Gotas de liberdade
Falar na Índia está em alta, seja na novela das oito ou na cerimônia do Oscar. Então, vamos falar de um filme que me emocionou profundamente: Water, que aqui ganhou o título de Gotas de liberdade. Escrito e dirigido por Deepa Mehta, foi proibido na Índia, sendo co-produzido e lançado pelo cinema canadense. Deepa Mehta faz o chamado cinema indiano independente, à parte das grandes indústrias da Índia, sempre com temas polêmicos e buscando expor aquilo que considera errado em seu país. Por isso, ela tem forte oposição dos grupos de fundamentalistas hindus e, por muitos não é considerado cinema indiano, já que suas histórias têm que ser produzidas fora do país.
A Índia possui a maior indústria de cinema do mundo, o povo indiano é simplesmente apaixonado por filmes e gera quase 900 longas por ano. Ao contrário do que muitos pensam, Bollywood é apenas uma dessas indústrias, apesar de ser a mais conhecida e com maior número de expectadores. O nome Bollywood vem da junção de Hollywood com Bombaim (antigo nome da cidade onde concentra-se essa indústria) e abrange os filmes falados em hindi. Em geral, os filmes indianos possuem romance, aventura e drama recheados de muita música. Sempre com um tom leve e bonito de se ver.
Deepa Mehta, ao contrário, prefere retratar uma realidade por trás dessa alegria. E por suas críticas incomoda muitas pessoas. Em Water, seu longa de 2005 que concorreu ao Oscar de 2007 (perdendo para o alemão A vida dos outros), Deepa fala da situação deplorável das viúvas na Índia. Ele é o último de uma trilogia: Terra, Fogo e Água, e comove ao retratar uma jovem viúva de apenas nove anos, que não consegue se conformar com sua situação de excluída.
Segundo as escrituras, à viúva só existem três opções: morrer com o marido, uma vida de abnegação ou casar com o irmão mais novo do marido, se a família permitir. Sem obrigação de sustentar mais uma pessoa, as famílias depositam as mulheres em abrigos com poucas opções, apenas com roupas brancas, cabeça raspada e nenhum dinheiro. A pequena Chuyia passa a conviver com diversas mulheres em idades e humores diferentes e conhece a bela Kalyani, única viúva com cabelo, por servir de prostituta para conseguir dinheiro para o grupo. As duas começam uma amizade que ajuda a menina a conviver com aquela situação.
Em todos os momentos, o filme contrasta a bela fotografia indiana com aquelas mulheres de branco e cabeça raspada, tristes, decadentes, esperando a morte chegar. Possui uma poesia ímpar e emociona a todos, principalmente no final. Os atores, em sua maioria desconhecidos do grande público, contam com uma estrela de Bollywood, o ator John Abraham.
Mais do que um filme, uma reflexão, Water termina com a frase: "Há 34 milhões de viúvas na Índia segundo o Censo de 2001, muitas continuam a viver sob condições subumanas, como prescrito 2000 anos atrás nos textos sagrados de Manu." Vale a pena ser conferido.
A Índia possui a maior indústria de cinema do mundo, o povo indiano é simplesmente apaixonado por filmes e gera quase 900 longas por ano. Ao contrário do que muitos pensam, Bollywood é apenas uma dessas indústrias, apesar de ser a mais conhecida e com maior número de expectadores. O nome Bollywood vem da junção de Hollywood com Bombaim (antigo nome da cidade onde concentra-se essa indústria) e abrange os filmes falados em hindi. Em geral, os filmes indianos possuem romance, aventura e drama recheados de muita música. Sempre com um tom leve e bonito de se ver.
Deepa Mehta, ao contrário, prefere retratar uma realidade por trás dessa alegria. E por suas críticas incomoda muitas pessoas. Em Water, seu longa de 2005 que concorreu ao Oscar de 2007 (perdendo para o alemão A vida dos outros), Deepa fala da situação deplorável das viúvas na Índia. Ele é o último de uma trilogia: Terra, Fogo e Água, e comove ao retratar uma jovem viúva de apenas nove anos, que não consegue se conformar com sua situação de excluída.
Segundo as escrituras, à viúva só existem três opções: morrer com o marido, uma vida de abnegação ou casar com o irmão mais novo do marido, se a família permitir. Sem obrigação de sustentar mais uma pessoa, as famílias depositam as mulheres em abrigos com poucas opções, apenas com roupas brancas, cabeça raspada e nenhum dinheiro. A pequena Chuyia passa a conviver com diversas mulheres em idades e humores diferentes e conhece a bela Kalyani, única viúva com cabelo, por servir de prostituta para conseguir dinheiro para o grupo. As duas começam uma amizade que ajuda a menina a conviver com aquela situação.
Em todos os momentos, o filme contrasta a bela fotografia indiana com aquelas mulheres de branco e cabeça raspada, tristes, decadentes, esperando a morte chegar. Possui uma poesia ímpar e emociona a todos, principalmente no final. Os atores, em sua maioria desconhecidos do grande público, contam com uma estrela de Bollywood, o ator John Abraham.
Mais do que um filme, uma reflexão, Water termina com a frase: "Há 34 milhões de viúvas na Índia segundo o Censo de 2001, muitas continuam a viver sob condições subumanas, como prescrito 2000 anos atrás nos textos sagrados de Manu." Vale a pena ser conferido.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
Gotas de liberdade
2009-03-04T16:24:00-03:00
Amanda Aouad
cinema indiano|critica|drama|
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