01/10/2010

O melhor e pior de Julia Roberts

Após ser considerada a maior estrela de Hollywood, Julia Roberts passou por um período difícil de filmes duvidosos e bilheterias ruins. Às vezes é difícil imaginar que a Linda Mulher se prestou a papéis como Noiva em Fuga. Hoje estreia Comer, Rezar e Amar, que apesar de não ter atingido a bilheteria esperada nem o retorno de crítica acalorada, é uma espécie de sua volta aos grandes filmes. Por isso, resolvi resgatar aqui o que considero grandes papéis e grandes micos da atriz em sua carreira.

Grandes Sucessos

Julia Roberts em Uma Linda Mulher
Uma linda Mulher
Não há como negar, foi com esse filme que Julia Roberts se tornou uma estrela de primeira grandeza. O título do filme virou quase um apelido da atriz, sendo referência em todos os seus trabalhos futuros. O filme de Garry Marshall é uma típica comédia romântica baseada no argumento de Cinderela. A transformação da prostituta Vivian através do amor de Edward Lewis é um conto de fadas inspirador. Como não lembrar de cenas clássicas a exemplo dela na loja de roupas, quando faz sua transformação ao som da música de Roy Orbison. E claro, a cena final.

Julia Roberts em Um Lugar chamado Notting Hill
Um Lugar chamado Notting Hill
Adoro as comédias românticas inglesas. Tem um charme e inteligência especial, principalmente as protagonizadas por Hugh Grant. Acho que esse filme não chega a superar Quatro Casamentos e um Funeral, mas é simpaticamente cativante, principalmente em seus detalhes. Roger Mitchell soube explorar bem a situação de uma grande estrela de cinema apaixonada por um cidadão inglês comum. Julia Roberts é Anna Scott, essa atriz famosa que esbarra quase por acaso com o pacato William e vivem um estranho romance. Cenas como a primeira vez em que ela visita a casa da família dele ou ele entrevistando o elenco do filme por engano, além do maluco amigo posando para a multidão de fotógrafos apenas de cuecas são ótimas. Temos também momentos românticos como ela dizendo ser "apenas uma mulher na frente de um homem, pedindo para ser amada". E claro o final, que é uma das soluções mais inteligentes e bem dirigidas de comédias românticas naquela coletiva de imprensa.

Julia Roberts é Erin Brockovich
Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento
E claro, não poderia deixar de entrar na lista o filme que deu o Oscar a Julia Roberts. Como disse na crítica do filme, mais do que um filme sobre uma mulher de talento, Erin Brockovich dirigido por Steven Soderbergh em 2000 é uma lição de vida, um alerta para o cuidado com o meio ambiente e, o mais importante, baseado em uma história real. Uma mulher que fica desempregada, cheia de dívidas e resolve estagiar no escritório do seu advogado acaba se envolvendo na maior ação do país, lutando contra a intoxicação por Cromo 6.

Grandes Micos

Julia Roberts e Brad Pitt
A Mexicana
Juntar Julia Roberts e Brad Pitt é sucesso garantido, certo? Errado. Lançado para ser um sucesso, o filme de Gore Verbinski foi um fracasso estrondoso de bilheteria, e hoje está quase esquecido na memória cinéfila. Não chega a ser um filme ruim, talvez o diretor pouco experiente tenha deixado o caldo desandar. Mas, o fato é que ele é uma mistura de comédia, policial, romance em uma história meio absurda. Afinal, Brad Pitt é um gângster que precisa ir ao México para resgatar uma pistola chamada "A Mexicana", que possui uma espécie de maldição. Enquanto isso, sua esposa, vivida por Julia Roberts que o pressionava a largar essa vida, é mantida como prisioneira do chefe até que ele volte com a missão cumprida. Precisa explicar mais?

Julia Roberts em Prêt-à-Porter
Prêt-à-Porter
Antes de mais nada, devo dizer que eu adoro esse filme de Robert Altman. O humor negro do diretor / roteirista, a forma como ele conduz a história, o desfecho no desfile e aquela cena final ao som de La Vie en Rose, me empolgaram. Agora, o que Julia Roberts fez nesse filme? Ficou em um quarto de hotel bebendo champanhe e tendo relações sexuais com um desconhecido vivido por Tim Robbins. É tão desconectado do restante da trama que nem são citados na sinopse oficial.

Julia Roberts em Noiva em Fuga
Noiva em Fuga
Lamentável, é como posso definir a idéia que Garry Marshall teve de reunir novamente o casal emblemático de seu sucesso Uma linda mulher. Toda a história do filme é uma grande besteira. Uma mulher conhecida por fugir de casamentos é alvo de um jornalista machista. Porque ela foge de casamentos, nem ela mesma sabe explicar, mas quando os dois vão se enfrentar o resultado é o mais óbvio possível. Com uma reviravolta ou outra engraçada, não dá mesmo para considerar esse um bom filme.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

14 opiniões:

alan raspante. disse...

Putz, eu ainda não vi "Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento", preciso ver!
"uma Linda Mulher" é mesmo inesquecível. "Noiva em Fuga" eu até acho bacaninha, mas é completamente discartável. Acho que nos grandes sucessos, só faltou mesmo o último sucesso de Roberts, o "Closer" pra mim é o melhor filme que vi com ela.

