08/12/2009

Nem princesa, nem sapo

A Princesa e o SapoDesde que a Pixar lançou no mercado Toy Story, os estúdios Disney entraram em crise. Acreditando erroneamente que a tecnologia era mais importante que a narrativa, seus poucos filmes não tinham alma, quase fechando o maior símbolo infantil de todos os tempos. Após algumas parcerias com sua antiga algoz, chega aos cinemas mais um conto de fadas digno dos bons tempos: A princesa e o sapo.

Reunindo duas fábulas de forma criativa: "o príncipe sapo" e "a cigarra e a formiga", o longa conta uma história envolvente e divertida, cheia de magia e final feliz (ops, não é spoiler, afinal, já disse que é um conto de fadas). Uma polêmica antes do seu lançamento quis tornar este uma questão racial, já que pela primeira vez traz uma protagonista negra. Após ver o filme, acredito que as reivindicações são ainda mais infundadas. Primeiro porque Tiana não é uma princesa que vira sapo. É quase um sapo que vira princesa, mas não vou entrar muito nos detalhes para não entregar o filme.

O que vemos na tela é uma modernização e atualização dos contos de fadas, independente da cor de sua protagonista. As narrativas clássicas seguiam padrões típicos de personagens, com mocinhas ingênuas que precisavam ser salvas pelo príncipe forte e galante. O mundo mudou, a mulher evoluiu, conseguiu impor seu papel na sociedade e dicilmente uma garota iria se identificar com uma Branca de Neve. Sendo assim, Tiana é uma jovem corajosa e trabalhadora que quer vencer na vida pelo seu próprio esforço. Ela só precisa aprender, como muitas feministas por aí, que a vida não é só responsabilidades, mas também um pouco de diversão. É aí que entra a moral do conto da cigarra e da formiga. É preciso trabalhar muito para se preparar para o futuro e atingir seus sonhos, mas um pouco de música faz bem, não?

Já o príncipe Naveen não é um primor em altivez. Boêmio, só pensa em curtir a vida, e também precisa aprender a ter responsabilidades. Essa quebra de padrão não-maniqueísta também é típica das narrativas modernas. Todos temos qualidades e defeitos, isso faz de um personagem mais complexo, realista e interessante.

Agora, independente da época, quem não sonha com um encanto que resolva todos os nossos problemas? Nisso, o filme brinca com a inversão do conto do príncipe sapo, já que, ao beijá-lo, Tiana vira um sapo (ou seria rã?) gerando situações engraçadas com seus dois novos amigos, um vagalume apaixonado por uma estrela e um jacaré que sonha em tocar numa banda de jazz. Aliás, o jazz e a ambientação em Nova Orleans, seu berço, embalam a trilha sonora e dão uma dinâmica especial a todo o filme.

O filme é divertido e digno dos antigos clássicos, nos fazendo sonhar com o pé no chão. Afinal, apesar de toda a magia do sonho, ninguém tem um botão mágico para resolver nossos problemas. Pegando carona no tema, a nova moda é jogar um sapo nos casamentos em lugar do tradicional buquê. Coitados dos bichinhos...


7 opiniões:

Cintia Carvalho disse...

Oi Amanda!

Sua narrativa sobre o filme ta muito legal. Recentemente, quando fui ver "ta chovendo hamburguer", vi o trailler da princesa e o sapo e de cara gostei do tema. Vou aproveitar minhas férias (to precisando e vão chegar numa hora muito boa) para curtir um bom cinema sozinha e com meu filhote. Este aqui, é uma ótima dica e vou ver, pois me amarro em fábulas com um toque atual. Este aqui me lembrou de Shreck.

Li tb suas últimas dicas. Sou fã de carteirinha do Almodovar e "Abraços partidos´" to super curiosa para ver. Tomara que passe aqui na minha terra. Senão terei de esperar sair em vídeo.

E seu pai pelo visto, mais um flamenguista hein. La em minha casa o povo é vascaíno. Vc fez uma bonita homenagem para ele. Muito bacana. E um filme sobre Zico, vale a pena. Eu gosto dele e sempre o considerei um ótimo jogador. Com certeza, tem uma bonita história de vida. Ele me parece ser uma pessoa bem simples e humildes.

Um abraço.

8 de dezembro de 2009 11:30
Marcelo Augusto Cetreus disse...

Hm, o filme realmente parece ser um retorno aos filmes antigos da quase falecida máquina de sonhos da Disney. Ela tentou por anos alcançar a modernidade e esqueceu da sua verdadeira premissa: o encanto.

Sempre passei aqui pelo seu blog, mas só agora realmente pude comentar com mais calma! Adoro seu espaço!
Se der, passe no meu humilde espaço, a Cinemótica.

Abraços!

8 de dezembro de 2009 14:04
Amanda Aouad disse...

Oi, Cíntia, pois é, li no seu blog que você é vascaína, hehe, mas o bom futebol é universal, né? E Zico faz parte dele.

Quanto a Almodovar, não é dos melhores do diretor, mas ainda assim, é bom.

Já o da Disney, é bem legal, vi uma sessão de pré-estréia cheio de crianças, e elas se comportaram muito bem, prestando atenção e batendo palmas no final, hehe, achei bonitinho...

Marcelo, obrigada, já visitei o seu Cinemótica, vou ler com calma o texto de Forest Gump para comentar algo.
abraços

9 de dezembro de 2009 10:10
Cristiano Contreiras disse...

Preciso conferir, mas concordo: tem anos que não vejo uma produção da disney com conteúdo e poesia, uma pena...saudade dos desenhos de outrora!

Vi o trailer de A Princesa e o sapo, com certeza gostarei!

beijos!

9 de dezembro de 2009 10:49
Marcos Veiga Magalhaes disse...

Olá Amanda,

Sou leitor do CinePipocaCult e sou cinéfilo de carteirinha. Eu estou mandando esse email porque estou trabalhando numa empresa que desenvolveu um portal sobre cinema - o Cinema Total (www.cinematotal.com). Um dos atrativos do site é que você cria uma página dentro do site, podendo escrever textos de blog e críticas de filmes. Então, gostaria de sugerir que você também passasse a publicar seus textos no Cinema Total - assim você também atinge o público que acessa o Cinema Total e não conhece o CinePipocaCult.

Se você gostar do site, também peço que coloque um link para ele na seção "outros sites" do CinePipocaCult.

Se você quiser, me mande um email quando criar sua conta que eu verifico se está tudo ok.

Um abraço,
Marcos

9 de dezembro de 2009 12:00
Kamila disse...

Estou com vontade de conferir "A Princesa e o Sapo" porque acho que vai ser uma volta meio ao estilo clássico Disney. Mas, quero ver o longa sem qualquer expectativa! Quero ser surpreendida!

9 de dezembro de 2009 20:50
Amanda Aouad disse...

Interessante, Marcos, já coloquei nos relacionados e vou olhar com calma no fim de semana.

abraços

10 de dezembro de 2009 09:53

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