19/11/2010

Minhas mães e meu pai

Mark RuffaloEu que reclamo tanto das versões dos títulos brasileiros, tenho que começar dizendo que Minhas mães e meu pai, traduz muito melhor o filme de Lisa Cholodenko do que The Kids Are All Right. Na verdade, o nome original é baseado na música do grupo de rock inglês The Who. Diretora e roteirista, Cholodenko traz ao seu terceiro filme o mesmo estilo independente abordando dramas íntimos. A história seria quase requentada se não fosse o fato de se tratar de um casal homossexual. E, principalmente, de um elenco tão intenso.

Julianne Moore e Annette Bening vivem o casal Jules e Nic. Bem estruturado e com dois filhos feitos por inseminação artificial, usando o mesmo doador, onde cada uma deu a luz uma das crianças que criam juntas. A mais velha, Joni, vivida por Mia Wasikowska, e o mais novo, Laser, vivido por Josh Hutcherson. Apesar de algumas dificuldades de Jules em se firmar em uma profissão, enquanto Nic é uma médica bem estruturada, a família pode ser considerada padrão e feliz. Tudo começa a ser remexido quando Joni faz dezoito anos e Laser implora para que ela ligue para o banco de espermas e descubra quem é o pai dos dois. É aí que entra o personagem de Mark Ruffalo. Paul é um cara comum que, ao interagir com cada membro da família, irá desestruturar um pouco a mesma, conduzindo a um drama muito bem construído.

Minhas mães e meu paiNão pensem, no entanto, que estamos diante daqueles dramas pesados. É uma história leve e muitas vezes engraçada. Somos envolvidos aos poucos por essa família e passamos a gostar de cada membro, compreendendo-os como se fossem nossos amigos. Mesmo de Paul, o intruso. O personagem acaba sendo o mais massacrado, mas é fácil compreendê-lo e até mesmo se envolver com ele. Na verdade, em determinado momento-chave, é a atitude dos filhos que fica sendo questionada pelo espectador.

A relação de Jules e Nic é tratada de forma natural, sem questionamentos ou polêmicas. Elas se apresentam como um casal junto há muito tempo que começa a demonstrar algum desgaste. Já não há mais tanto romance e paixão, apenas o amor maduro. Em alguns momentos achamos estranho certos comportamentos, como o tal vídeo encontrado por Laser, tanto que Cholodenko coloca na boca de sua personagem a explicação. Mas, no geral, não tem nada além do que todos casais passam após muitos anos de relação. A cena da banheira é mesmo a mais emblemática.

Minhas mães e meu paiAs interpretações enriquecem a história de uma forma única. O garoto Josh Hutcherson, há muito na tela, vem demonstrando maior carga dramática desde Ponte para Terabítia. Já Mia Wasikowska, exorcizou a atuação ruim em Alice com um tom mais natural. Julianne Moore é sempre aquela atuação intensa, gosto muito do trabalho da atriz. Muitos tem falado da excelente atuação de Annette Bening, que concordo. Provavelmente a atriz é forte candidata ao Oscar, mas Mark Ruffalo consegue se destacar dentre todos em minha opinião pelo ponto-chave que é seu personagem. Um deslize do ator e toda a história estaria perdida. Seu personagem é o mais difícil de todos, qualquer coisa poderia fazê-lo cair no caricato.

É um filme bonito, bem feito, bem interpretado, com uma boa trilha sonora e fotografia, que nos levam para intimidade daquela família peculiar e o drama da chegada de um intruso. Tocando em assuntos sérios de uma forma leve, Minhas mães e meu pai tem tudo para agradar. Não por acaso está tão bem cotado nos festivais por onde tem passado.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

10 opiniões:

Reinaldo Glioche disse...

Como sabe, tb gostei do filme, mas sou obrigado a discordar de vc. Primeiro no título. Acho o internacional muito melhor. Mais sutil e específico quanto ao que trata o filme afinal. As crianças estão bem, o problema está com os adultos. O outro é sobre Mia. Ela rodou esse filme antes de Alice, como tb já externei, acho que ela era o melhor do filme de Tim Burton. Vejo em Mia uma grande intérprete e estou empolgado de acompanhá-la crescer na carreira.
Bjs

19 de novembro de 2010 14:15
Amanda Aouad disse...

