23/02/2010
Percy Jackson e o ladrão de raios
Não há como evitar à comparação com Harry Potter ao assistir a Percy Jackson. Da série Percy Jackson e os Olimpianos, escrito por Rick Riordan, o filme conta a história de um garoto que descobre ser um semideus, filho do Deus Poseidon, e é acusado de roubar o raio de Zeus. O garoto começa a ser perseguido, então, por vários seres mitológicos, além do próprio Hades - Deus do submundo e dos mortos, por uma coisa que ele nem sabia que existia.
Assim como Harry, Percy descobre que pertence a um mundo de fantasia, possui poderes que ele desconhece e encontra um local cheio de pessoas igual a ele. Aqui, em vez de um castelo escola, temos um acampamento bem parecido com as aventuras de Xena. Percy também ganha dois amigos inseparáveis que o ajudam nas aventuras. Grover, o sátiro, tão atrapalhado quanto Rony, e Annabeth, a filha de Atena, uma excelente lutadora dentro do acampamento (igual a Hermione, a CDF de Hogwarts), porém que fora dele parece esquecer tudo o que sabe e se torna uma vítima a ser protegida por Percy (isso, eu realmente não entendi). Para completar, ele tem um mentor, o centauro vivido por Pierce Brosnan, e desobedece suas ordens para agir de maneira própria e se tornar o herói do dia.
Sou fã de mitologia Grega, sempre me interessei pelo assunto, e ver a salada mista modernosa feita pela saga me incomodou um pouco. Afinal, porque os Deuses se mudaram de vez para os Estados Unidos? A porta do inferno é em... Hollywood? A entrada do Olimpo, o Empire States? E o jardim da Medusa, o que estava fazendo no Oeste dos Estados Unidos? Tá, eles tentam dizer que os deuses se locomovem ao passar do tempo, em busca do local mais poderoso do mundo. Tá, a gente engole essa, mas o que comentar sobre o cassino de Las Vegas com suas lótus alucinógenas? Sem dúvidas, a sequência mais sem sentido de todo o filme. Se já tínhamos pouco tempo, para que gastar tanto com os três dançando ao som de Lady Gaga?
Eu não li o livro, mas pretendo fazê-lo em breve, pois alguns indícios do que vi e ouvi me fazem crer que a história é um pouco mais do que essa simplória aventura infantil, cheia de clichês pseudo-engraçados e piadas lamentáveis. A história, da forma como o roteiro foi construído é totalmente vazia e cheia de furos que acredito poderem ser mais embasados no livro. A começar pelo mote principal: o roubo do raio de Zeus. Por que o ladrão óbvio é Percy, se ele nem sabia do que se tratava? E como Hades vai até o acampamento, rapta a mãe do garoto, faz uma ameaça na fogueira e ninguém diz nada? Onde estavam Zeus e Poseidon? E por que Zeus chamou todos os deuses para o Olimpo e deixou Hades agir por conta própria?
Na verdade, o roteiro caiu no mesmo erro de todos os filmes norte-americanos: sempre tem que haver um vilão, a personificação do mal. Que fique bem claro, Hades não é o diabo e o reino dos mortos não é o inferno. Essa é uma definição muito dualista e vazia de nossas mentes ocidentais judaico-cristãs. Para os gregos, nem tudo era tão preto no branco. E pelo que li, nem mesmo Rick Riordan cometeu esse erro em seus livros. Foi o filme mesmo que resolveu simplificar tudo. De quebra, ainda colocou Perséfone como uma mulher vulgar que fica entusiasmada com Grover.
Alguns efeitos são interessantes, principalmente os da água. Uma das melhores sequências do filme é a luta de Percy em cima de um prédio utilizando as caixas d´água do local. Outros poderiam ser melhor trabalhados, como o minotauro que fica muito artificial e o jardim da Medusa que é meio pobrinho, apesar das cobras na cabeça de Uma Thurman serem bem reais. No geral, o filme não passa de um divertimento infantil, que tem pouco a acrescentar ao mundo adulto. Mas, o filme Harry Potter e a Pedra Filosofal também era assim. Por isso, minha esperança em ler o livro e ver se as continuações acrescentam algo mais interessante.
Para completar, o filme ainda traz uma piada infame após os créditos, se quiser conferir...










































3 opiniões:
Ainda existem muitas outras semelhanças de Percy com Harry. Ambos, por exemplo, descobrem que sempre souberam uma outra língua. Harry era ofidioglota e Percy sabe ler grego antigo. Seus tutores e protetores, Quíron e Dumbledore, são os "diretores" das "escolas" onde lecionam.
23 de fevereiro de 2010 14:43Também não li os livros e fiquei curioso, mas pelo filme as semelhanças são muitas.
Alguém consegue lembrar de mais algumas?
Amanda, parabéns pela resenha. Captou totalmente o que o filme é de fato: bons efeitos, elenco normal, roteiro fraco.
23 de fevereiro de 2010 15:08A adaptação, pra quem leu os ótimos livros(sim, são interessantes, corra e vá ler...tudo é bem amarrado, explicado e a conotação da mitologia é embasada, tudo flui...) percebeu as mudanças agressivas: houveram personagens condensados em um, mudanças no desenvolvimento das ações dos personagens, mudanças de contextos, cortes bruscos e nem a direção de Chris Columbus conseguiu fazer milagre. O filme é muito bobo, muito besta até.
Infelizmente.
E ainda falam dos filmes adaptados da saga de Stephenie Meyer, bom melhor nem eu entrar neste mérito, você sabe o que penso.
abraço
O filme foi infeliz, mesmo, o livro é bem melhor, recomendo a todos. Ah, e Uma Thurman, que mico, heim? Mais um papel para ela esquecer.
24 de fevereiro de 2010 16:23abraços
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