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Alien: Romulus
Alien: Romulus
Alien: Romulus (2024) é uma adição intrigante à icônica franquia de ficção científica criada por Ridley Scott. Sob a direção de Fede Álvarez, conhecido por seu domínio do terror visceral em filmes como Evil Dead (2013) e Don’t Breathe (2016), o filme se posiciona como uma continuação estilística que busca não apenas se conectar com o legado que a precedeu, mas também apresentar uma nova geração de personagens enfrentando o familiar horror dos xenomorfos.
Ambientado entre os eventos de Alien e Aliens, Romulus apresenta uma trama centrada em um grupo de colonos desiludidos que, enclausurados em uma mina sombria e opressiva, arquitetam uma fuga ousada através da captura de uma espaçonave. O filme, sem dúvida, honra as raízes da franquia, mas há um constante jogo entre homenagens e a necessidade de criar algo novo. Enquanto a cinematografia é um deleite visual, com design meticulosamente construído de tecnologias desgastadas e ambientes claustrofóbicos, a narrativa carece de profundidade em comparação com os originais.
Alien: Romulus se destaca pelo desempenho notável de seu elenco principal. Cailee Spaeny brilha como Rain, a jovem colona assombrada pela possibilidade de um futuro melhor, enquanto David Jonsson oferece uma interpretação imperdível como Andy, um androide que busca proteção para sua irmã, mas que também se vê emaranhado nas intricadas teias de sua programação. A dinâmica entre Spaeny e Jonsson é uma das forças motrizes do filme, trazendo um toque humano em meio ao horror de ficção científica que permeia o enredo. Contudo, não podemos ignorar o fato de que os personagens secundários muitas vezes se perdem em clichês, reduzidos a meras funções dentro da narrativa de terror e ação.
O roteiro, co-escrito por Álvarez e Rodo Sayagues, peca, em vários momentos, por sua falta de desenvolvimento. Enquanto algumas cenas geram tensão palpável, como aquela em que os personagens precisam escapar da ameaça iminente em um cenário de gravidade zero, outras, especialmente envolvendo o enredo do ataque alienígena, se tornam previsíveis e formulaicas. A constante sensação de que a franquia caminha por terrenos conhecidos faz com que o espectador anseie por uma inovação narrativa mais robusta. O filme faz uso de elementos nostálgicos – a famosa expressão "Get away from her, you b*tch!" ecoa sem emoção, alterando todo o peso dessa cena marcante que poderia ser reutilizada de maneira mais criativa.
Visualmente, Alien: Romulus é um banquete para os olhos. A direção de arte é exemplar, criando um ambiente que capta a essência das colônias mineradoras, que são tanto sombrias quanto opressivas. O uso de um design de som imersivo aumenta a capacidade de sustentar a tensão, elevando situações que poderiam ter se tornado clichês comuns dentro do gênero. Porém, é preciso ressaltar que a dependência excessiva de efeitos digitais para trazer de volta rostos de atores falecidos, como um gêmeo digital de Ian Holm, não apenas retira o frescor dos novos atores, mas também traz um certo desconforto sobre a forma como o cinema contemporâneo tende a lidar com o legado de seus ícones. Esse recurso acabou criando em mim um distanciamento, o que limitou o impacto emocional que a cena deveria carregar.
Os pontos altos do filme, no entanto, estão nas suas sequências mais inovadoras, onde a mecânica do gravidade zero é utilizada de forma engenhosa, entregando uma explosão de criatividade que, ao mesmo tempo, resgata a essência que fez a franquia brilhar no passado. Fede Álvarez, com sua visão narrativa, faz maravilhas em manter o público na ponta da cadeira, embora a estrutura formulaica em alguns momentos ofusque a originalidade que é uma marca da franquia.
Em resumo, Alien: Romulus é um filme que flutua entre a reverência pelo passado e a busca por identidade própria. Enquanto a construção visual e algumas atuações compensam suas falhas narrativas, a falta de profundidade em certos personagens e, por vezes, o excessivo apego a elementos da nostalgia limitam seu impacto. É perceptível que o diretor têm a habilidade para fazer crescer o universo, mas é necessário um comprometimento maior com a inovação para que um novo legado possa ser realmente construído. E é algo difícil de conseguir quando a memória da experiência cinematográfica anterior está impressa de forma quase inesquecível na mente dos fãs.
Alien: Romulus (Alien: Romulus, 2024 / EUA)
Direção: Fede Alvarez
Roteiro: Fede Alvarez, Rodo Sayagues
Com: Cailee Spaeny, David Jonsson, Archie Renaux, Isabela Merced, Spike Fearn, Aileen Wu, Daniel Betts
Duração: 119 min.
Bacharel em Publicidade e Propaganda desde 2000 e atuante na área, alia técnica e criatividade em tudo o que faz. Cinéfilo de carteirinha, Ari se apaixonou pelo cinema nas madrugadas da TV, onde filmes clássicos moldaram seu olhar crítico e sua veia artística, inspirando-o a participar de um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Histórias são a alma de sua trajetória. Jogador de RPG há mais de 30 anos, decidiu unir sua experiência como roteirista e crítico e sua determinação para escrever livros e materializar suas ideias. Seu primeiro livro, Corrida para Kuélap, está disponível para venda para Kindle. E é só o começo.
Alien: Romulus
2025-02-20T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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