29/04/2010

30 anos de morte de Alfred Hitchcock

Alfred HitchcockHoje fazem trinta anos da morte de um gênio do suspense: Alfred Hitchcock. Nascido em Londres, foi para os Estados Unidos em 1939, fazendo seu primeiro filme em solo americano, Rebecca, a mulher inesquecível e já foi indicado ao Oscar. Mas, o reconhecimento final de Hitchcock veio de François Truffaut que o consagrou na Cahiers du Cinéma como "autor". O cinema americano era visto como menor, filme de produtor e Truffaut demonstrou os traços de autoria na obra do cineasta que passou a ser visto com outros olhos.

A identificação foi tanta que o idealizador da Nouvelle Vague fez uma série de entrevistas que resultou no livro Hitchcock/Truffaut: Entrevistas. Truffaut fez quinhentas perguntas sobre a obra e carreira do diretor londrino / americano. Hitchcock pode, então, comentar detalhadamente sua produção, desde os primeiros filmes mudos feitos na Inglaterra até os coloridos e sonoros de Hollywood, falando sobre a concepção de cada obra, a elaboração do roteiro, as circunstâncias, as inovações e os problemas técnicos, a relação com os atores.

É nesse livro que ele expõe sua teoria de diferenciação entre o suspense e o horror, para ele um gênero menor. Segundo o mestre, o suspense é quando o espectador sabe de algo que os personagens não sabem e ficam angustiados com a expectativa de algo ruim. Como um casal sentado em uma mesa que o público sabe que tem uma bomba embaixo. Toda a tensão está nessa informação. Agora, no horror, o público é tão inocente quanto o personagem. Na mesma cena, a bomba simplesmente explodiria assustando a todos.

Uma característica interessante de sua carreira, é que ele sempre dá um jeito de aparecer em seus filmes. É quase um fetiche e o público adorava. Todo filme, tinha a expectativa de descobrir em que cena o diretor apareceria. Abaixo algumas delas.


Sua obra é tão extensa que fica difícil fazer um ranking lembrando os melhores momentos. Então, para homenagear esse grande gênio destaco aqui três obras-primas, em minha opinião.

Psicose cartaz originalPsicose
Em 1960, chegou ao cinema um filme diferente, tão diferente que diz a lenda que o próprio Hitchcock ficava na fila do cinema pedindo que ninguém entrasse no meio da sessão e não contasse o final. Independente disso, Psicose tinha uma narrativa inovadora, a começar pela falsa protagonista. Marion Crane, vivida por Janet Leigh, rouba uma grande quantia de dinheiro e se esconde no motel Bates. Aí, entra em cena o verdadeio protagonista: Norman Bates. E claro, sua misteriosa e histérica mãe. A cena do banheiro tão difundida, acontece aos 47 minutos de filme, ou seja, Janet Leigh fica apenas um terço do tempo na tela. Uma curiosidade é que essa cena teve 70 planos diferentes e, pela primeira vez, um olho aberto foi utilizado para mostrar uma pessoa morta. Outra é que o sangue retratado é, na verdade, chocolate, já que lhe renderia um contraste melhor na película em preto e branco. A revelação e a cena final também são um marco do cinema que merece ser visto e revisto.

Festim Diabólico cartaz originalFestim Diabólico
Em 1948, Hitchcock resolveu fazer um filme sem cortes. O famoso plano-sequência. E assim nasceu Hope, que no Brasil levou o nome singelo de Festim Diabólico. A trama mostra dois amigos, Brandon e Philip, que matam um colega, escondem dentro de um baú, em uma sala, e dão uma pequena festa nela, chamando, inclusive os pais do garoto. Puro fetiche. Será que alguém iria descobrir? A tensão é grande e a coreografia para que tudo aconteça é muito boa. A tecnologia da época não permitiu que o filme fosse todo em uma tomada, foram necessárias quatro paradas para trocar o rolo, mesmo assim, é tudo muito bem ensaiado e planejado.Quase não percebemos.

Janela Indiscreta cartaz originalJanela Indiscreta
Em 1954 Hitchcock traz o suspense novamente para um espaço muito restrito, um pátio de um condomínio. O fotógrafo L.B. Jeffries quebrou a perna e para passar o tempo fica observando a vizinhança com um binóculo. Em uma janela logo a frente, tudo indica um assassinato que ele vai tentar denunciar. O grande mérito do filme, além do roteiro instigante, é a forma como o diretor conduz sua câmera pelo olhar do protagonista. Estamos com ele, vendo o que ele vê e acreditando em suas descobertas. Fantástico.


