04/02/2010

JCVD

Jean Claude Van Damme Quem vê filmes da Sessão da Tarde como O Grande Dragão Branco, Kickboxer, Soldado Universal ou Timecop nunca espera um bom filme interpretado por Van Damme. E eu escolhi os melhores, nem querendo lembrar de coisas como Cyborg ou Street Fighter. Alguns podem lembrar de O Alvo, primeiro filme dirigido por John Woo e que tem uma aceitação melhor pela crítica. Ainda assim, é um filme de ação, considerado menor e onde a capacidade de interpretação de um ator é quase nenhuma. Por isso, JCVD é uma grande surpresa em todos os sentidos. Primeiro, não é um filme de ação, mas um drama com grande tensão emocional. Depois, Van Damme interpreta a ele mesmo em uma biografia satirizada com uma carga dramática impressionante. Por fim, o longa expõe sem dó toda a insatisfação do ator com Hollywood, seus problemas com as drogas, fazendo piadas com críticas veladas a filmes bobos de ação e ao "ator" Steven Seagal.

JCVDO mote da história é totalmente surreal, Van Damme precisa de dinheiro para pagar seus advogados que trabalham no caso da custódia de sua filha. Ao entrar no banco, é envolvido em um assalto com reféns que tem reviravoltas surpreendentes. A narrativa é montada de uma forma não completamente linear, fazendo paralelos interessantes e nos revelando aos poucos o que realmente aconteceu dentro da agência. A direção é crua, realista, com bastante câmera na mão, o que ajuda na sensação quase documental. Há também muita metalinguagem, com Van Damme em cena e na real, reforçada pelo fanatismo dos belgas pelo ator.

Próximo ao fim do filme, Van Damme nos brinda com um monólogo sincero e sem censuras, onde expõe toda a sua trajetória e dificuldades em Hollywood. Um desabafo incômodo, quase uma resposta aos críticos que o vêem como um lutador fútil. Aqui, e na cena final, Van Damme mostra que é capaz de passar emoção verdadeira. Toda essa mistura gera, no entanto, uma dúvida sobre o que é verdade e o que é ficção em JCVD, e, principalmente, o que Van Damme queria passar de fato com esse filme. Fica para nós a insatisfação com o sistema de produção americano e a ingratidão de algumas pessoas como John Woo, que é citado várias vezes como tendo sido levado pelo ator para Hollywood e que depois o esqueceu. Além do próprio Steven Seagal, alvo de várias piadas durante a projeção. De qualquer forma, Van Damme conseguiu chamar a atenção e fazer um bom filme, onde suas habilidades com as pernas não são o foco principal.


3 opiniões:

Hugo disse...

Andei lendo algumas críticas sobre este filme e estou curioso para ver. Com assisti quase tudo que Van Damme fez, vai ser interessante ver este longa diferente.

Abraço

4 de fevereiro de 2010 15:39
Robin disse...

É, Van Damme é um cara que eu admiro, lutador em todos os sentidos. Só fez besteira aqui no Programa de Gugu, mas na entrevista com Jô Soares, mostrou ter até uma veia cômica. Vou conferir o filme, fiquei curioso.

5 de fevereiro de 2010 11:08
Amanda Aouad disse...

Veja, Hugo, me surpreendeu.

Verdade, Robin, mas, precisa lembrar de Gugu? hehe.
abraços

8 de fevereiro de 2010 12:10

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails
 

Licença Creative CommonsBlog CinePipocaCult by Amanda Aouad is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Não a obras derivadas License
Based on a work at www.cinepipocacult.com.br
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://www.cinepipocacult.com.br