11/02/2010

Up in the air

Cartaz de Up in the air Ultimamente ando pegando no pé dos tradutores brasileiros para títulos, mas é que é tão esquisito chamar esse filme de Amor sem Escalas, que sou obrigada a falar em Up in the air, uma espécie de "no ar", estado em que Ryan Bingham, personagem de George Clooney, vive. No último ano, ele passou 322 dias viajando e apenas 43 em casa. Além disso, Amor sem Escalas parece nome de comédia romântica, coisa que o filme de Jason Reitman está longe de ser.

Com um roteiro bem construído, escrito com Sheldon Turner, o diretor traz uma evolução de Juno, com humor inteligente, piadas oportunistas e puxadas de tapetes muito legais. A tão temida crise americana é vista aqui como oportunidade ímpar de lucro, afinal, Bingham, trabalha em uma empresa que demite pessoas. Pulando de um aeroporto ao outro, onde sente-se em casa, o "empresário", visita diversas empresas fazendo parecer aos dispensados que estão tendo uma nova oportunidade de vida. Nas horas vagas, ele ainda dá palestras motivacionais, onde explica porque devemos nos livrar das amarras da vida, tanto materiais quanto pessoais. Sua filosofia nômade é ameaçada, no entanto, pela chegada de Natalie, uma jovem vivida por Anna Kendrick, que tem a infeliz idéia de modernizar o serviço demitindo pessoas por videoconferências.

George Clooney em Amor sem escalas

Além da possibilidade de perder a vida que tanto ama, Bingham tem que levar a garota em suas viagens para mostrar sua técnica. Em paralelo, duas outras situações ameaçam o espírito do protagonista. O casamento da irmã caçula e a chegada de Alex Goran, com Vera Farmiga muito bem no papel da seguradora independente. Tudo vai se encadeando de uma forma suave, com cenas memoráveis à exemplo da mensagem desconcertante do namorado de Natalie ou a simulação de demissão que Bingham faz.

George Clooney caiu como uma luva no papel, nem precisa fazer muito esforço com seu sorriso carismático. Vera Farmiga dá um charme especial ao filme e Anna Kendrick consegue um bom resultado dosando a insegurança da personagem e a vontade de inovar, sem deixar de acreditar em seus valores. Há reviravoltas surpreendentes no filme, principalmente quando você acha que ele vai apelar para o clichê. Na verdade, Jason Reitman se utiliza de um clichê forte, perto do final do filme, quando o protagonista tem sua epifania, mas que serve apenas para nos levar a crer em um final e nos derrubar logo depois. A única cena completamente desnecessária é a que acontece com o genro no casamento da irmã. Soa meio forçado.

No geral, o filme é muito bem contruído e amarrado, nos levando a uma aventura improvável, nunca pensei que alguém pudesse viver de demitir pessoas, mas muito instigante. Não chega a ser o filme do ano, mas é uma boa opção de divertimento.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

5 opiniões:

Robson Saldanha disse...

Finalmente alguém que concorde que defintivamente não é o melhor filme do ano ainda que seja um bom divertimento e só. Acho que está sendo superestimado.

11 de fevereiro de 2010 08:39
Fernando disse...

É impressionante como o filme caiu nos elogios dos críticos depois da elevação de Guerra Ao Terror... Até o começo de dezembro este era o principal concorrente de Avatar... Mas gostei do filme. Foi uma grata surpresa porque não esperava muito, já que sempre tenho um pé a trás de filmes de George Clooney... mas gostei bastante deste último papel... Vera Farmiga é ainda melhor e se não fosse por Mo'nique, meu prêmio seria dela...
Ainda: Concordo com sua crítica a respeito da tradução dos títulos dos filmes... Ainda quero fazer um post sobre isso.

11 de fevereiro de 2010 09:27
Cristiano Contreiras disse...

Sua resenha foi a mais sóbria - explico: todos os blogueiros estão a idolatrar este filme, colocando-o, literalmente, nas alturas! rs
Todo mundo falando deste filme como se fosse uma obra-prima. Ainda não pude conferir, mas confesso que até hoje tenhoa uma certa repulsa ao Clooney, mas reconheço que ele está bem mais expressivo e versátil que há 10 anos atrás.

E a indicação de Anna Kendrick veio na hora certa? Bom, atriz boa ela já é desde sua participação pequena na saga Crepusculiana.

Beijos

11 de fevereiro de 2010 11:14
André disse...

Olá

Concordo quando dizem que o filme não é espetacular. Trata-se de um filme com bom roteiro e boa interpretação, mas nada de tão especial como os críticos americanos apontam.

O tema é bem interessante, questionando sobre escolhas de vida, e a possibilidade de ser feliz sozinho.A crítica social também vem bem diluída.

Anna Kendrick está bem no filme, mas longe de ser a melhor.

Preciosa ainda tem meu voto de melhor filme entre os indicados.

Abraço

11 de fevereiro de 2010 14:15
Amanda Aouad disse...

Verdade, o filme é bom, mas está longe de ser excepcional, bem construído não significa obra-prima.

Cris, Anna Kendrick está bem sim, mas como disse André, não é a melhor, não é a melhor, mesmo se não tivesse Mo'Nique em sua frente, acho que dificilmente levaria a estatueta agora. Como Fernando falou, Vera Farmiga é o nome feminino do filme.
E, Robson, concordo, o filme está sendo superestimado.

abraços

17 de fevereiro de 2010 12:06

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