Oi, Reinaldo, certo. Entendo a idéia do título, mas, será que as crianças estão tão bem assim? O próprio fato de Laser pedir para conhecer o pai, a questão com o amigo, a questão de Joni com a amiga e o paquera, a reação dos dois após alguns acontecimentos dos pais. Enfim... Entendo, mas não sei se concordo tanto com essa sutileza. Apesar de os problemas dos pais parecerem mais sérios, as crianças estão passando por uma fase de transição e descoberta também difícil.

Quanto a Mia, falei da ordem, por causa do lançamento, não necessariamente do que ela fez primeiro. Importa o que chega primeiro ao público, não? Realmente, não gosto dela em Alice, mas respeito sua opinião. De qualquer forma é uma boa atriz, gostava dela em In Treatment.

bjs

19 de novembro de 2010 14:45
Caique Gonçalves disse...

Queria muito ver esse filme, mas por conta da estreia de Harry Potter alguns filmes saíram em cartaz, inclusive ele. Esperarei sair em DVD para assistir.

Abs,

19 de novembro de 2010 16:16
Amanda Aouad disse...

Ele continua passando no Unibanco (GLauber Rocha) e no Cine Vivo (Passeo), Caique.

abraços

19 de novembro de 2010 16:36
Kamila disse...

Este filme estreou em todo canto, menos aqui! Tô doida para conferir! Parece ser bem legal!

19 de novembro de 2010 20:51
renatocinema disse...

Mark Rufalo não me convenceu em nenhum filme.....até hoje acho ele fraco. Mas, ouvi falar bem dessa produção quem sabe não altere minha opinião sobre esse "ator".

19 de novembro de 2010 21:48
Fred Burle disse...

Que ótimo que você também gostou!
Concordo que seria uma história comum se não tivesse um casal de lésbicas como protagonistas, mas isso nem é o mais importante, tanto que o filme trata isso de forma muito natural.
Por enquanto, torço pela Annette no Oscar!

Abraço

20 de novembro de 2010 11:57
Cristiano Contreiras disse...

Muito bom mesmo esse filme! achei os diálogos, a direção e a precisão interpretativa do elenco perfeitos! Em sintonia mesmo.

Muito bom você ter pontuado que não só Julianne Moore e Annette Bening são boas no filme, mas Mia e Josh são de fundamentais importancia! e, sinceramente, espero que Mark Rufallo seja indicado também ao Oscar.

Ah, a cena que Annette Bening canta e cita Joni Mitchel com Rufallo é muito boa!

Belo filme esse!

Abraço

20 de novembro de 2010 12:35
Amanda Aouad disse...

É legal, sim, Kamila, pena que não estreou por aí.

Renato, acredite, Mark Rufalo está muito bem.

Fred, exatamentem, não importa para história, mas é o diferencial paradoxalmente, hehe. Vamos ver o que vem no Oscar.

Cris, pois é, todo o elenco está bem. E a cena que vocÊ cita é ótima mesmo, até pelo constrangimento de Julianne Moore.

bjs

20 de novembro de 2010 15:12
Maurício Amorim disse...

O filme estreou aqui em novembro, ficou, creio, até dezembro em cartaz, saiu e agora, provavelmente devido às MERECIDAS indicações ao OSCAR, retornou às salas de cinema.

Assisti ontem, na unica sessao que o filme está passando, às 20h50, no Paralela Shopping (está em outros cines tb) e, confesso: que filme excelente!!!

As duas principais atrizes, otimas! Dificil dizer qual das dois está melhor. Acho, inclusive, que Julianne merecia ter sido indicada ao Oscar, como fora indicada ao Globo de Ouro.

E mais do que merecida a indicação de Mark Rufalo ao oscar de coadjuvante: um otiimo ator, constantemente esquecido nas grandes premiações do cinema. Porem, o mundo todo sabe que o grande favorito, neste ano, é Christian Bale.

Ah sim, meu destaque fica sendo pra trilha sonora do filme: gostei demais!!!

E, por fim, concordando com alguns leitores do blog, acho que o titulo em ingles é, de fato, bem melhor.

Bjs.

Maurício.

30 de janeiro de 2011 11:26

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