10 opiniões:

Camila Fink disse...

Sou fã do Hitchcock, como mestre do suspense e diretor exemplar do cinema clássico. Adorei o texto, principalmente porque também considero os filmes destacados as suas obras-primas. Nunca vou me cansar de ver e rever seus filmes. Ótima homenagem! Agradeço imensamente ao Truffaut por ter produzido esta excelente obra que você cita e que considero fundamental na biblioteca de qualquer cinéfilo. Uma verdadeira aula de cinema! Parabéns por mais este texto.

Aliás, não sei se você já sabe, mas as entrevistas estão em áudio na rede. Seguem os links: http://camilafink.wordpress.com/2009/06/06/cacadores-da-arca-perdida-parte-5/

29 de abril de 2010 08:15
Fernando disse...

Parabéns pelo post! Grande diretor, o qual venho apreciando agora (como você tem visto no meu blog, hehe). Muito boa a diferenciação entre suspense e horror e concordo com ele. Dos três que você mencionou, ainda não vi Janela Indiscreta, que aliás, será o próximo! :)

Bjos

29 de abril de 2010 13:12
thicarvalho disse...

Olá Amanda, parabéns pela lembrança deste, que na minha opinião, foi um dos melhores diretores de todos os tempos. Vc citou excelentes filmes, mas deixou de fora o melhor dele, na minha opinião. Trata-se de Um Corpo que Cai, um dos filmes mais intensos e surpreendentes que já vi. Além de grandes filmes, Hitchicock era genial como diretor, criando takes e modos de se filmar, que até hoje, servem de inspiração para os grandes diretores, inclusive Stevgen Spielberg, que é fã declarado de Hitchicock. Da filmografia do diretor, vale lembrar também clássicos como Os Passaros, O terceiro Tiro e O Homem que sabia demais, que tem uma das cenas mais antológicas da carreira do diretor. Grande abraço Amanda.

Visitem

www.cinemanic2008.blogspot.com

29 de abril de 2010 15:02
Wenndell Amaral disse...

Estou com Janela Indiscreta aguardando para ser assistido assim que arrumar um tempinho. Hitchcock é outro diretor que escuto falar muito e muito bem, porém não conheço suas obras. Outro erro meu. Mas ainda há tempo!

29 de abril de 2010 16:56
Hugo disse...

Ainda não tiver a oportunidade de conhecer este livro, fiquei muito curioso, vou pesquisar.

Sobre a carreira de Hitch, dispensa comentários, até seus filmes menores estão acima da média.

Até mais

29 de abril de 2010 17:23
Amanda Aouad disse...

Não sabia das entrevistas em aúdio disponíveis, Camila, muito bom. Eu realmente adoro isso.

Pois é, Fernando, estou acompanhando seus relatos, hehe, muito bom. O importante é sempre relembrar esse gênio.

Thiago, eu gosto muito de "Um corpo que cai", a forma como foi construída a questão de mulher, enfim, como falei não é um ranking, ele tem muitos filmes muito bons, destaquei três que além de muito bons trouxeram uma inovação qualquer.

Assista, Wenndell e depois fale o que achou.

É bom sim, Hugo, uma conversa maravilhosa sobre cinema.

abraços

29 de abril de 2010 19:10
bruno knott disse...

muito bom o post.
Hitchcock merece todo o reconhecimento! os três filmes que você citou são obras-primas, não há duvida!!!

há uns meses eu fiz um post sobre ele tb, se quiser conferir: http://intratecal.wordpress.com/2010/02/15/alfred-hitchcock/

bjs!

30 de abril de 2010 00:29
Robin disse...

Hitchcock é mesmo um gênio. Adoro todos os filmes que vi dele. Meu preferido é Hope.

abraços

30 de abril de 2010 17:17
André C. disse...

Acho que nenhuma pessoa em sã consciência não tenha um filme de Hitchock em seus preferidos. Eu sou fã do cara e sempre revejo seus filmes, estes dias revi Janela Indiscreta.

Excelente o post!

Abraços,
André

5 de maio de 2010 11:53
Amanda Aouad disse...

André, Robin, e Bruno, pois é, um gênio que merece todas as homenagens, seja em um post, uma indicação ou revendo seu filme.

abraços

6 de maio de 2010 00:21

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