Abs.

1 de outubro de 2010 09:05
Cristal disse...

A Mexicana eu até entendo que ela tenha feito... Ou melhor, o filme se justificou depois, já que foi por trás das câmeras que ela conheceu o marido. Já Noiva em Fuga é uma tentativa vergonhosa de repetir a dupla de Uma Linda Mulher.

1 de outubro de 2010 10:00
Larissa Paim disse...

E Um Lugar chamado Notting Hill é realmente uma comédia romântica que vale ser revista!

1 de outubro de 2010 11:10
Elton Telles disse...

Olá, Amanda!

não sou lá grande apreciador dos filmes de Julia Roberts, mas devo confessar a sua importância para a o retorno da consagração das comédias românticas. Podem não gostar da atriz, mas negar sua importância e contribuições ao cinema é ignorância.

Senti falta de "O Casamento do Meu Melhor Amigo" aí, talvez o meu preferido com ele - dentre os poucos rs. E "A Mexicana"... nossa, tinha até me esquecido dessa pérola. Outro que me veio à cabeça: "Mary Reilly", que lhe rendeu até uma indicação ao Framboesa, dirigido pelo Stephen Frears, mas este ainda não conferi.


abs!

1 de outubro de 2010 14:15
Mateus Souza disse...

Sempre achei Julia Roberts sem graça. Mas em Closer ela está muito bem (não supera Portman, é verdade, hehe). Seus diálogos com Clive Owen são os melhores do filme.

Abraço.

1 de outubro de 2010 15:51
Amanda Aouad disse...

Merece, Alan, Erin Brockovich é um bom filme. Quanto a Close, aí a falha é minha, pois ainda não vi... Vou corrigir isso, urgente.

É, Cristal, A Mexicana não parecia ser uma bomba... Já Noiva em Fuga...

Com certeza, Larissa. Nunca canso.

Elton, não sou tão fã de O Casamento do Meu Melhor Amigo, hehehe. Mas, claro, pode ficar entre seus grandes marcos.

Pois é, Mateus, como já falei, preciso corrigir o fato de ainda não ter visto Closer.

bjs

1 de outubro de 2010 17:56
Kamila disse...

Nos micos, eu incluiria "Adoro Problemas" e "O Segredo de Mary Reilly", que foi a tentativa que saiu pela culatra da Julia ser levada a sério como atriz. No mais, adoro a Julia, mesmo ela tendo uma cara de CHATA! rsrsrsrsrs

1 de outubro de 2010 20:22
Mandy disse...

Como sucesso eu ressaltaria tb o Casamento do Meu melhor amigo!!! =D Adorei! P/ mim Erin foi 1 dos melhores!

1 de outubro de 2010 21:57
thicarvalho disse...

Tb não sou grande fã de Roberts, mas sem dúvidas Uma Linda Mulher é um grande clássico. Grande abraço e até mais.

Visitem

www.cinemaniac2008.blogspot.com

2 de outubro de 2010 01:56
Amanda Aouad disse...

hehe, pois é, Kamila. Também gosto dela, mesmo com esses micos.

Mandy, o Casamento do meu melhor amigo é mesmo um sucesso, mas é um filme enjoadinho pro meu gosto.

Com certeza, Thiago, Uma linda mulher é um clássico.

bjs

3 de outubro de 2010 10:24
Reinaldo Glioche disse...

O grande mico é A mexicana msm. rsrs. Julia tem muuuita história para contar. Dá para fazer uns três painéis desses com filmes diferentes.
bjs

3 de outubro de 2010 11:52
Rafael Carvalho disse...

Eu, sinceramente, não sou dos maiores fãs da Roberts. Acho ela uma atriz limitada e cheia de si, o que atrapalha e muito suas performances porque ela sempre acha que está por cima da carne seca. É aquele ar de "eu sou poderosa" que atrapalha demais a composição de personagens dela. Mas sabe que até hoje eu não assisti a Erin Brockovich? Parece ser a melhor atuação dele, ou pelo menos eu espero que seja, porque se depender das outras, ela não passa de uma simples superstar, até prova em contrário!

3 de outubro de 2010 23:57
Cristiano Contreiras disse...

Como não gosta muito de O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO? Ahhh, eu gosto e muito deste, talvez um dos meus prediletos dela. Acho Linha Mortal ótimo - poucos conhecem, mas é um bom filme sim...e ela tem uma boa atuação, conhece esse? Gosto de Erin Brockovich e acho sua participação em Closer fraca, mas ainda assim o filme é muito bom. Lembrando que O dossie pelicano me empolga!

beijos

8 de outubro de 2010 15:01
Amanda Aouad disse...

Verdade, Reinaldo.

Não acho que tenha esse ar todo, Rafael. Mas, concordo que ela seja muito mais uma superstar do que uma grande atriz.

É, Cris, acho que a história é meio enjoadinha, cansa, não é daqueles que a gente não gosta de rever.

bjs

8 de outubro de 2010 17:00

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