E o vento levou?
Os Estados Unidos têm um novo presidente, o mundo um novo governante. Barack Obama acaba de entrar para história como primeiro presidente negro da maior potência mundial, tão conhecida pelas lutas raciais e pelo sonho de Martin Luther King. O mundo, com a exceção do presidente italiano aplaude tal feito e deposita as esperanças nesse homem com pose de bom moço e repleto de sonhos, como todos nós.
Citando a história dos Estados Unidos para compor a vitória de Obama, a Bandeirantes relembrou em seu jornal o filme "E o vento levou", que retrata a guerra de secessão americana, quando o Norte lutou contra o Sul, vencendo-0 e acabando entre outras coisas, com a escravidão na América do Norte. Abraham Lincoln tornou-se sinônimo de presidente libertário e o mundo aplaudiu a república exemplar dos irmãos de cima.
É interessante, então, perceber que o mundo aplaudiu a vitória do Norte, o mundo aplaudiu Obama, porém o mundo continua se emocionando com o filme "E o vento levou" e sua heroína Scarlett. Onde está a incongruência de tal feito? Nos ideais. O filme conta a história sobre a ótica do Sul, do derrotado, do escravocrata, dos ideais com os quais não concordamos, ou aprendemos a não concordar.
Desde que começa o filme, o espectador é informado que irá conhecer uma história de um tempo que passou, que o "vento levou". Mas, já estávamos em uma época onde a sociedade era burguesa, industrial e não escravocrata. Ou seja, no fundo, os espectadores concordam com os ideais Ianques (como eram chamados os nortistas), mas ao ver o filme, todos se solidarizam com as causas do Sul. Eles são apresentados como os "mocinhos", o narrador está ao seu lado e seu ponto de vista é o ponto de vista do espectador. Então, Scarlett como a representante do Sul, é a heroína a ser acompanhada.
Mais do que isso, é possível considerar Scarlett e sua relação com a terra, mais do que uma metáfora do Sul e seu sonho, uma representante do próprio sonho americano. A força com que Scarlett defende a sua terra e a paixão que demonstra por seu mundo pode ser comparada ao amor do americano por seu país, sua “terra natal”. Observando a época em que o filme foi lançado (1939, pré-segunda guerra mundial), podemos perceber que esta visão do sonho americano encontra um espaço bastante propício para crescer em termos de identificação com o público, não apenas norte-americano, mas mundial já que a guerra traz esse sentimento de defesa da pátria, que pode ser transposto para realidade de cada país.
O fato é que por ter um roteiro bem escrito, uma heroína bem construída e uma narrativa bem desenvolvida, "E o vento levou" foi lembrado e as mesmas pessoas que estavam vibrando por Obama, se emocionaram ao ver suas cenas e sua música característica. É um feito e merece ser registrado.
Citando a história dos Estados Unidos para compor a vitória de Obama, a Bandeirantes relembrou em seu jornal o filme "E o vento levou", que retrata a guerra de secessão americana, quando o Norte lutou contra o Sul, vencendo-0 e acabando entre outras coisas, com a escravidão na América do Norte. Abraham Lincoln tornou-se sinônimo de presidente libertário e o mundo aplaudiu a república exemplar dos irmãos de cima.
É interessante, então, perceber que o mundo aplaudiu a vitória do Norte, o mundo aplaudiu Obama, porém o mundo continua se emocionando com o filme "E o vento levou" e sua heroína Scarlett. Onde está a incongruência de tal feito? Nos ideais. O filme conta a história sobre a ótica do Sul, do derrotado, do escravocrata, dos ideais com os quais não concordamos, ou aprendemos a não concordar.
Desde que começa o filme, o espectador é informado que irá conhecer uma história de um tempo que passou, que o "vento levou". Mas, já estávamos em uma época onde a sociedade era burguesa, industrial e não escravocrata. Ou seja, no fundo, os espectadores concordam com os ideais Ianques (como eram chamados os nortistas), mas ao ver o filme, todos se solidarizam com as causas do Sul. Eles são apresentados como os "mocinhos", o narrador está ao seu lado e seu ponto de vista é o ponto de vista do espectador. Então, Scarlett como a representante do Sul, é a heroína a ser acompanhada.
Mais do que isso, é possível considerar Scarlett e sua relação com a terra, mais do que uma metáfora do Sul e seu sonho, uma representante do próprio sonho americano. A força com que Scarlett defende a sua terra e a paixão que demonstra por seu mundo pode ser comparada ao amor do americano por seu país, sua “terra natal”. Observando a época em que o filme foi lançado (1939, pré-segunda guerra mundial), podemos perceber que esta visão do sonho americano encontra um espaço bastante propício para crescer em termos de identificação com o público, não apenas norte-americano, mas mundial já que a guerra traz esse sentimento de defesa da pátria, que pode ser transposto para realidade de cada país.
O fato é que por ter um roteiro bem escrito, uma heroína bem construída e uma narrativa bem desenvolvida, "E o vento levou" foi lembrado e as mesmas pessoas que estavam vibrando por Obama, se emocionaram ao ver suas cenas e sua música característica. É um feito e merece ser registrado.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
E o vento levou?
2008-12-07T15:31:00-03:00
Amanda Aouad
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