08/01/2011
O Garoto de Liverpool
Ano passado, sim 2010 já é passado, John Lennon completaria 70 anos se estivesse vivo. Nada mais normal, então, do que filmes sobre o mais polêmico dos Beatles que já chegou a se dizer mais conhecido que Jesus Cristo. O documentário John Lennon vs USA teve pouca repercussão por aqui, mas O garoto de Liverpool ainda está com boas bilheterias. Baseado no livro “Imagine This: Growing Up With My Brother John Lennon”, escrito por sua meia irmã Julia Baird, o filme dirigido por Sam Taylor Wood com roteiro de Matt Greenhalgh fala de uma época em que John era apenas um garoto de lugar nenhum, como diz o título original.
Com quinze anos, John Lennon é um garoto rebelde que não gosta de escola e é criado por uma tia autoritária, Mimi. Quando seu tio George morre, ele reencontra sua mãe Júlia que o abandonara na infância e tenta recomeçar essa relação. É ela quem lhe apresenta o rock 'n roll e ensina a tocar os primeiros instrumentos. Lennon tenta então, montar sua própria banda, a “The Quarrymen” que logo ganha dois reforços importantes, Paul McCartney e George Harrison. Todos que conhecem um pouquinho da principal banda de rock do planeta sabem que Ringo só chegou para montar os Beatles, e sobre eles não tem nem uma palavra no filme de Sam Taylor Wood. É simplesmente, um filme sobre a juventude de John Lennon.
Está certo que é um John Lennon esquisito, já que Aaron Johnson (aquele mesmo de Kick-Ass) não tem nenhuma semelhança com o Beatle, tendo inclusive um par de olhos azuis que em nada se assemelham aos castanhos de John. Sua interpretação também não chega a ser justificativa para a escalação, por isso algumas más línguas tenham dito que o papel deveu-se ao relacionamento com a diretora. Sem precisar ser escalada pela namorada, quem dá show é Kristin Scott Thomas como a tia Mimi, sabendo dosar bem as emoções em momentos-chaves, sustenta toda a tensão do triângulo vivido por sua personagem entre mãe e filho. Anne-Marie Duff que faz a mãe de Lennon também está bem. Mas, foi bastante esquisito ver o franzino Thomas Sangster encarnar o mais bonito dos Beatles, mesmo com uma boa atuação.
Ainda que sem referências diretas aos Beatles, é interessante ver Lennon ser barrado na porta do bar Cavern, por exemplo, ou ouvir sua mãe dizer, após vê-lo reclamar que Deus não o fez Elvis Presley, que ele estava reservado para ser John Lennon. O história é centrada no relacionamento do protagonista com mãe e tia, mas a música está sempre presente. Vários clássicos do rock 'n roll compõem a trilha sonora. E claro, vocês não ouvirão nada dos Beatles, mas alguns acordes iniciais da dupla Lennon e McCartney estão presentes.
Para os fãs do grupo, muitos fatos estarão distorcidos como a própria relação com a mãe e a tia de John Lennon. Há ainda a ausência de Cynthia Powell, futura esposa de Lennon e mãe do seu primeiro filho, Julian (aquele da música Hey Jude). A moça começou a namorar o Beatle quando os dois estudavam na Liverpool College of Art e poderia ter sido ao menos citada perto do final da trama. De qualquer forma, é um filme interessante, bem conduzido e que envolve. A direção é bem conduzida e com vários acertos o que faz ser uma boa pedida para todos.










































10 opiniões:
Eu só discordo sobre a fala da mãe, de que o filho estava reservado para ser John Lennon. Duvido que tenha dito isso, que para mim é pieguice do roteiro. rsrs
8 de janeiro de 2011 11:08De resto, concordo!
Abs
Também duvido, Fred, como muito coisa na história foi romanceada, mas achei interessante a brincadeira na hora que ela falou.
8 de janeiro de 2011 21:18bjs
Achei o filme incrivel, gostei mais que você. Acho de uma extrema sensibilidade e, de fato, as atrizes Kristin Scott Thomas e Anne-Marie Duff dominam o âmbito interpretativo do filme. Eu gostei mais delas até...de fato os atores que fazem nada lembram o John e Paul, de jeito e personalidade. Acho que a diretora não quis fazer um filme totalmente biográfico, mas apenas mostrar um recorte da vida de John Lennon. E ela não se preocupa em tornar as situações ou caracterizações dos atores semelhantes à realidade.
9 de janeiro de 2011 02:11Nas, achei também o filme com um apelo beeem nostálgico, gostoso de ver e sentir, ainda mais pela trilha sonora.
Beijo
Mas o Aaron Johnson só começou a namorar a Sam Taylor Wood durante as filamgens. Logo, esse comentário maldoso que muitos fazem que vc alude, de que sua escalação só se devia ao namoro, não procede. Enfim, de qualquer jeito é uma leitura que se faz de Lennon. Como há tantas por aí na literatura não ficcional, que só não reverberam pelo fato de estarem restritas a guetos específicos.
9 de janeiro de 2011 13:36Acho um bom filme. É preciso dizer, também, que Wood não se incumbiu de fazer uma biografia formal de Lennon, assim como O excelente documentário Os estados unidos x John Lennon também não tinha essa proposta.
Beijos
É bonzinho, não chega a doer mas acaba ficando como apenas mais um filme de biografia
9 de janeiro de 2011 15:14Isso é, Cris, o filme é gostoso e nostálgico, mas podia serr um pouquinho mais fiel.
9 de janeiro de 2011 21:03Com certeza, Reinaldo. Mas, tem gente pra dizer de tudo. O filme é interessante, mas podia ser bem melhor.
Por aí, Márcio. Poderia ser muito melhor.
beijos a todos.
Nem um pouco recomendavel para quem gosta de Beatles.
10 de janeiro de 2011 09:08Nele não há gênese, apenas distorções e equivocos.
"O Garoto de Liverpool" poderia ser melhor, mas ainda é um filme satisfatório. É uma perspectiva diferente (bem maquiada e romântica) da adolescência de Lennon, mas eu gostei do resultado. Realmente, Johnson não se assemelha ao beatle, mas sua atuação também não compromete. Quem dá mesmo show aqui são as atrizes Kristin Scott Thomas e Anne-Marie Duff, como a mãe, que muitas obras afirmam que a relação entre eles beirava o incesto. Enfim... elas arrasam no filme!
10 de janeiro de 2011 11:39bjs
Não seria tão radical, Poema, mas entendo seu ponto de vista.
10 de janeiro de 2011 16:09Sem dúvidas, Elton, as duas dão o verdadeiro show.
bjs
Oi Amanda!
12 de janeiro de 2011 18:39Gostei mto deste filme e achei a interpretação de Kristin Scott Thomas fantástica! Ela começa meio azeda no começo e vai ganhando um carisma ao longo da trama. Gostei da atuação de Aaron apesar de não estar tao impactante assim.
Achei o roteiro e sua montagem bem interessante, porem alguns dizeres (como a da mae de John falando sobre o caso Elvis Presley) e o trocadilho de Nowhere Boy logo no começo do filme, achei que soaram meio forçados...
Tb me intrigou a relação que a diretora sustentou entre John e sua mae. Em algumas cenas insinuavam algo beirando o incesto eu diria, rs...
Otima critica!
Abs!
Natalia Xavier
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