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Jurassic World: Recomeço
Jurassic World: Recomeço
Jurassic World: Recomeço chegou em 2025 com uma proposta ambiciosa de ser mais do que uma sequência direta ou um spin-off da saga de dinossauros, tentando costurar nostalgia e novidade dentro de um formato blockbuster que muitas vezes parece engessado pela própria história que carrega. Ao colocar Gareth Edwards na direção, o estúdio parecia interessado em explorar uma visão que reunisse a grandiosidade técnica de seus primeiros trabalhos com uma narrativa que fizesse sentido neste novo contexto. No entanto, o resultado final reflete um filme que oscila entre potencial e frustração, ilustrando de forma cristalina o dilema enfrentado pela franquia: como reinventar algo que já foi tão marcante sem perder a força original ou cair na armadilha da fórmula reciclada.
Do ponto de vista visual, Recomeço entrega aquilo que se espera num filme sobre dinossauros em 2025. As cenas de ação são bem construídas, existem sequências de suspense eficazes e o trabalho de efeitos, embora não alcance os picos de inovação do Jurassic Park de Spielberg, cria momentos de impacto que justificam, inclusive, assistir na tela grande. O uso do design de criaturas, com destaque para dinossauros maiores e mais ameaçadores, tem impacto real, sobretudo em cenas de perseguição na água e em planícies isoladas, onde o espectador sente o peso e o perigo dessas formas de vida pré-histórica. Essa dimensão quase física das criaturas contrasta com o que vemos na narrativa humana: personagens que, muitas vezes, sofrem de uma superficialidade irritante.
O elenco com nomes como Scarlett Johansson, Mahershala Ali e Jonathan Bailey se esforça, mas não há material dramático suficiente para sustentar ligações emocionais significativas. Quando um filme deseja misturar ação e drama precisa de um substrato narrativo que justifique a empatia; aqui, a família protagonista surge mais como um dispositivo de roteiro do que como um grupo de pessoas com profundidade e conflitos próprios. Diálogos genéricos e motivações pouco claras minam qualquer chance de realmente nos importarmos com o destino deles, o que é um problema essencial num filme que pede que vibremos com suas vitórias e nos assustemos com suas perdas.
A direção de Edwards, embora competente ao manejar a câmera em planos amplos e em cenas de confronto entre homem e besta, parece hesitar na construção dramática do argumento. O roteiro de David Koepp aposta em conveniências e clichês que parecem saídos de filmes anteriores da saga, sem oferecer subversões relevantes ou reflexões mais densas sobre a própria mitologia. Em muitos momentos, a trama parece se estabelecer como níveis de um videogame. São perigos sucessivos sem que haja profundidade ou significado emocional por trás deles.
Há, ainda assim, momentos em que Recomeço acerta e merece reconhecimento. A forma como trata os dinossauros como ameaças reais e perigosas resgata algo que a franquia havia perdido ao longo dos anos. Cenas isoladas de suspense, especialmente aquelas em que a tensão é construída não pelo barulho, mas pela espera e expectativa, funcionam de maneira exemplar. Essas instâncias sugerem que o filme poderia ter sido mais se tivesse ousado tanto dramaticamente quanto tecnicamente.
Por outro lado, a previsibilidade e a sensação de fórmula pronta enfraquecem a experiência geral. Em vez de expandir a mitologia ou subverter expectativas, o filme muitas vezes reforça elementos já vistos, como o cientista obstinado, a corporação misteriosa e jogos de poder que não adicionam nada novo à discussão. A tentativa de equilibrar nostalgia e modernidade acaba deixando o filme numa zona cinzenta: não é um desastre absoluto, mas tampouco é a revitalização ousada que muitos esperavam.
No fim, Jurassic World: Recomeço é uma obra mista. E essa ambivalência é provavelmente o reflexo mais fiel do estado atual da franquia. O filme possui qualidades técnicas e alguns vislumbres de bom cinema de aventura, mas tropeça em sua narrativa e desenvolvimento de personagens. A impressão deixada é de que aqui há mais promessas não cumpridas do que realizações cinematográficas completas, e enquanto alguns fãs casuais podem encontrar diversão nas perseguições e criaturas impressionantes, aqueles que buscam algo com mais substância podem ficar desapontados.
Jurassic World: Recomeço (Jurassic World: Rebirth, 2025 / Estados Unidos)
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: David Koepp
Com: Scarlett Johansson, Rupert Friend, Jonathan Bailey, Manuel Garcia-Rulfo, Mahershala Ali
Duração: 134 min.
Bacharel em Publicidade e Propaganda desde 2000 e atuante na área, alia técnica e criatividade em tudo o que faz. Cinéfilo de carteirinha, Ari se apaixonou pelo cinema nas madrugadas da TV, onde filmes clássicos moldaram seu olhar crítico e sua veia artística, inspirando-o a participar de um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Histórias são a alma de sua trajetória. Jogador de RPG há mais de 30 anos, decidiu unir sua experiência como roteirista e crítico e sua determinação para escrever livros e materializar suas ideias. Seu primeiro livro, Corrida para Kuélap, está disponível para venda para Kindle. E é só o começo.
Jurassic World: Recomeço
2026-02-03T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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