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Cinema Cult traz Deserto Feliz
Cinema Cult traz Deserto Feliz
Olha eu falando novamente do Cinemark, porém não posso deixar de registrar mais uma ação prol cinema nacional desta rede de cinema brasileiro. De forma tímida, quase sem divulgação, a rede instalada no Salvador Shopping dedica uma sessão diária (15h) para exibir um filme nacional não comercial com entrada custando R$ 7,00 (R$ 3,5 meia), incluindo sábado, domingo e feriado. Mais uma excelente oportunidade para o nosso cinema ser difundido e visto. Ainda sonho com mais ações como essa.
Hoje, estreou nesse horário, e permanecerá por três semanas Deserto Feliz, do diretor pernambucano Paulo Caldas (o mesmo de Baile Perfumado). Há um ano, o filme vem fazendo uma bela carreira em festivais por todo mundo, já colecionando prêmios nas principais categorias. Agora chega ao cinema, com exibição em 35mm em cinco cidades brasileiras, dentre elas, Salvador.
Como é característico dos filmes de Caldas, a sensação contemplativa é bastante forte na narrativa, quase beirando ao documental. Realmente direção e fotografia impressionam e são essenciais ao contar a história de Jéssica, garota de 14 anos que foge do interior de Pernambuco e se torna prostituta na capital. Lá, conhece Mark, um turista alemão que acaba levando-a consigo para Europa. Poderia ser um conto de fadas de ascensão pelo amor, porém não é esta a visão passada pelo diretor. Com um final aberto, enigmático, sabemos apenas que Jéssica não realizou nenhum sonho, nem encontrou a felicidade. Não sabemos nem ao certo o que parte é realidade ou fantasia nos pensamentos daquela menina na beira da cama (cena inicial que se repete em vários momentos do filme).
Pois, na verdade, o filme de Paulo Caldas não tem força no roteiro, que é quase linear, por falta de conflito narrativo. Temos a história da menina, temos a sucessão de acontecimentos, muitas vezes dramáticos, porém tudo é construído de uma maneira que não há trama a ser resolvida. Não há um plot que altere o curso da história, são apenas acontecimentos de uma vida cotidiana. E a conclusão a que se chega é que este não é um filme para ser assistido com o olhar crítico linear da narrativa tradicional, mas sim, com um olhar contemplativo de sucessão de imagens e sons que se multiplicam e constroem uma sensação. Seja ela boa ou ruim.
Viajando um pouco na construção, podemos tirar metáforas da história como o tatu que é criado para ser abatido, tal qual Jéssica pelo padrasto. Ou os tubarões da placa na praia com os turistas que chegam para devorar as meninas locais. Porém, apenas suposições. O fato é que Deserto Feliz tem seu mérito e merece ser apreciado por todos.
Hoje, estreou nesse horário, e permanecerá por três semanas Deserto Feliz, do diretor pernambucano Paulo Caldas (o mesmo de Baile Perfumado). Há um ano, o filme vem fazendo uma bela carreira em festivais por todo mundo, já colecionando prêmios nas principais categorias. Agora chega ao cinema, com exibição em 35mm em cinco cidades brasileiras, dentre elas, Salvador.
Como é característico dos filmes de Caldas, a sensação contemplativa é bastante forte na narrativa, quase beirando ao documental. Realmente direção e fotografia impressionam e são essenciais ao contar a história de Jéssica, garota de 14 anos que foge do interior de Pernambuco e se torna prostituta na capital. Lá, conhece Mark, um turista alemão que acaba levando-a consigo para Europa. Poderia ser um conto de fadas de ascensão pelo amor, porém não é esta a visão passada pelo diretor. Com um final aberto, enigmático, sabemos apenas que Jéssica não realizou nenhum sonho, nem encontrou a felicidade. Não sabemos nem ao certo o que parte é realidade ou fantasia nos pensamentos daquela menina na beira da cama (cena inicial que se repete em vários momentos do filme).
Pois, na verdade, o filme de Paulo Caldas não tem força no roteiro, que é quase linear, por falta de conflito narrativo. Temos a história da menina, temos a sucessão de acontecimentos, muitas vezes dramáticos, porém tudo é construído de uma maneira que não há trama a ser resolvida. Não há um plot que altere o curso da história, são apenas acontecimentos de uma vida cotidiana. E a conclusão a que se chega é que este não é um filme para ser assistido com o olhar crítico linear da narrativa tradicional, mas sim, com um olhar contemplativo de sucessão de imagens e sons que se multiplicam e constroem uma sensação. Seja ela boa ou ruim.
Viajando um pouco na construção, podemos tirar metáforas da história como o tatu que é criado para ser abatido, tal qual Jéssica pelo padrasto. Ou os tubarões da placa na praia com os turistas que chegam para devorar as meninas locais. Porém, apenas suposições. O fato é que Deserto Feliz tem seu mérito e merece ser apreciado por todos.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
Cinema Cult traz Deserto Feliz
2008-12-05T18:38:00-03:00
Amanda Aouad
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