06/09/2010
Mary e Max - uma amizade diferente
Uma garotinha australiana de oito anos e um homem americano de 44 anos. O que eles têm em comum? A forma depressiva de encarar a vida. Um se torna o alento do outro quando Mary resolve escolher o endereço de Max aleatoriamente para perguntar como os bebês nascem nos Estados Unidos. Na Austrália, ela estava convencida de que vinha em copos de cerveja. Pelo menos foi o que disse um tio seu. Da ingenuidade da garota e da dificuldade do homem que sofre de Síndrome de Asperger surge uma bonita e inusitada amizade.
Baseado em fatos reais, Mary & Max é um longa-metragem de animação escrita e dirigida por Adam Elliot. Ele optou pela técnica de stop-motion para realizar o filme, o que fez muito bem. O visual artesanal das massinhas enriquecem aquela história bela e triste ao mesmo tempo. Foge completamente dos clichês, nos levando por uma viagem por dentro da alma humana em suas nuanças mais complexas. É denso, forte, que ninguém ouse imaginar que possa ser para crianças. Mary e Max é um drama psicológico mais complexo que muitos de Bergman.
Ao final do filme nos deparamos com a frase: “Deus nos dá familiares. Ainda bem que podemos escolher nossos amigos”. É verdade. Partindo dessa premissa, Adam Elliot mostra as escolhas de Mary e Max ao decorrer de suas vidas. Fechados em seus próprios mundos, eles se correspondem por anos e anos, em lados opostos do mundo. Interessante ver o amadurecimento de Mary que de criança vai se tornando uma moça até uma mulher adulta, enquanto Max continua o mesmo ranzinza com os mesmos rituais típicos da doença. As trocas de cartas são interessantíssimas, principalmente nos brindes que as acompanham.
O entorno de Mary também é bastante significativo, como sua mãe carrasca, que agora entendi de onde Meu Malvado Favorito tirou a inspiração para mãe do protagonista. Tem também o velhinho com trauma de guerra. Ou os colegas de escola e depois de faculdade. Sempre são pessoas hostis, estranhas, doentes. Já Max vive em sua solidão apenas com animais. Como o peixe que morre e sempre e substituído por outro com o mesmo nome, ou o gato com vontade própria.
Outra característica interessantíssima da animação é a forma como expõe as cores. O mundo de Max é preto e branco, pois ele ver tudo em escalas de cinza. Já Mary vê tudo em marrom, por isso sua parte é retratada assim. Alguns elementos criam cores da junção dos dois mundos como o gorro que Mary enviou para Max e que fica vermelho em sua cabeça. Toda a simbologia por trás dessas escolhas é bela e demonstra a grandeza de um filme tão sensível. É um belo exemplar que merece ser visto por todos.










































13 opiniões:
É uma bela história, muitissimo bem contada em forma de animação stop-motion... Filme para se ter na estante e ver sempre quando der vontade.
6 de setembro de 2010 09:15Realmente, um ótimo filme.
6 de setembro de 2010 14:25Verdade, Fernando...
6 de setembro de 2010 17:16Bom mesmo, Isa.
Tá todo mundo falando muito bem dessa obra. A conferir!
6 de setembro de 2010 19:17Um dos filmes que mais estou afim de assisitir. Uma história q parece sensacional, com um visual extremamente encantador. Espero assiti-la em breve. Grande abraço Amanda.
6 de setembro de 2010 22:23Vale, Kamila.
6 de setembro de 2010 22:28Assim que assistir, conte o que achou, Thiago...
abraços
Amanda eu estava procurando um filme neste gênero e com ousadia desde O Estranho Mundo de Jack. Na verdade outra obra de arte veio na mesma época, Coraline e o mundo Secreto, mas certamente Mary & Max envolve muito mais com sua humanidade, criatividade e simplicidade na animação.
7 de setembro de 2010 00:24Beijos
Rodrigo
“Deus nos dá familiares. Ainda bem que podemos escolher nossos amigos”
7 de setembro de 2010 12:36A mais pura verdade, um filme lindo e emocionante.
Verdade, Rodrigo, humanidade, criatividade e simplicidade. Ousadia deliciosa. Que venham mais...
7 de setembro de 2010 13:53Márcio, não tenho dúvidas disso, hehe.
beijos
Essa frase do final do filme é a cereja do bolo!
8 de setembro de 2010 03:00Junto com Wall-E é minha animação preferida.
Com certeza, Bruno... A frase é ótima. Está entre meus preferidos também.
8 de setembro de 2010 19:08bjs
"...é um drama psicológico mais complexo que muitos de Bergman". Wow! Apesar de ser uma frase que possa gerar polêmicas nos cinéfilos mais xiitas, eu concordo totalmente com vc. E de forma alguma rebaixo os trabalhos que Bergman prestou ao cinema, mas é que "Mary & Max" realmente é um filme belíssimo e emocionante.
9 de setembro de 2010 08:40Belo texto, Amanda. Ressalta as qualidades desta animação inesquecível.
Também fiz texto no blog sobre o filme. Esse é o link: http://pospremiere.blogspot.com/2010/05/normal-0-21-false-false-false.html
abraço!
Verdade, os xiitas podem protestar, mas ele é mesmo um belo drama psicológico. E olha que adoro Bergman.
9 de setembro de 2010 10:35abraços
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