27/06/2010

As férias da minha vida

Queen LatifahQueen Latifah dirigida por Wayne Wang em um filme que narra a história de uma mulher que descobre que vai morrer e resolve torrar seus últimos tostões nos Alpes suiços. A primeira reação ao juntar isso é dizer: não obrigada. Mas, eu não canso de falar aqui que mesmo um filme ruim tem a nos ensinar e quem gosta e escreve sobre cinema não pode ter preconceitos. Que bom que eu pensei assim, porque As férias de minha vida não é um filme ruim. É uma história leve e edificante sobre relacionamentos, preconceitos e escolhas de nossas vidas.

Porque as pessoas têm tanto medo de viver? É mesmo preciso estar à beira da morte para ter a coragem de correr atrás de seus sonhos? O livro de possibilidades da protagonista Georgia Byrd me lembrou o de Ellie e Carl em Up, só que a diferença é que o casal da animação colecionava memórias, enquanto que neste filme a personagem colecionava sonhos. Após sofrer um acidente de trabalho, a moça é diagnosticada com uma doença rara, tendo poucos meses de vida. Ela pede demissão, raspa suas economias e vai em busca da realização daqueles sonhos.

As férias de minha vida

No SPA de luxo suíço, Georgia não tem limites nem medos. Nada a assusta ou preocupa, ela só quer viver cada momento, aproveitando ao máximo sua vida. Claro que isso chama a atenção. Uma pessoa sem preocupações é algo a se preocupar e logo todos estão tentando descobrir quem é aquela arqui-milionária sem papas na língua. O roteiro de Jeffrey Price e Peter S. Seaman é feliz ao construir a trama aos poucos, sem que o espectador perceba onde está sendo levado. Ficando até mesmo a dúvida para o final.

As férias de minha vidaO plus é a participação de Gérard Depardieu como um chefe de cozinha encantador. E compõe muito bem a cena junto a Latifah que me surpreendeu. Não há como não se encantar com Georgia. E não é por pena de sua morte eminente, mas sim por seu vigor e paixão pela vida. É interessantíssima cada sequência em que ela pergunta a Deus por que ele lhe deu tudo no momento em que resolve tirar sua vida. Acontece, que esse tudo já estava lá, ela que só teve a coragem de agarrar no momento que achou que ia morrer sem viver o que queria. Quantos de nós passamos pelo mesmo a cada momento?

O ponto fraco é mesmo a direção. Wang tem escolhas primárias e muitas sequências perdem a força porque ele resolveu escolher um enquadramento errado, como o primeiro encontro de Latifah e o chefe Depardieu, ou na cena da sacada do hotel no final. Ainda assim, é um filme válido. Uma comédia romântica diferente.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

4 opiniões:

bruno knott disse...

Não fosse o teu review eu jamais iria atrás desse filme. Parece-me interessante!

27 de junho de 2010 11:31
Amanda Aouad disse...

Pois é, Bruno, eu também não assistiria se não estivesse uma noite sem muito o que fazer, ligasse o Telecine e o filme estivesse começando. Mas, como falei, me surpreendeu. É bem interessante, sim.

abraços

27 de junho de 2010 11:35
Kamila disse...

Este filme tem uma mensagem bonita, mas é muito bobinho. E eu gosto até da atuação da Queen Latifah neste longa.

27 de junho de 2010 18:57
Amanda Aouad disse...

Queen Latifah me surpreendeu mesmo, Kamila. Quemei minha língua. Não achei o filme tão bobinho, tem uns momentos bem interessante.

28 de junho de 2010 18:44

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