03/08/2010
Uma mulher de talento
Mais do que um filme sobre uma mulher de talento, Erin Brockovich dirigido por Steven Soderbergh em 2000 é uma lição de vida, um alerta para o cuidado com o meio ambiente e, o mais importante, baseado em uma história real. O filme que hoje é mais lembrado pelo papel que deu o Oscar a Julia Roberts nos traz um caso de indenização de mais de 600 famílias pela intoxicação por Cromo 6 e nos envolve com a construção da força daquela personagem.
A primeira meia hora do filme é estranha, parece desnecessária. Mas, provavelmente, a roteirista Susannah Grant quis expor o desespero no qual aquela mulher se encontrava. Desquitada, três filhos para criar, desempregada, sofre um acidente e perde a causa que, segundo o advogado, era ganha. Em vez de chorar ou roubar, Erin Brockovich invade o escritório de Ed Masry, vivido por Albert Finney, e exige um emprego. Ela então, acaba se envolvendo com o maior caso de indenização dos Estados Unidos.

A direção de Soderbergh é caprichosa e sensível, ao contrastar sempre o ambiente áspero daquele lugarejo com a vitalidade de Julia Roberts, caracterizada em roupas de chamar a atenção de todos. Ela sabe convencer qualquer um e tirar informações impossíveis, define o advogado. Deixando com seu vizinho as crianças, Erin mergulha de cabeça naquele caso, se envolvendo com cada família a ponto de parecer parte da comunidade. O que seria um simples caso imobiliário se torna uma indenização imensa graças à capacidade investigativa daquela mulher. Mas, mais importante, ela demonstrava às pessoas que realmente se importava com a vida delas. "diga que eu não sou uma advogada", ela brinca.
A construção daquela personagem é o que nos encanta, tal qual encantou a cada morador atingido pelo Cromo 6. A substância tóxica é colocada por uma indústria para evitar o enferrujamento das máquinas, o problema é que a aproximação com o lençol de água acabou contaminando todos os moradores locais que tiveram diversos tipos de câncer. O alerta pelo cuidado com o meio ambiente é outro ponto importante do filme, que mostra os estragos nas pessoas, animais e vegetação. Um exemplo para se pensar. Um bom filme, é como podemos classificar Erin Brockovich. Mas, poderia ser ainda melhor se o roteiro trabalhasse o clímax de forma mais emocionante. Depois da última reunião no escritório de advocacia perde-se o impacto de qualquer resolução. Ali parecia acabar a história. A revelação da sentença fica sem o brilho esperado talvez pela previsibilidade, ainda mais por ser um fato tão conhecido no país. Ainda assim, é envolvente, nos fazendo admirar aquela mulher e torcer pelo final feliz.
Uma curiosidade é que a verdadeira Erin Brockovich aparece em uma ponta no início do filme. Ela é a garçonete que atende Julia Roberts e os filhos em uma lanchonete.










































10 opiniões:
Um bom filme. Vc classificou muito bem. Esse filme edificante é e continuará sendo lembrado pelo Oscar que deu a Julia Roberts e por ter sido o primeiro papel de destaque de um certo Aaron Eckhart.
3 de agosto de 2010 10:16Beijos
Eu gosto muito desse filme, pela temática principalmente. Bons tempos de Julia Roberts.
3 de agosto de 2010 10:20bjs
Verdade, Aaron Eckhart, com um aspecto largado e quase desconhecido, hehe. Não citei a presença do ator, foi uma falha, mas não quis falar muito do seu personagem para não deixar spoilers, já que ele aparece bem a frente e sua importância é construída aos poucos.
3 de agosto de 2010 10:37É, Robin, ela estava no auge.
bjs
Quando vi pela primeira vez, algumas pessoas que me acompanham também reclamaram da resolução, dizendo que faltou um pouco de emoção. Particularmente gostei da decisão de não se prolongar no clímax, tanto que já vi esse umas 5 vezes, rsrs.
3 de agosto de 2010 11:29Não tem quem não gosta de Erin Brockovich. É aqueles casos que a crítica e o público ama! Sem contar que Julia Roberts está perfeita no papel. Foi o auge da carreira dela até o momento.
3 de agosto de 2010 12:09Gosto muito deste filme, muito mesmo (ainda que tenha me contorcido de ódio, cólicas, dores e desespero ao ver Ellen Burstyn perder o Oscar, por Requiem para um sonho, para Julia Roberts...pra mim, foi um absurdo total...pior até que ver Paltrow ganhar o premio no lugar de Fernanda Montenegro/Cate Blanchett, risos)...ainda assim, é um bom filme e bem dirigido...Roberts atua muito bem, é difícil não pararmos de olhá-la em cena...boa composição, só não acho que merecia o Oscar ali. Aaron Eckhart merecia uma indicação, mais que o chatinho Albert Finney...
3 de agosto de 2010 16:16Gosto deste filme e que bom que colocou ele aqui! Boa lembrança de 2000.
O filme vale pelo talento e beleza é claro, de Julia Roberts, além da ótima e curiosa história.
3 de agosto de 2010 16:21Gosto do estilo de Soderbergh, apesar de não ser um super diretor, ele é extremamente competente.
Até mais
Uma história incrível e um filme bem trabalhado. Julia Roberts atingiu o auge de sua carreira com ele. É, na minha opinião, um filme indispensável!
3 de agosto de 2010 16:40Abração!
Sandro Azevedo
blog24fps.blogspot.com
Eu gosto pra caramba de "Erin Brockovich"! Além da performance da Julia Roberts, tem a direção documental do Steven Soderbergh, tem o elenco sólido e, principalmente, a questão da personagem principal. Erin era uma mulher cheia de defeitos, mas que quis acertar e melhorar de vida, fez isso e ainda inspirou outros. Ela é uma vencedora!
3 de agosto de 2010 18:13É, Vinícius, eu não disgostei, hehe, só esperava algo mais apoteótico, sei lá, com todos recebendo a notícia.
4 de agosto de 2010 10:17Verdade, Fernando.
Que bom, Cris. Entendo sua revolta no Oscar, mas era a chance de Julia Roberts, que estava encantadora.
Sim, Hugo, bem competente.
Também acho, Sandro, por tudo que representa.
Sem dúvidas, Kamila, uma vencedora admirável. E tudo o que ela fez por aquelas pessoas é digno de aplausos.
abraços
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