28/01/2010

Invictus

InvictusClint Eastwood consegue me surpreender sempre. E o poder do esporte também. Baseado na história real, Invictus conta a tentativa de Nelson Mandela, presidente eleito na África do Sul, em unir o país e acabar com os resquícios de apartheid através do time de rugby local em sua trajetória na Copa do Mundo que acontecia naquele país em 1995.

É difícil até de imaginar a representação disso, já que a realidade brasileira é outra, mas a onda criada em cima do orgulho nacional pode ser comparado, de repente, à massificação negativa que os militares fizeram em cima da seleção canarinho na Copa de 70. Mandela, pelo menos, teve um bom motivo. Ver brancos e negros juntos com um mesmo objetivo é bonito e algumas cenas emocionam profundamente. Eu confesso que chorei em vários momentos.

O mais impressionante é que, mesmo não gostando de rubgy, a gente se envolve com o jogo. Os planos são construídos de uma maneira muito harmônica, quase não dá para se angustiar com aquela violência toda em campo. E os paralelos dentro da casa presidencial e da família de François Pienaar, o capitão do time, são bastante felizes para condução da trama. É nos pequenos gestos que se forma a grande mensagem do filme.

Morgan Freeman e Matt Damon / Nelson Mandela e François Pienaar

A caracterização de Morgan Freeman é um caso a parte. Além da interpretação esplêndida do ator, a maquiagem e o figurino capricharam de uma forma que, por vezes, parece estarmos vendo Nelson Mandela em cena. Já Matt Damon consegue dar um tom dramático bem interessante ao capitão François Pienaar.

Mais uma vez, Clint Eastwood utiliza-se do poder do esporte para tratar de temas bastante profundos, aqui a questão racial e a união de um povo, e consegue construir um melodrama verdadeiramente emocionante, sem ser piegas, nem abusar dos clichês. Uma história inspiradora, principalmente por ser tão verdadeira.



6 opiniões:

Luis Galvão disse...

Acho que era um filme muito esperado, por ter três coisas que sempre sonhamos vê junto. Clint, Freeman e Mandela. Acho, porém, que a vida desse homem ainda não foi retratada da forma correta, mas já achou um corpo para representá-lo. Morgan está ótimo, assim como a direção de Clint.

29 de janeiro de 2010 11:26
Robin disse...

Me parece muito bom, vou conferir em breve.
abraços

29 de janeiro de 2010 15:51
Marcelo disse...

Gostei muito do filme, teve uma matéria no Fantástico ontem sobre ele.

1 de fevereiro de 2010 17:54
Amanda Aouad disse...

Verdade, Luis, vamos ver se eles repetem a dose com uma cinebiografia. Veja mesmo, Robin. E Marcelo, também vi a matéria no Fantástico, gostei inclusive da entrevista com o verdadeiro François Pienaar.

1 de fevereiro de 2010 22:36
Eduardo Oliva disse...

Confesso que senti um certo alívio ao ler seu texto, Amanda. Quase que corro pra chorar no pé do caboclo (risos) com tantas análises negativas que andei lendo nos principais sites de crítica... . Sinto-me magoado com facilidade quando gosto muito de um filme e alguém joga pesado.

Emocionei-me também (mesmo com aquele inevitável olhar de lupa que usamos ao ir ao cinema); e me surpreendi com o efeito contraproducente. Acho que talvez pela falta de um contexto mais político e menos romantizado - como é o caso de "Syriana, A Indústria do Petróleo" - " Invictus" aparentou superficial para alguns.

PS1 - Uma confissão: Há mais ou menos 1 ano eu tenho ido ao cinema sem ler críticas, e só depois é que me atrevo a bater às portas e comentar quando necessário. O resultado tem sido maravilhoso, uma sensação virginal de descoberta que antes não havia sentido em virtude da minha auto sabotagem.

PS 2 - Eastwood tem acertado a mão também nas trilhas orquestrais. " A Troca" tem uma melodia tão melancólica que me provoca lágrimas com uma facilidade tão grande quanto um simples riso.

3 de fevereiro de 2010 21:11
Amanda Aouad disse...

É, Eduardo, vi algumas pessoas dizendo que não gostaram do filme, que Eastwood apelou demais para o melodrama e esquece da essência, também acho bobagem, o filme me emocionou e vale, mostra o assunto de uma forma simples e bem feita.

Gostei da sua técnica, também tenho tentado ir ao filme sem nenhuma informação prévia. Mas, depois de cada filme, passe por aqui para deixar sua opinião, hehe.

bjs

4 de fevereiro de 2010 11:04

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