24/11/2010
Você vai conhecer o homem dos seus sonhos
"A vida é cheia de Som e Fúria, e, no final, isso não significa quase nada." Começa assim Woody Allen seu 48º filme, parafraseando William Shakespeare em Macbeth. Podemos chamar Allen de tudo menos de mentiroso, pois com esse início e a música que virou símbolo da Disney ele expõe nos primeiros segundos toda a ótica de "Você vai conhecer o homem dos seus sonhos". Aliás, o título acabou sendo mais genérico que o original "You Will Meet a Tall Dark Stranger" que é, na verdade, uma frase bem peculiar do longametragem que trata da ironia do destino em resposta às nossas escolhas erradas.
Após algumas investidas quase experimentais que renderam boas surpresas como Match Point ou Scoop, Woody Allen retorna mais Woody Allen do que nunca, se é que me entendem. "Você vai conhecer o homem dos seus sonhos" segue a fórmula que consagrou o roteirista e diretor como um dos gênios do cinema. Claro que um estilo tão próprio gera seguidores ferrenhos e críticos com a mesma intensidade. Caso você seja do segundo grupo, melhor passar longe do filme, pode se irritar. A diferença de grandes clássicos por ele dirigidos é que não estamos em Nova York e, sim, em Londres, sua última parada, e não o vemos em tela.
Uma família às voltas com problemas de relacionamento. Alfie e Helena não se entendem mais, ele não aceita envelhecer, ela tenta puxá-lo para realidade. A filha do casal, Sally também não está se dando bem com o marido Roy, um médico formado que largou tudo pelo sonho de ser escritor. As escolhas dos quatro personagens vão transformando o entorno, criando outros problemas e caminhos que não tem mais volta. Alfie quer juventude e acaba encontrando uma moça muito mais jovem. Helena perde o equilíbrio mental e acaba entregando suas escolhas nas mãos de uma charlatã. Sally sonha com o patrão e Roy observa sua vizinha Dia.
Com o estilo que lhe é peculiar, Woddy Allen vai nos conduzindo nessa história, desnudando as consequências aos poucos. Aliás, devo dizer que acho Woody Allen muito melhor roteirista que diretor, logo, o texto desse filme é o forte. Diálogos bem entrosados, ironias ditas com o silêncio, mensagens subliminares que pairam no ar. Os personagens vão perdendo o chão aos poucos e muitas vezes, nem mesmo percebem o que fizeram. A narração que poderia soar didática em outros filmes, aqui dá o toque irônico do autor. Estamos assistindo a uma crônica muito peculiar. Lembrei muito de A Era do Rádio.
Os atores estão bem, apesar de Antonio Banderas estar meio perdido em meio ao elenco. Destaque para Gemma Jones como Helena. A interpretação dela está esplêndida, com uma carga dramática no olhar incrível. A forma como ela perde a noção da realidade, embarcando em seu sonho exotérico é muito boa. Anthony Hopkins é um excelente ator, não resta dúvidas e consegue conduzir bem o seu personagem com síndrome de garotão. Destaco ainda a participação de Freida Pinto apenas por ser seu segundo papel após o sucesso de Quem quer ser um milionário. O filme ainda conta com Josh Brolin e Naomi Watts.
Você pode não conhecer o homem dos seus sonhos nesse filme. E este pode não ser um dos melhores filmes de Woody Allen de todos os tempos. Mas, é uma história bem contada, divertida, com boas tiradas, que mostra na tela as bobagens que fazemos em busca de sonhos que nem sempre irão nos trazer a felicidade. Como ele avisou no início: "A vida é cheia de Som e Fúria, e, no final, isso não significa quase nada." Tenham bons sonhos.










































6 opiniões:
Gostei da sua crítica Amanda.Adoro Allen e este fim de semana vou encontrá-lo.
24 de novembro de 2010 09:35Bjs
Eu ja estava na expectativa, agora - depois do seu texto - que venha logo a sexta-feira.
24 de novembro de 2010 14:56Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com
Reinaldo, se adora Allen é bem provável que goste do filme.
24 de novembro de 2010 18:18Pseudo, não acho que a expectativa é uma boa amiga quando se fala de filmes, mas sabendo o que se esperar do diretor, não tem muito erro.
bjs
A participação de dois atores que eu aprecio podem me convencer a assistir a nova safra de filmes de W. Allen. Sou uma excessão. mas, não sou grande fã do diretor.
24 de novembro de 2010 21:10Allen está no meu hall de super diretores, que até quando fazem besteira, eles são bons :)
25 de novembro de 2010 15:09Vou conferir esse em breve.
Não sou das fãs mais fervorosas também, Renato. Mas, tem coisas bem interessantes dele.
25 de novembro de 2010 16:52Então, não tem erro, Rodrigo, hehe.
bjs
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