31/01/2011
Brasil Animado
Mariana Caltabiano merece todos os aplausos pela coragem de um projeto tão ousado e fico triste ao ver que poucos estão prestigiando essa iniciativa. Fazer cinema no Brasil já é complicado, imagine, então, cinema com projeção em 3D? Tudo bem que alguns vão estranhar não ver nada saltando na tela e podem até se perguntar se é 3D mesmo. Mas, aí basta tirar o óculos para ver que vai estar tudo embaçado, ou então, prestar atenção na profundidade de tela. Principalmente nas cenas de imagens reais. A projeção em 3D está lá, melhor do que muito filme americano que apenas fez a transição após a filmagem para pegar carona na onda.
O roteiro, assinado pela própria diretora junto a Eduardo Jardim, é didático ao extremo, é verdade, mas tem um humor sutil com várias referências interessantes. O problema é a insistência em explicá-las depois. Como no caso da música "Garota de Ipanema" que é citada e logo depois abre uma explicação sobre Vinícius e Tom. Ou a piscina de moedas do tio Patinhas que aparece na sequência mandando processar o filme. Entendo que a preocupação do longametragem é explicar um pouco do nosso país. Mas, para quem vai ao cinema, esse excesso pode ficar enfadonho, mesmo que os "professores" sejam duas criaturas tão peculiares.
Stress e Relax são dois amigos com objetivos bem diferentes. O primeiro é um empresário totalmente estressado, o nome não nega, que só pensa em lucrar cada vez mais. O segundo é um diretor de cinema bem relaxado que quer convencê-lo a investir em seus projetos. A idéia da vez é encontrar o grande Jequitibá Rosa, possivelmente a árvore mais antiga do Brasil. Stress vê nessa busca uma oportunidade de ganhar dinheiro e os dois saem a procura da tal raridade. Cada local que passam torna-se um passeio turístico misturado à aulas de história e geografia. É um projeto perfeito para ensinar não apenas aos pequenos, mas aos espectadores em geral um pouco desse nosso rico país.

Claro que é apenas uma amostra grátis já que eles só passam por Rio de Janeiro, Salvador, Porto Seguro, Foz do Iguaçu, Porto de Galinhas, Olinda, Ouro Preto, Tiradentes, Diamantina, Fortaleza, Canoa Quebrada, Jericoacoara, Gramado, Caxias do Sul, São Paulo, Amazônia, Brasília e Florianópolis (fonte). Ainda assim, é um belo passeio, diversificado, que traz algumas curiosidades. Só o fato de passear pelas regiões do Brasil, saindo do eixo Rio / São Paulo já é um avanço. As "participações especiais" também são ótimas, como Guga na praia de Floripa ou Fernando Meireles em Gramado.
A mistura de desenho com imagens reais poderia ser mais profunda, é verdade, mas a junção fica interessante, mesmo que raramente se unam totalmente na tela. A maior parte da projeção elas ficam se intercalando, mas o cuidado em desenhar um cenário quase igual ao real é bem observado. Um detalhe do desenho que pode estar fazendo o público estranhar o 3D aplicado é que a arte é em 2D. A profundidade gerada pelo 3D, então, faz parecer que estamos vendo uma maquete de papel. Eu achei divertido esse detalhe. Principalmente quando eles enquadram em um ângulo geral. A verdade é que Brasil Animado é um filme muito bem realizado, porém para um público muito específico. Acredito que fará bastante sucesso nas escolas. Mariana Caltabiano já tem uma experiência vasta com o público infantil e sabe exatamente o que estava fazendo ao criar esse longametragem. Repito que merece todas as palmas pela iniciativa. Pioneirismo também conta nessa arte tão fascinante. Prestigiem, divulguem, ajudem. O cinema nacional precisa de ações assim.






































8 opiniões:
Também achei bem didático, essa é a palavra. Como ele mesmo diz no trailer: "não é assim um Avatar, mas é em 3D". Achei uma iniciativa fantástica. Todo pai devia levar seus filhos pra verem. Apoio.
31 de janeiro de 2011 10:17De fato há coragem na experiência, mas achei o filme vazio, sem enredo e muito "guia de turismo".
31 de janeiro de 2011 10:34A reclamação por ser didatico é o que mais escuto. Mas pense, ao inovar e entrar em novos territórios se torna mais um atrativo. Muitos tem medo de encarar nessa aventura, quem sabe no futuro e ver que o Brasil se esforça a fazer algo maravilhoso, mesmo penando em alguns projetos duvidosos.
31 de janeiro de 2011 10:35Achei o filme bem infantil mesmo, com piadinhas sem graça e personagens que pouco cativam. A iniciativa é boa, mas como já ouvi dizerem por aí, ficou mais parecendo um filme comercial da Embratur.
31 de janeiro de 2011 16:54Concordo que ela merece todos os nossos aplausos pela iniciativa. Mas, infelizmente, não tô com coragem de encarar. Acho o trailer dessa obra um saco! rsrsrss
31 de janeiro de 2011 20:01Pois é, Gabriela, a iniciativa é que merece destaque, o roteiro poderia ser muito melhor.
31 de janeiro de 2011 23:29É por aí, Laura, o enredo é uma desculpa. Mas, funciona como aula de história e geografia para as crianças.
Concordo, Dr. acho importante a inovação.
Um pouquinho melhor que a Embratur, não, Silvia? hehe.
Entendo perfeitamente, Kamila. Também achei chato o didatismo, mas encarei porque queria muito ver o resultado de um filme nacional em 3D.
Me parece um projeto interessante, sem dúvida digno da nossa atenção. Pena que minha cidade não foi contemplada pelo roteiro!
1 de fevereiro de 2011 03:19Tb não me agrada ver referências sendo explicadas, mas creio q isso não vai me atrapalhar tanto...
Vou ver assim q possível.
Tomara que ele chegue por aí, Bruno.
1 de fevereiro de 2011 15:50bjs
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