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Superman
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Na eterna rivalidade entre a Marvel e a DC, uma característica sempre diferenciou uma editoria da outra. Enquanto a Marvel traz heróis humanos com qualidades feridas e algum poder adquirido, a maioria dos heróis da DC são arquétipos perfeitos, semi-deuses ou deuses que se aproximam, de alguma forma, dos humanos. Isso, no cinema com narrativas modernas acabou de alguma maneira afastando o público que prefere personagens imperfeitos. Não é de se estranhar, então, que o novo Superman de James Gunn comece com o Homem de Aço ferido após sua primeira derrota.
Este é o primeiro filme do recém-nomeado estúdio DC Studios, em uma estratégia similar à adotada pela Marvel em 2008. Marca o início de uma nova fase com filmes interligados dentro de um universo compartilhado. E essa não é a única semelhança com a concorrente. O tom do longa se afasta da atmosfera épica e, por vezes, sisuda que marcou as produções anteriores da DC. Aqui, há mais cor, humor, sequências leves e até atrapalhações que o aproximam tanto dos quadrinhos quanto do público mais jovem.
O mais interessante é que não foi necessário transformar o próprio Superman em uma caricatura risível, como ocorreu com Thor na Marvel, que acabou descaracterizado. Kal-El permanece um arquétipo do herói perfeito, ainda que mais vulnerável. O clássico "Lawful Good" que deseja ser uma inspiração para o mundo. Mas agora está cercado de personagens que cumprem o papel cômico, começando pelo simpático cão Krypto, insubordinado, cheio de energia e com cenas divertidas.
As batalhas também ganham o reforço da Gang da Justiça, formada pelo Lanterna Verde, Senhor Incrível e Mulher-Gavião. São esses personagens que dão a graça das sequências de luta e até mesmo fazem graça com as regras do próprio Superman, como quando ele tenta defender a cidade de um monstro gigantesco, sem matá-lo ou machucá-lo. São desses personagens as atitudes politicamente incorretas que ajudam a movimentar a narrativa.
Todas essas mudanças, no entanto, não mudam o enredo principal do homem de aço, em sua eterna luta do bem contra o mal com seu arqui-inimigo Lex Luthor. Desta vez, o jovem gênio do crime provoca uma guerra, se alia a um ditador estrangeiro, manipula a opinião pública contra o Superman e brinca com universos condensados. São muitos microconflitos que, no fundo, revelam o velho desejo de destruir o ser que veio do espaço e, claro, conquistar mais poder.
Entre bagunças, piadas e algumas cenas épicas com direito à famosa música de John Williams, o filme traz também uma força em seu elenco. David Corenswet encarna bem o homem de aço com sutilezas na interpretação de Clark Kent. Assim como Nicholas Hoult tem a intensidade certa para encarnar um Lex Luthor megalomaníaco. Rachel Brosnahan entrega uma Lois Lane carismática e forte, assim como Edi Gathegi dosa bem seu Senhor Incrível, assim como Nathan Filion e Maria Gabriela de Faria completando o trio de heróis.
Com esse novo Superman, James Gunn demonstra entender que reinventar não significa abandonar. Ao equilibrar reverência ao mito original com uma leveza contemporânea, o filme encontra uma via possível para a DC se reconectar com o público sem perder sua essência. É um recomeço promissor, que respeita o legado enquanto ousa abrir caminho para algo novo, trazendo pluralidade para o seu universo. Não precisa ser perfeito, nem tem a pretensão de ser um marco na linguagem cinematográfica. Mas é, sem dúvidas, uma jornada, quem diria, divertida.
Superman (Estados Unidos, 2025)
Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn
Com: David Corenswet, Nicholas Hoult, Rachel Brosnahan, Edi Gathegi, Nathan Filion, Maria Gabriela de Faria, Isabela Merced, Anthony Carrigan
Duração: 130 min.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
Superman
2025-07-10T08:30:00-03:00
Amanda Aouad
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