra monstrando suas expectativas. Sensacional e um dos melhores do ano, está no meu top 10 2009!

23 de dezembro de 2009 09:06
Fernando disse...

Eu tb faço parte da turma que gostou do filme!!! Foi o que eu disse na época que escrevi o post sobre o "500 Dias"... Marc Webb conseguiu fazer um filmaço falando de um tema banal, banal no sentido de ser corriqueiro, acontecer com todo mundo....

23 de dezembro de 2009 09:08
Mariana disse...

Eu estava observando, mais uma vez, as críticas do filme “500 dias com ela” e reparei que 90% ou mais das pessoas que gostaram, são homens. Então comecei a tentar entender o porquê disto. E acho que descobri.

Pode ser paranóia, ou qualquer outra coisa do tipo, mas eu acho que os homens gostaram desse filme porque o “vilão” da história não é um homem e sim, uma mulher.

http://www.gargalhandopordentro.blogspot.com/

23 de dezembro de 2009 12:08
Levi Ventura disse...

Já discuti muito com alguns amigos sobre esse filme, de início eu fiquei indeciso sem uma opnião digna sobre o filme, porém vi uma crítica de um amigo e acabei vendo que eu tinha ficado dessa forma pq o filme é diferente, é difícil você não se ver em algumas partes do filme e ao ver a verdade sobre o amor assim em sua cara às vezes pode-se ficar assustado.
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http://duventublog.blogspot.com/

Levi Ventura

23 de dezembro de 2009 12:15
Cintia Carvalho disse...

Oi Amanda!

É podemos considerar este filme a grande surpresa do ano. Uma história simples, muito bem contada e com um par de atores em sintonia. Ponto para o estreante Marc Webb.

E Avatar realmente está impressionando. Todos os textos que li de pessoas que viram são unanimês em dizer que é um excelente filme. Depois do natal, passada esta correria de final de ano, vou assistir e matar minha curiosidade.

Aproveito para lhe desejar um feliz e alegre natal!!!

Um beijinho carinhoso.

23 de dezembro de 2009 18:07
Davi disse...

Okay, aí vai... quem não assistiu o filme favor pular, pois vou contar detalhes da história adiante





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###SPOILER ALERT - SE NÃO VIU PULE###
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Essa coisa de final triste é também um clichê moderno, como a gente viu em Efeito Borboleta e em um filme com Michell Pfeiffer e Meryl Streep (não lembro o nome). Soa meio forçado pra ser moderninho, quando sabemos que mesmo os filmes mais realistas são sempre obra de uma fantasia. Agora, pelo lado positivo, 500... serve de contrapeso pra trocentos filmes e músicas pop românticas por aí que nos fizeram acredtiar em um monte de baboseiras que só nos tornam mais infelizes - como diz o personagem, inclusive...

28 de dezembro de 2009 15:26
Amanda Aouad disse...

Verdade, Márcio, esse é muito boa.

Entendo, Fernando, acho que é por aí mesmo.

Bom, Mariana, se é paranóia, não sei, mas eu gostei do filme, mesmo sendo mulher.

É isso mesmo, Cíntia.

Quanto ao comentário de Davi .........

Respondendo aos spoilers.......


Bom, concordo que pode ter virado um clichê moderno, mas acho que nesse caso é diferente, porque ele tem uma cara de comédia romântica e mesmo sendo avisados no início, as pessoas esperam que ele a conquiste no final. Efeito Borboleta não é assim, é um drama, bem construído e pautado na questão do tempo. Já o de Michell Pfeiffer e Meryl Streep fiquei não consegui lembrar qual é...

abraços

28 de dezembro de 2009 22:38
Ricardo Martins disse...

Oi Amanda, vi esse filme hoje! Gostei muito! Tanto que a cena final tive que voltar para vê-la de novo de tanto que gostei! É original, bonito, envolvente e com final bem engraçado! Qual o nome do novo amor...?

10 de janeiro de 2010 21:47
Amanda Aouad disse...

Oi, Ricardo, o nome dela é Autumn, outono em inglês que vem depois do verão (Summer), hehe, uma piadinha dos roteiristas.

abraços

11 de janeiro de 2010 10:55

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